24 jun 2026

Acadêmica Ana Cláudia Miranda Camargo é homenageada no Centenário da Farmacopeia Brasileira e segue na coordenação do CTT de Radiofármacos

Durante as solenidades em comemoração ao Centenário da Farmacopeia Brasileira, promovidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi realizado o encerramento oficial do ciclo 2021-2026 dos Comitês Técnicos Temáticos (CTT). O evento foi marcado por homenagens aos membros dos comitês, que receberam placas de agradecimento em reconhecimento ao brilhante trabalho, dedicação e extrema relevância dos serviços prestados à saúde pública do país.

Entre os homenageados, a ACFB celebra com muito orgulho a Acadêmica Titular da Cadeira nº 113, Dra. Ana Cláudia Miranda Camargo, que recebeu a honraria por sua destacada atuação como coordenadora do Comitê Técnico Temático de Radiofármacos (CTT RAD). Reafirmando o compromisso com a excelência técnica e científica da instituição, a Acadêmica permanecerá na liderança do comitê para o próximo ciclo (2026-2031).

 

O CTT RAD: Protagonismo em uma área vital da saúde

A Radiofarmácia é uma área altamente especializada e estratégica dentro da medicina nuclear. Os radiofármacos desempenham um papel crucial na vida de milhares de pacientes, sendo essenciais para o diagnóstico precoce de patologias complexas, acompanhamento terapêutico e viabilização de tratamentos oncológicos e neurológicos inovadores que oferecem esperança e qualidade de vida.

Sob a coordenação da Dra. Ana Cláudia, o CTT RAD atuou como um protagonista fundamental no cenário regulatório brasileiro, reunindo especialistas com o propósito de desenvolver e estabelecer referências de qualidade para essa categoria de medicamentos. Entre as principais entregas do ciclo que se encerra, destaca-se a expressiva ampliação do conjunto de monografias de radiofármacos na 7ª edição da Farmacopeia Brasileira, incorporando produtos de alta relevância clínica para o sistema de saúde nacional.

Além disso, a gestão promoveu uma aproximação inédita e produtiva entre a Farmacopeia e o setor produtivo (empresas e instituições), garantindo que as normas técnicas publicadas refletissem com fidelidade a realidade prática e tecnológica da produção de radiofármacos no Brasil.

Desafios e Perspectivas para o Próximo Ciclo

O período de 2021-2026 coincidiu com profundas transformações no setor, impulsionadas pela abertura do mercado nacional de radiofármacos. Esse novo panorama trouxe desafios regulatórios, tecnológicos e produtivos complexos, exigindo do comitê constante atualização para acompanhar a evolução da medicina nuclear global e assegurar padrões rígidos de qualidade, segurança e eficácia.

De acordo com a Acadêmica, o rigor científico exigido na elaboração de documentos farmacopeicos sólidos impõe um ritmo minucioso de trabalho, especialmente pela necessidade de validações adicionais e obtenção de dados experimentais robustos. No entanto, o balanço é amplamente positivo, tendo o CTT RAD deixado um legado que fortalece diretamente a base regulatória e o uso seguro dessas substâncias nos bastidores dos serviços de medicina nuclear.

Ao receber a homenagem, a Dra. Ana Cláudia expressou sua profunda gratidão à Anvisa, à Coordenação de Farmacopeia (Cofar) — na figura de Thaís Rocha —, e estendeu o reconhecimento às suas parceiras de comitê: Elaine Bortoleti, Neuza Fukumori, Simone Fernandes, Jeanne Gaultier e Laís França.

Com o sentimento de missão cumprida e motivada pelo impacto direto desse trabalho na saúde da população brasileira, a Acadêmica renova seu entusiasmo e senso de responsabilidade para liderar os novos desafios do CTT de Radiofármacos no ciclo que se inicia.

A Diretoria e os Membros da ACFB parabenizam a confreira Dra. Ana Cláudia Miranda Camargo pelo merecido reconhecimento e desejam pleno sucesso na continuidade de sua gestão na Farmacopeia Brasileira.…

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23 jun 2026

Especialistas Debatem o Impacto do DIFA, CADIFA e as Diretrizes do ICH no Cenário Regulatório de Insumos Farmacêuticos

No dia 22 de junho de 2026, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) promoveu o webinar DIFA, CADIFA e ICH: Integração Regulatória e Desafios Técnicos.

A abertura e a moderação dos debates foram conduzidas pelo Acad. Lauro Moretto, Presidente Emérito e Primeiro Secretário da ACFB. Moretto destacou que o ecossistema regulatório dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) no Brasil enfrenta sua transformação mais profunda e acelerada, tornando a convergência internacional uma exigência mandatória e inescapável para garantir a competitividade e a segurança sanitária no país.

Evolução Histórica e a Nova RDC nº 948/2024

A Rosana Mastellaro, Diretora de Assuntos Técnico-Regulatórios e Inovação do Sindusfarma e Acadêmica Titular da ACFB (Cadeira nº 71), iniciou a palestra desenhando uma linha do tempo da regulação de insumos no Brasil. Um dos grandes destaques recentes foi a publicação, no final de 2024, da RDC nº 948/2024.

Classificada por Rosana como uma norma guarda-chuva — idealizada sob a gestão da então diretora da Anvisa, Meiruze Freitas —, a resolução consolidou em um único ordenamento o fluxo de regularização de produtos, independentemente da categoria. A norma trouxe precisão técnica ao sepultar o termo defasado “droga” (da Lei nº 6.360/1976) e sedimentar as definições de:

  • IFA Sintético e Semi-sintético;
  • IFA Vegetal (derivado de droga vegetal);
  • IFA Dinamizado e Biológico;
  • IFA Atípico (excipientes que atuam como ativos em formulações específicas, como os polietilenoglicóis em lágrimas artificiais).

Padronização via DCB e o Desafio das Moléculas Biológicas

Rosana enfatizou o papel da Denominação Comum Brasileira (DCB) na harmonização de petições. Um ponto crítico de debate atual envolve os IFAs sintéticos que compartilham a mesma estrutura e, consequentemente, a mesma DCB de uma molécula biológica originadora. Embora tenham nomenclaturas idênticas, possuem rotas de síntese e origens totalmente diversas, exigindo rigor extremo na avaliação regulatória.

O Gargalo do Modelo Antigo: O Aprendizado que Gerou a Mudança

A regulação de IFAs ganhou corpo com a criação da Anvisa, o advento dos Medicamentos Genéricos (RDC nº 391/1999) e o posterior aperfeiçoamento das regras de pós-registro (da RDC nº 48/2009 para a RDC nº 73/2016). A premissa do pós-registro, conforme explicou Rosana, é garantir que o medicamento permaneça como um “regulamento vivo”, exigindo provas de bioequivalência e manutenção da intercambialidade ao longo de todo o seu ciclo de vida.

Contudo, o modelo fiscalizatório anterior, estruturado a partir de 2008 (com o cadastro da RDC nº 30/2008, atual RDC nº 637/2022) e da norma de registro de IFAs de 2009 (RDC nº 57/2009 e IN nº 15/2009), gerou severos entraves para o setor e para a própria agência:

  • Duplicidade de Esforços: Se dez indústrias farmacêuticas utilizassem o mesmo IFA de um mesmo fornecedor internacional, a Anvisa precisava analisar dez processos de registro idênticos.
  • Carga Administrativa Elevada: Custos altos com inspeções e certificações repetitivas.
  • Assimetria de Mercado: Inspeções da Anvisa detectavam insumos com especificações técnicas discrepantes para uma mesma molécula no mercado nacional.
  • Falta de Clareza nos Critérios: Listas de IFAs prioritários baseadas na Rename ou no interesse do SUS geravam dúvidas interpretativas sobre a inclusão de sais, ésteres, éteres e hidratos.

Diante desse cenário e impulsionada pela entrada da Anvisa no ICH (Conselho Internacional de Harmonização) em 2016, a agência instituiu em 2018 um Grupo de Trabalho (GT) conjunto com o setor regulado. O foco era desenhar um fluxo ágil baseado no formato CTD (Common Technical Document), facilitando tanto a importação quanto a exportação de insumos a partir de plantas brasileiras qualificadas.

O Novo Marco Regulatório e a Transitoriedade do CADIFA

Dando continuidade ao histórico, a Luciana Carrasco, Gerente Sênior de Assuntos Regulatórios no Sindusfarma, detalhou a publicação, em 2020, do Novo Marco Regulatório de IFAs, composto por três resoluções fundamentais:

Norma AtualizadaFunção Regulatória Principal
RDC nº 359/2020Institui o DIFA e a CADIFA para moléculas sintéticas e semi-sintéticas.
RDC nº 753/2021 (antiga RDC 361)Atualiza as diretrizes de registro de medicamentos genéricos, similares e novos.
RDC nº 672/2022 (antiga RDC 362)Define os critérios para a Concessão da Certificação de Boas Práticas de Fabricação (CBPF) de IFAs.

 

Regra de Não Retroatividade e a Linha do Tempo

Luciana explicou que, com base na Análise de Impacto Regulatório (AIR) de 2019, a Anvisa determinou que o novo marco não retroagiria para medicamentos já registrados. Após períodos de transição estendidos devido à pandemia, a obrigatoriedade da CADIFA tornou-se plena em 1º de agosto de 2023 para qualquer novo registro ou pós-registro de medicamento sintético e semi-sintético.

A especialista pontuou que, embora muitos produtos antigos não possuam CADIFA, a tendência é que as indústrias migrem voluntariamente para esse sistema, dado que a gestão do ciclo de vida pós-registro torna-se infinitamente mais simples.

Conceituando o Modelo: DIFA x CADIFA

Para desmistificar os conceitos para a comunidade acadêmica e industrial, Luciana Carrasco definiu os papéis de cada instrumento criado pela Anvisa (equivalentes ao Drug Master File – DMF internacional):

DIFA (Dossiê de Insumo Farmacêutico Ativo): É o conjunto robusto de dados administrativos e técnicos de qualidade do IFA (Módulos 1 e 3 do formato CTD).

CADIFA (Carta de Adequação do Dossiê de Insumo Farmacêutico Ativo): É o instrumento administrativo emitido pela Anvisa que atesta que o DIFA está em plena conformidade com a RDC nº 359/2020.

Nota importante: A CADIFA atesta que a qualidade do IFA é adequadamente controlada pelo conjunto de testes analíticos propostos, mas não substitui o Certificado de Análise (CdA) emitido lote a lote pelo fabricante.

Abrangência e Responsabilidade

O sistema DIFA/CADIFA aplica-se estritamente a medicamentos novos, inovadores, genéricos e similares (sintéticos e semi-sintéticos). Categorias como biológicos, fitoterápicos, dinamizados e específicos continuam tendo seus IFAs avaliados diretamente dentro do dossiê do medicamento acabado.

O pedido da CADIFA deve ser feito pelo Detentor do DIFA (a farmoquímica responsável pela rota de síntese desde o material de partida) ou por empresa parceira que possua autorização formal e acesso irrestrito às informações confidenciais do processo.

A Divisão de Informações: Sigilo Industrial Preservado

O modelo otimiza o fluxo de dados dividindo o dossiê em duas partes estratégicas:

  1. Parte Aberta (Ficha Técnica): Contém informações gerais de qualidade que a farmoquímica compartilha integralmente com a indústria farmacêutica compradora.
  2. Parte Restrita (Segredo Industrial): Detalha de forma minuciosa a rota de síntese, solventes e segredos de fabricação. É enviada diretamente pela farmoquímica para a Anvisa, preservando a propriedade intelectual perante o mercado.

A Internacionalização via ICH e o Desafio Técnico das Impurezas

A implementação da RDC nº 359/2020 chancelou a internalização definitiva dos guias de qualidade do ICH no Brasil. Luciana lembrou que a recente Consulta Pública nº 1.393 (com forte participação do Sindusfarma) visa justamente atualizar de forma pontual a aplicação dessas diretrizes internacionais na análise do DIFA.

Dentre os guias do ICH diretamente conectados à avaliação dos insumos, destacam-se:

  • Estabilidade e Validação: ICH Q1A a Q1E (Estabilidade e Fotoestabilidade) e ICH Q2(R2) (Validação Analítica, permitida historicamente para IFAs em substituição à nacional RDC 166/2017).
  • Especificações e Desenvolvimento: ICH Q6A (Critérios de aceitação) e ICH Q11 (Desenvolvimento e fabricação do IFA).

O Alerta sobre Impurezas Elementares e Mutagênicas

Em uma valiosa intervenção conjunta, Rosana e Luciana chamaram a atenção dos participantes para os guias focados no controle de impurezas: o ICH Q3D (Impurezas Elementares) e o ICH M7 (Impurezas Reativas/Nitrosaminas).

Rosana Mastellaro alertou que o avanço do conhecimento científico e a participação em fóruns globais mudaram o foco da análise laboratorial. Atualmente, o controle analítico não pode se limitar à determinação do teor quantitativo do ativo.

“As impurezas hoje geram grande impacto no desenvolvimento. No passado, podiam mimetizar picos cromatográficos, confundindo-se com o teor real do ativo (teor mascarado). Além disso, o controle rigoroso sob a ótica do ICH M7 visa mitigar não apenas os riscos carcinogênicos potenciais a longo prazo das nitrosaminas, mas também evitar eventos adversos agudos, como distúrbios gastrointestinais decorrentes de subprodutos de determinadas rotas de síntese”

Rosana Mastellaro

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O programa educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil oferece atividades gratuitas ao longo do ano. Os interessados podem acompanhar a agenda de eventos e participar das próximas discussões promovidas pela instituição.

Além disso, todas as edições dos webinars e eventos já realizados estão disponíveis para acesso no Canal ACFB da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil no YouTube, permitindo rever conteúdos e acompar os debates promovidos pela Academia.

As atividades educacionais da ACFB são viabilizadas graças ao apoio institucional de seus mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

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18 jun 2026

Biodiversidade e Nanotecnologia: Webinar apresenta Própolis Vermelha Amazônica como Inovação contra a resistência bacteriana

No dia 15 de junho de 2026, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) realizou um webinar do eixo temático Biodiversidade, Plantas Medicinais e Inovação,  tendo como tema o trabalho agraciado com a Menção Honrosa – Categoria Revelação no III Prêmio Pio Corrêa de Inovação em Ciências Farmacêuticas com a Biodiversidade Brasileira – Biossíntese de Nanopartículas de Prata com Própolis Vermelha Amazônica: Caracterização e Atividade Antibacteriana.

A abertura e moderação foram conduzidas pelo Acad. André Faraco, Acadêmico Titular da Cadeira nº 108 e Professor Titular de Tecnologia Farmacêutica na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O palestrante Dr. Roberto Pereira Santos, doutorando em Biotecnologia pela Universidade de São Paulo (USP), integra o grupo de pesquisa GenTeCel (Laboratório de Genética e Terapia Celular – USP/UNESP) e o grupo LQPN (Laboratório de Química de Produtos Naturais – UFMA), apresentou a pesquisa “Biossíntese de Nanopartículas de Prata com Própolis Vermelha Amazônica: Caracterização e Atividade Antibacteriana”, que une estudos sobre a riqueza da biodiversidade brasileira à fronteira da nanotecnologia farmacêutica para responder a um dos maiores desafios da saúde pública global: a resistência microbiana.

O Desafio da Resistência e o Potencial da Própolis Amazônica

Abrindo a apresentação, Roberto contextualizou a gravidade do cenário global de resistência antibacteriana, citando estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) que apontam para cerca de 10 milhões de mortes anuais até 2050 devido à escassez de tratamentos eficazes contra superbactérias. Como resposta, a bioprospecção de produtos naturais volta a ser protagonista no desenho de novos fármacos.

A própolis, material resinoso produzido por abelhas a partir de exsudatos vegetais e enzimas salivares, é amplamente reconhecida por suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas. No Brasil, país de dimensões continentais e múltiplos biomas, mapeiam-se 13 tipos diferentes de própolis. A própolis vermelha, tradicionalmente encontrada em regiões litorâneas, tem alto valor agregado e possui como marcador químico clássico a isoflavona formononetina.

O diferencial da pesquisa apresentada reside na descoberta e caracterização, pelo Laboratório de Química de Produtos Naturais da Universidade Federal do Maranhão (LQPN-UFMA), de uma nova variedade de própolis vermelha no bioma amazônico, coletada no extremo norte do estado do Tocantins, no município de Esperantina (região do Bico do Papagaio).

O pesquisador ressaltou que o trabalho está devidamente registrado no SisGen (Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado), um passo indispensável para garantir a legalidade da pesquisa com a biodiversidade nacional e combater a biopirataria (ou biogrilagem).

Metodologia e Descoberta de um Novo Marcador Químico

O processo teve início com a obtenção do extrato bruto utilizando etanol a 70% – proporção ideal para garantir a solubilidade dos bioativos de matriz hidrofóbica como a própolis. Em seguida, realizou-se o fracionamento químico por polaridade crescente (fases hexânica, clorofórmica e acetato de etila). A fração clorofórmica demonstrou maior afinidade com os compostos polifenólicos, registrando um incremento de 53% a 57% no teor de fenólicos totais em relação ao extrato bruto. Devido ao baixíssimo rendimento e teor desprezível de bioativos na fração hexânica (menos de 5%), esta foi descartada dos ensaios subsequentes.

A análise por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC), em fase reversa, trouxe uma revelação científica importante:

  • Ausência de Biochanina A: Substância comumente identificada em outras própolis vermelhas brasileiras.
  • Presença Majoritária de Calicosina: A calicosina (um isoflavonóide com alta atividade anti-inflamatória e antioxidante) representou de 20% a 30% da área relativa do pico cromatográfico. Sua estrutura foi confirmada por Ressonância Magnética Nuclear (RMN), consolidando-a como o marcador químico exclusivo desta nova variedade amazônica.

 

Síntese Verde (Biossíntese) de Nanopartículas de Prata

Para contornar os gargalos da síntese física (alto consumo energético) e da síntese química tradicional (geração de resíduos tóxicos), o estudo utilizou a síntese verde. O extrato e as frações da própolis atuaram simultaneamente como agentes redutores (convertendo íons $Ag^+$ em prata metálica $Ag^0$) e agentes de capeamento (capping), promovendo o encapsulamento natural das nanopartículas.

A formação das nanoestruturas foi confirmada inicialmente pela mudança macroscópica de coloração (do vermelho característico para marrom escuro) e pela espectroscopia UV-Vis, que exibiu a banda de ressonância plasmônica de superfície (SPR) entre 417 nm e 419 nm, típica de nanopartículas esféricas de prata.

A análise por Espectroscopia no Infravermelho com Transformada de Fourier (FTIR) ratificou a presença de ligações duplas carbono-carbono ($C=C$) de anéis aromáticos e grupos carboxílicos aderidos à superfície das nanopartículas, comprovando que os polifenóis da própolis realizaram com sucesso o capeamento químico, o que otimiza a estabilidade e a biocompatibilidade do sistema coloidal.

Dimensões e Estabilidade Coloidal

  • DLS (Dispersão de Luz Dinâmica): Apontou um diâmetro hidrodinâmico médio de 252 nm. Por mensurar a partícula em meio aquoso circundada pelas macromoléculas do extrato, o valor é superior ao tamanho real do núcleo metálico.
  • MET (Microscopia Eletrônica de Transmissão): Realizada com a amostra liofilizada (seca), revelou a verdadeira morfologia do biomaterial: nanopartículas predominantemente esféricas e ultrapequenas. O diâmetro médio foi de ~8 nm para as sintetizadas com o extrato bruto, ~9 nm com a fração clorofórmica e ~12,5 nm com a fração acetato de etila.
  • Potencial Zeta e PDI: O Potencial Zeta apresentou valores abaixo de -30 mV, indicando forte repulsão eletrostática entre as partículas, impedindo processos de aglomeração ou precipitação. O Índice de Polidispersão (PDI) em torno de 0,3 chancelou o perfil monodisperso e homogêneo da suspensão.
  • Cristalinidade: Os padrões obtidos por Difração de Raio-X (DRX) e Difração de Elétrons de Área Selecionada (SAED) confirmaram a estrutura cristalina cúbica de face centrada característica da prata pura.

Atividade Antibacteriana Potencializada e Citotoxicidade Seletiva

Os testes biológicos avaliaram a Concentração Inibitória Mínima (CIM) e a Concentração Bactericida Mínima (CBM) contra cepas de relevância clínica: Staphylococcus aureus (Gram-positiva) e Escherichia coli (Gram-negativa).

Os resultados mostraram que a incorporação na plataforma nanotecnológica aumentou drasticamente a potência antimicrobiana quando comparada ao extrato e às frações isoladas. Curiosamente, as nanopartículas foram ainda mais eficazes contra a E. coli do que contra o S. aureus (que demandou o dobro da concentração para obter o mesmo efeito bactericida).

A hipótese mecânica sugere que o envoltório de biomoléculas (capping) da própolis interage com maior facilidade com a bicamada fosfolipídica da E. coli, facilitando a internalização da nanopartícula e permitindo que ela atue em múltiplos sítios intracelulares, inclusive induzindo a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs). No caso do S. aureus, a espessa parede de peptideoglicano impõe uma barreira física maior, resultando em uma interação moderada.

Avaliação de Segurança (ISO 10993)

Nos ensaios de citotoxicidade in vitro (MTS) com macrófagos murinos, as nanopartículas obtidas a partir do extrato bruto e da fração clorofórmica demonstraram excelente perfil de segurança nas concentrações bactericidas eficientes (25 e 12,5 µg/mL), situando-se com folga dentro dos limites normativos da ISO 10993 (viabilidade celular mantida acima de 70%). Nestas doses, o material inclusive estimulou a proliferação celular, um indicador promissor para processos de reparo tecidual. Por outro lado, as nanopartículas geradas com a fração acetato de etila demonstraram toxicidade na faixa de 50 µg/mL.

A equivalência de resultados e a maior segurança do extrato bruto em relação às frações purificadas justificam a utilização direta do extrato bruto na síntese verde, eliminando etapas onerosas de fracionamento industrial e tornando o processo economicamente mais sustentável.

 

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16 jun 2026

Abertura da Exposição Comemorativa “100 Anos da Farmacopeia Brasileira” na Sede da Anvisa

Brasília, 16 de junho de 2026 – Foi inaugurada oficialmente hoje, às 16h, na sede da Anvisa, em Brasília, a exposição comemorativa “100 Anos da Farmacopeia Brasileira” organizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB).

O evento marca o início das celebrações do centenário do código oficial do país, um dos pilares mais importantes para a regulação, segurança e controle de qualidade de medicamentos e insumos no Brasil.

A solenidade de abertura foi conduzida por Thais Correa Rocha, Coordenadora da Coordenação de Farmacopeia (coordenação Cofar/Anvisa) e Coordenadora da Farmacopeia Brasileira, e por  Acad. Walker M. Lahmann, Vice-Presidente da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil — que na ocasião representou o Presidente da instituição, o Acadêmico Dante Alario Junior. O momento solene contou ainda com o pronunciamento do Dr. Daniel Meirelles Pereira, Diretor da Anvisa, que proferiu as saudações oficiais de boas-vindas aos delegados e representantes das farmacopeias internacionais presentes na cerimônia.

Thais Correa Rocha, Coordenadora da Coordenação de Farmacopeia

Walker M. Lahmann, Vice-Presidente da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil.

Daniel Meirelles Pereira, Diretor da Anvisa

 

O evento de inauguração contou com a ilustre participação dos curadores da exposição, os Acadêmicos Prof. Dr. Lauro D. Moretto e Prof. Dr. Acacio Alves de Souza Lima Filho — ambos Presidentes Eméritos da ACFB —, além do Acadêmico Carlos Cezar Flores Vidotti.

A abertura ganhou ainda mais brilho com a participação dos integrantes do 16º Encontro Mundial das Farmacopeias. O evento internacional reuniu em Brasília representantes das Farmacopeias Americana, Britânica, Europeia, Indiana, Japonesa, Mexicana e Sul-Coreana, além de comissões da Rússia, Vietnã e Uzbequistão, e da Organização Mundial da Saúde (OMS), responsável pela Farmacopeia Internacional.

 

Serviço: Visite a Exposição

  • Período: De 17 de junho a 9 de julho de 2026
  • Horário de visitação: De segunda a sexta-feira, das 10h às 16h
  • Local: Saguão de acesso ao edifício principal da sede da Anvisa
  • Endereço: SIA Trecho 5, Área Especial 57, Lote 200, Bloco D – Zona Industrial (Guará) – Brasília/DF
  • Entrada: Gratuita e aberta ao público

 Organização: Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Apoio Institucional: ACESSA, ALANAC, INTERFARMA, Grupo FarmaBrasil, LUFT Logistics, PróGenéricos e SINDUSFARMA.

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13 jun 2026

A Inteligência Artificial na Formação Farmacêutica: da Academia à Prática Clínica.

No dia 8 de junho de 2026, das 18h00 às 19h30 (horário de Brasília), a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) realizou um webinar do seu eixo temático Educação em Ciências Farmacêuticas, que abordou um dos temas mais atuais e transformadores do setor: “A Inteligência Artificial na Formação Farmacêutica: da Academia à Prática Clínica”.

A abertura e a moderação do evento foram conduzidas pela Acad. Silvia Storpirtis, Acadêmica Titular da Cadeira nº 11 da ACFB e Presidente do Conselho Curador da Fundação Instituto de Pesquisas Farmacêuticas (Fipfarma) que, ao dar as boas-vindas aos participantes, ressaltou o papel do programa educacional da Academia em antecipar tendências e preparar a categoria para o futuro.

A palestra principal foi ministrada por Daniela Cristina Faccio, farmacêutica bioquímica, farmacologista clínica e especialista em Inteligência Artificial e Machine Learning. Com sólida trajetória em gestão de saúde, oncologia e telemonitoramento — e atuação marcante no Comitê de Tecnologia do CRF-SP (2024-2025) —, Daniela coordena atualmente projetos de IA aplicada à atenção primária no SUS pelo Instituto de Inteligência Artificial na Saúde, desenvolvendo softwares de suporte à decisão clínica.

A Tecnologia a Serviço do Cuidado: O Futuro já é presente

Em sua exposição, a palestrante Daniela Cristina Faccio enfatizou que a Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar parte indissociável do cotidiano profissional. Ela propôs uma reflexão essencial: mais do que dominar os aspectos puramente técnicos da computação, o farmacêutico precisa compreender como essas ferramentas se consolidaram e de que forma podem ser aliadas estratégicas no cuidado ao paciente.

Para contextualizar o cenário atual, dominado pelos Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs), a especialista apresentou uma linha do tempo detalhada, demonstrando a evolução da IA aplicada à saúde desde a década de 1950 até os dias atuais,

 

“De sistemas que apenas codificavam regras para tecnologias que aprendem, geram e agem: em todas essas etapas, a validação final de um profissional de saúde é e continuará sendo indispensável”, sublinhou Daniela.

Fundamentos Tecnológicos e a Importância da Qualidade dos Dados

Desmistificando o conceito de IA, a palestrante reforçou que não se trata de “mágica”, mas sim de estatística aplicada em larga escala e treinada por seres humanos. Ela detalhou o funcionamento do Processamento de Linguagem Natural (PLN), ferramenta que permite às máquinas ler, interpretar e produzir linguagem humana para a leitura de prontuários, traduções técnicas e extração de dados.

Neste ponto, Daniela fez um alerta crucial sobre a responsabilidade do profissional assistencial: a qualidade do dado inserido. Os modelos de IA aprendem com os dados que recebem; se houver omissão de informações básicas na rotina diária (como peso, altura ou sintomas), a resposta da tecnologia será comprometida. Como a IA imita o treinamento que recebeu, ela está sujeita a replicar vieses humanos caso a alimentação do sistema não seja criteriosa.

Encerrando a introdução aos conceitos conceituais, foram abordadas as famosas LLMs (Large Language Models), definindo-as como modelos treinados em volumes massivos de texto, perfeitamente capazes de compreender contextos complexos e gerar respostas fluidas em linguagem natural para otimizar a rotina farmacêutica.

Da Teoria à Prática: A Inteligência Agêntica e o Ecossistema de Saúde 3.0

Com a evolução tecnológica, o setor farmacêutico agora se depara com a transição dos modelos generativos comuns para a chamada IA Agêntica. Conforme detalhou a palestrante, enquanto as ferramentas anteriores focavam em responder e gerar textos, os novos “superagentes” de IA são capazes de planejar etapas, executar tarefas complexas e tomar decisões condicionais baseadas em protocolos de saúde.

No entanto, a especialista enfatizou o papel central do ser humano nessa engrenagem:

“O agente de IA planeja e executa, mas quem avalia o resultado e ajusta o curso é sempre o profissional. Na nossa área, o farmacêutico é o único e soberano responsável pela tomada de decisão clínica e pela validação de qualquer informação que venha de um modelo de linguagem”, pontuou.

Para ilustrar o tamanho desse mercado, Daniela apresentou o mapa de clusters estratégicos da Saúde 3.0, demonstrando que a IA vai muito além de buscas simples. Trata-se de um ecossistema robusto subdividido em categorias como suporte à decisão, gestão hospitalar, cirurgia robótica, diagnósticos de precisão e a descoberta de novas drogas (drug discovery). No cenário farmacêutico, essa realidade já redesenha rotinas na pesquisa, na indústria, na gestão de saúde, na farmácia hospitalar e na prática clínica.

Benefícios, Alucinações e os Cuidados na Formação Acadêmica

No âmbito da formação acadêmica e da docência, a IA surge como um motor de equidade e democratização do conhecimento. Ela personaliza o aprendizado, otimiza revisões textuais, cria esquemas de estudo e auxilia no mapeamento de evidências científicas. Todavia, a palestrante fez um alerta rigoroso aos estudantes e profissionais sobre os riscos e limitações dessas ferramentas:

  • Alucinações: Modelos de linguagem podem gerar respostas textuais impecáveis, corteses e extremamente técnicas, porém completamente incorretas ou inventadas. Daniela relatou testes próprios em que a IA citou fontes e referências científicas inexistentes.
  • Vieses Culturais e Regionais: Softwares treinados em bases de dados internacionais (como nos EUA ou Europa) ou mesmo centralizados em uma única região do Brasil podem falhar ao serem aplicados em realidades epidemiológicas e culturais distintas, como a do Norte ou do Nordeste do país.
  • Privacidade e LGPD: É uma infração grave de segurança expor dados sensíveis em plataformas abertas. “Um farmacêutico jamais deve fazer o upload da foto de um prontuário ou colar dados clínicos em uma IA generativa pública para análise. Isso expõe a condição de saúde, nome e documentos do paciente”, advertiu.

A recomendação central da palestrante para mitigar esses riscos é o desenvolvimento urgente do pensamento crítico: nunca tomar respostas tecnológicas como verdades absolutas e sempre checar e validar as fontes originais de informação.

O Impacto Multidisciplinar e as Competências do Farmacêutico Moderno

A aplicação da IA na rotina farmacêutica amplia significativamente a segurança do paciente em diversas frentes:

  • Farmácia Clínica: Automatização da reconciliação medicamentosa, cruzando listas prévias e atuais para identificar interações e duplicidades de forma instantânea.
  • Oncologia: Modelos preditivos que cruzam dados laboratoriais para detectar precocemente o risco de eventos adversos severos no período de Nadir (momento de maior depressão hematológica), permitindo o manejo preventivo e o telemonitoramento do paciente.
  • Indústria e Pesquisa: Otimização da farmacovigilância, controle de qualidade automatizado e triagem ágil em ensaios clínicos.

Diante desse panorama, Daniela Cristina Faccio desmistificou o receio de desemprego na área:

“O farmacêutico não será substituído pela Inteligência Artificial. Ele será substituído pelo colega farmacêutico que sabe usar a IA a seu favor. A tecnologia absorve o trabalho operacional para nos devolver o tempo necessário para fazer o que nenhuma máquina jamais fará: cuidar do ser humano com empatia e acolhimento.”

A Trajetória da NoHarm

A palestrante apresentou o caso da NoHarm, uma das principais healthtechs de inteligência artificial do Brasil voltada à segurança do paciente. A plataforma nasceu diretamente de um doutorado focado em resolver uma dor real e diária da assistência: a sobrecarga da farmacêutica clínica Ana Helena, que, diante de um volume massivo de leitos hospitalares, não conseguia analisar todas as prescrições com o detalhamento ideal. Unindo sua expertise clínica ao conhecimento em ciência de dados de seu irmão, Henrique, a pesquisa validou algoritmos específicos para triar e priorizar as prescrições de maior risco. O projeto passou por provas de conceito, validação clínica rigorosa com farmacêuticos em hospitais de grande porte e hoje opera em escala nacional.

O sucesso da plataforma NoHarm — hoje responsável por impactar diretamente mais de 3 milhões de vidas e evitar danos clínicos severos — transcendeu as paredes dos hospitais e passou a atuar na Atenção Primária à Saúde (APS) em municípios remotos do Norte e Nordeste do Brasil. Entre março e dezembro de 2025, o projeto piloto monitorou 37 mil vidas em 20 municípios, mitigando gargalos históricos na saúde pública.

Ao concluir o webinar, a palestrante enfatizou que a habilidade mais valiosa na era da IA passou a ser a capacidade de fazer boas perguntas (construção de prompts claros), o que exige sólida base teórica e discernimento clínico.

“Enquanto a inteligência artificial cuida do que pode ser previsto, analisado, escalado e executado, cabe a nós preservar o que nunca será automatizado: o cuidado que acontece no olhar, na escuta e na presença diante dos pacientes. A combinação entre tecnologia e cuidado humano é o que gera o melhor desfecho para quem realmente importa: o paciente.”

Participe das próximas atividades

O programa educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil oferece atividades gratuitas ao longo do ano. Os interessados podem acompanhar a agenda de eventos e participar das próximas discussões promovidas pela instituição.

Além disso, todas as edições dos webinars e eventos já realizados estão disponíveis para acesso no Canal ACFB da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil no YouTube, permitindo rever conteúdos e acompar os debates promovidos pela Academia.

As atividades educacionais da ACFB são viabilizadas graças ao apoio institucional de seus mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.…

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29 maio 2026

Acadêmico Titular Dr. Tarcísio José Palhano recebe o título de Doutor Honoris Causa pela UNIVASF

Nosso estimado Acadêmico Titular, Dr. Tarcísio José Palhano, foi outorgado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF).

A solenidade, que concedeu a mais alta honraria da instituição de ensino, foi realizada no Auditório da Biblioteca do Campus Sede, em Petrolina (PE), reunindo a comunidade acadêmica, autoridades do setor farmacêutico, familiares e amigos.

 

O Pioneirismo e o Legado na Farmácia Clínica

O reconhecimento da UNIVASF coroa quase cinco décadas de dedicação ininterrupta do Dr. Palhano à ciência farmacêutica e à saúde pública no Brasil.

Pioneiro absoluto, o Acadêmico foi o responsável por implantar, em 1979, no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o primeiro serviço de Farmácia Clínica e o primeiro Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) do país — iniciativas que revolucionaram e consolidaram a assistência farmacêutica em âmbito nacional.

“Celebramos o professor Tarcísio José Palhano, um homem que ajudou a transformar a Farmácia brasileira em uma profissão mais clínica, mais humana, mais acessível e mais comprometida com a dignidade das pessoas”, destacou a professora Deuzilane Muniz Nunes, uma das proponentes da honraria no Conselho Universitário da UNIVASF.

Farmácia Inclusiva: O Impacto Nacional do Programa FarmaLibras

Além de sua sólida trajetória na Farmácia Clínica, o Dr. Tarcísio Palhano tem sido um dos grandes pilares da Farmácia Inclusiva. A parceria com a UNIVASF começou em 2018, quando o Acadêmico conheceu o projeto do então estudante Ricardo Vinicius Simões Vieira sobre a inclusão de pessoas surdas no atendimento farmacêutico.

Enxergando o potencial transformador da proposta, Palhano articulou o apoio junto ao Conselho Federal de Farmácia (CFF), dando origem ao Programa FarmaLibras. Coordenada por ele e pela professora Deuzilane, a iniciativa de alcance nacional engloba hoje:

  • O curso FarmaLibras para profissionais e estudantes;
  • O Vocabulário Terminográfico Farmacêutico Bilíngue (Português-Libras);
  • Uma plataforma digital voltada à orientação inclusiva e ao atendimento de pacientes surdos.

Uma Vida Dedicada ao Cuidado Centrado no Paciente

Natural de São José de Mipibu (RN), graduado pela UFRN e especialista em Farmácia Clínica pela Universidad de Chile, Dr. Palhano acumula também os cargos de presidente eleito da Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica (SBFC) e assessor da Presidência do CFF. Em seu discurso de agradecimento, o homenageado reforçou os valores que guiaram sua carreira:

“Receber o título de Doutor Honoris Causa desta prestigiosa universidade representa uma das maiores honrarias da minha trajetória. Nasceu em mim uma convicção profunda: a de que o farmacêutico precisa estar mais próximo do paciente, mais integrado às equipes de saúde e mais comprometido com o uso seguro e racional dos medicamentos.”

O encerramento do evento foi marcado pelas palavras do reitor da UNIVASF, Telio Nobre Leite, que celebrou o privilégio da instituição em ter o Dr. Palhano como parceiro e mentor de seus estudantes, inspirando gerações através do rigor técnico e da humanização da saúde.

A Diretoria e os Membros da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil reiteram seus aplausos ao Dr. Tarcísio José Palhano por este magnífico e merecido reconhecimento, que engrandece não apenas sua biografia, mas toda a farmácia brasileira.

Nota: A sessão solene foi transmitida pela RTV Caatinga e o registro completo está disponível no canal da WebTV UNIVASF no YouTube

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15 maio 2026

A Acadêmica Honorária, a Profa. Dra. Vanderlan da Silva Bolzani, figura na edição de 2026 do ranking “Best Chemistry Scientists”, da Research.com

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil parabeniza sua Acadêmica Honorária, a Profa. Dra. Vanderlan da Silva Bolzani, pelo reconhecimento internacional alcançado na edição de 2026 do ranking da plataforma Research.com, especializada em avaliação científica e acadêmica.

A pesquisadora figura entre os cientistas de maior destaque na área de Química no levantamento “Best Chemistry Scientists”, elaborado anualmente pela Research.com com base em indicadores bibliométricos, impacto científico das publicações, número de citações e desempenho acadêmico internacional dos pesquisadores.

O reconhecimento também contempla outros docentes do Instituto de Química (IQ) da Unesp, em Araraquara, que integram a listagem de 2026:

  • Prof. Dr. Sidney José Lima Ribeiro;
  • Profa. Dra. Maria Valnice Boldrin Zanoni;
  • Profa. Dra. Vanderlan da Silva Bolzani;
  • Prof. Dr. Celso Valentim Santilli;
  • Profa. Dra. Maria Del Pilar Taboada Sotomayor.

Além do reconhecimento individual dos docentes, o resultado reforça a relevância da produção científica desenvolvida pelo Instituto de Química da Unesp, uma das principais referências nacionais em pesquisa, inovação e formação de recursos humanos na área de Química.

Segundo a plataforma Research.com, a Universidade Estadual Paulista aparece entre as principais instituições brasileiras na área de Química, reunindo oito pesquisadores listados no ranking internacional. Desses, cinco são docentes vinculados ao Instituto de Química de Araraquara, evidenciando a expressiva contribuição do IQ para o desempenho científico da Universidade.

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil cumprimenta todos os pesquisadores pela importante conquista.

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11 maio 2026

A integração entre biodiversidade brasileira e inovação farmacêutica foi o eixo central da palestra “Uso do Extrato Seco de Lippia alba, Formulações Fitoterápicas e Processo”

O webinar “Uso do Extrato Seco de Lippia alba, Formulações Fitoterápicas e Processo” realizado em 11 de maio de 2026 pelo eixo temático Biodiversidade, Plantas Medicinais e Inovação do Programa Educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil.

A atividade foi aberta pela Acadêmica Rachel Castilho, coordenadora do eixo temático, e moderada por Layla Meireles Camargos, farmacêutica, Mestra em Ciências Farmacêuticas e especialista em Farmácia Clínica e Oncológica.

A palestra foi ministrada pela pesquisadora Paula Mendonça Leite, farmacêutica com formação em mestrado, doutorado e pós-doutorado em Ciências Farmacêuticas pela UFMG, além de atuação consolidada em produtos naturais, fitoterapia, inovação farmacêutica e desenvolvimento tecnológico de fitoterápicos.

O trabalho apresentado recebeu Menção Honrosa no III Prêmio Pio Corrêa – Categoria Acadêmico e sintetiza mais de uma década de investigação científica voltada ao potencial farmacológico de Lippia alba, espécie amplamente utilizada na medicina tradicional brasileira.

Durante a exposição, a palestrante apresentou a trajetória científica do projeto desde sua origem, associada a observações clínicas realizadas no ambulatório de anticoagulação da Universidade Federal de Minas Gerais. Pacientes em uso de varfarina relataram consumo concomitante de plantas medicinais, especialmente na forma de infusões, sem monitoramento especializado acerca de possíveis interações farmacodinâmicas e farmacocinéticas.

A partir dessa demanda clínica, o grupo estruturou uma linha de pesquisa translacional voltada à investigação dos efeitos de espécies vegetais sobre a hemostasia. Estudos epidemiológicos subsequentes demonstraram elevada prevalência do uso de plantas medicinais entre pacientes anticoagulados, alcançando aproximadamente 70% da população analisada, evidenciando a relevância sanitária do tema e a necessidade de validação científica dessas práticas populares.

No contexto dos estudos de triagem farmacológica, 18 espécies vegetais brasileiras foram avaliadas quanto à atividade anticoagulante e antiplaquetária in vitro. Entre elas, Lippia alba destacou-se por apresentar atividade biológica expressiva sobre diferentes etapas da cascata de coagulação, além de efeitos relevantes em modelos de agregação plaquetária e geração de trombina.

Segundo a pesquisadora, a complexidade farmacológica observada revelou um aspecto central do fitocomplexo vegetal: a atuação multitarget. Diferentemente dos anticoagulantes sintéticos seletivos, o extrato de Lippia alba demonstrou modular simultaneamente múltiplas vias bioquímicas relacionadas à inflamação, estresse oxidativo, ativação plaquetária e coagulação sanguínea.

Esse achado levou à reformulação estratégica da proposta terapêutica inicial. Em vez do desenvolvimento de um anticoagulante clássico, o grupo passou a investigar o potencial da espécie como agente adjuvante na prevenção e no manejo da síndrome metabólica e das doenças cardiovasculares, condições multifatoriais nas quais abordagens farmacológicas pleiotrópicas podem representar vantagem terapêutica.

A caracterização fitoquímica revelou predominância de compostos fenólicos bioativos, incluindo flavonoides, fenilpropanoides e iridoides, com destaque para verbascosídeos e derivados relacionados ao quimiotipo citral. Os estudos cromatográficos por LC-MS e HPLC permitiram correlacionar variabilidade química, sazonalidade, ploidia e origem botânica com diferenças significativas na atividade farmacológica dos extratos.

A palestra também enfatizou os desafios inerentes à padronização de fitoterápicos derivados de espécies com elevada variabilidade metabólica. Estudos envolvendo acessos diploides, triploides e tetraploides demonstraram impacto direto da constituição genética vegetal sobre o perfil metabolômico e, consequentemente, sobre a atividade biológica do extrato.

No âmbito tecnológico, foi descrito o desenvolvimento de um fitoterápico padronizado obtido a partir do extrato aquoso seco de Lippia alba, produzido conforme diretrizes do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. O processo incluiu padronização granulométrica da droga vegetal, obtenção do extrato por infusão, secagem por spray dryer, encapsulamento e validação analítica de metodologia para determinação de fenólicos totais, adaptada para aplicação em Farmácias Vivas e contextos de produção pública.

A etapa clínica representou um marco importante do projeto. Em ensaio clínico fase I, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, 40 voluntários saudáveis receberam cápsulas contendo o extrato seco padronizado durante quatro semanas. Foram avaliados parâmetros bioquímicos, hematológicos, antropométricos, cardiovasculares e comportamentais.

Os resultados evidenciaram redução significativa de colesterol não-HDL e massa gorda corporal, além de alterações compatíveis com melhora de parâmetros metabólicos e cardiovasculares. Conforme destacado pela palestrante, a relevância desses achados torna-se ainda maior considerando que os participantes eram indivíduos saudáveis, situação em que alterações fisiológicas expressivas tendem a ser menos pronunciadas.

O projeto resultou em pedido de patente referente ao extrato seco, formulações fitoterápicas e processo de obtenção, consolidando o avanço do desenvolvimento tecnológico em níveis mais elevados de maturidade científica e regulatória.

Atualmente, os esforços do grupo concentram-se na ampliação da escala produtiva, desenvolvimento de métodos analíticos por HPLC para controle de qualidade, estudos de estabilidade, ensaios toxicológicos e futura condução de estudos clínicos fase II voltados à validação terapêutica em pacientes com síndrome metabólica.

Ao final da atividade, Paula Mendonça Leite ressaltou o caráter interdisciplinar e colaborativo da pesquisa, construída ao longo de anos por meio da integração entre farmacognosia, fitoquímica, tecnologia farmacêutica, hematologia, farmacologia e inovação em produtos naturais.

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08 maio 2026

Especialistas discutem avanços científicos e regulatórios dos medicamentos veterinários genéricos em seminário promovido pela SBPPC

São Paulo, 8 de maio de 2026

O fortalecimento da regulamentação dos medicamentos veterinários genéricos no Brasil e os desafios científicos relacionados à bioequivalência e farmacocinética foram temas centrais do seminário promovido pela Sociedade Brasileira de Profissionais em Pesquisa Clínica (SBPPC), realizado em 8 de maio de 2026, na Câmara Municipal de São Paulo.

O encontro reuniu representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), pesquisadores, especialistas da indústria farmacêutica e membros da comunidade acadêmica para discutir os avanços regulatórios e técnicos que deverão orientar a consolidação do mercado de medicamentos veterinários genéricos no país.

A programação abordou temas estratégicos como farmacocinética aplicada, variabilidade inter e intraespécie, validação de metodologias in vivo e in vitro, além das perspectivas regulatórias relacionadas à Consulta Pública nº 1.590/2026, que trata da regulamentação de medicamentos veterinários genéricos e similares intercambiáveis.

Durante o evento, especialistas destacaram que o desenvolvimento desse segmento exige critérios rigorosos de qualidade, segurança e eficácia terapêutica, alinhados às exigências internacionais e às necessidades do setor produtivo veterinário brasileiro.

Destaque para acadêmicos da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil

Entre as apresentações de maior relevância científica estiveram as palestras dos acadêmicos ligados à Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, que contribuíram com discussões aprofundadas sobre bioequivalência e farmacocinética veterinária.

O acadêmico Dr. Leonardo de Souza Teixeira, CEO do ICF, apresentou os principais aspectos relacionados aos estudos de bioequivalência com foco em medicamentos veterinários. Em sua exposição, destacou a importância da padronização metodológica, da validação analítica e da robustez científica dos estudos destinados à comprovação da equivalência terapêutica entre medicamentos genéricos e produtos de referência.

O especialista ressaltou ainda os desafios inerentes aos estudos veterinários, especialmente em função das diferenças fisiológicas entre espécies animais, fator que impacta diretamente os parâmetros farmacocinéticos e a avaliação de biodisponibilidade.

Complementando essa abordagem, o Dr. Daniel Rossi de Campos apresentou palestra sobre farmacocinética aplicada aos estudos de bioequivalência em veterinária. A apresentação enfatizou a relevância da farmacocinética como ferramenta essencial para o desenvolvimento seguro e eficaz de medicamentos genéricos veterinários, abordando aspectos relacionados à absorção, distribuição, metabolismo e excreção de fármacos em diferentes espécies.

Segundo os participantes, as contribuições científicas apresentadas pelos acadêmicos reforçaram o papel estratégico da pesquisa farmacêutica na consolidação de um ambiente regulatório mais robusto e tecnicamente qualificado para o setor veterinário.…

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05 maio 2026

Perimenopausa: entre a clínica, o laboratório e a fitoterapia — uma abordagem integrada e baseada em evidências

No dia 4 de maio de 2026, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil promoveu, no âmbito do Eixo Temático de Análises Clínicas e Toxicológicas, o webinar “Período Perimenopausal: Necessidade de Reposição Hormonal? Avaliação multiprofissional e a importância do laboratório na dosagem hormonal”. Moderado pelo acadêmico Marcos Machado Ferreira, titular da Cadeira nº 104, com sólida trajetória nas áreas de análises clínicas e gestão em saúde, o encontro reuniu especialistas para discutir, sob diferentes perspectivas, os desafios e avanços no cuidado à mulher durante a transição menopausal.

Participaram como palestrantes a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck, integrante do Departamento Materno-Infantil do Hospital Israelita Albert Einstein, coordenadora da pós-graduação em Ginecologia e Obstetrícia da instituição e diretora clínica, com formação pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e a farmacêutica Nilsa Sumie Yamashita Wadt, doutora em Fármacos e Medicamentos pela Universidade de São Paulo (USP), professora e pesquisadora com ampla experiência em farmacognosia, fitoquímica, toxicologia de plantas medicinais e fitoterapia clínica, além de atuação destacada no ensino, na pesquisa e no Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.

Perimenopausa: uma transição subdiagnosticada

A ginecologista Ana Paula Beck destacou que a perimenopausa — atualmente compreendida como transição hormonal — corresponde ao período que antecede a menopausa em cerca de 5 a 7 anos, podendo se estender até um ano após a última menstruação. Trata-se de uma fase marcada por intensas oscilações hormonais, frequentemente acompanhadas por sintomas inespecíficos e, por isso, muitas vezes negligenciados.

Entre os primeiros sinais clínicos, destacam-se alterações no ciclo menstrual, inicialmente com encurtamento dos intervalos e, posteriormente, com alongamento progressivo até a cessação. Sintomas como insônia, irritabilidade, fadiga, alterações de humor, redução da libido e queixas cognitivas — como o chamado brain fog — compõem um quadro amplo e heterogêneo, com mais de uma centena de manifestações possíveis.

Um aspecto relevante enfatizado durante o debate foi o relato frequente das pacientes de “não se reconhecerem”, evidenciando o impacto biopsicossocial dessa fase. Tal diversidade sintomatológica contribui para o subdiagnóstico, especialmente nas fases iniciais, quando exames laboratoriais ainda podem não apresentar alterações significativas.

Terapia de Reposição Hormonal: indicações e individualização

A discussão sobre a terapia de reposição hormonal (TRH) reforçou a necessidade de uma abordagem individualizada. Segundo a especialista, a indicação é essencialmente clínica, baseada na intensidade dos sintomas e no impacto na qualidade de vida, desde que não haja contraindicações.

Foi ressaltado que, após revisões críticas de estudos do início dos anos 2000 — que associaram de forma generalizada a TRH ao aumento do risco de câncer — houve uma reavaliação das evidências, permitindo hoje uma utilização mais segura e ampliada da terapia em pacientes selecionadas.

Os objetivos da TRH incluem:

  • Curto prazo: alívio de sintomas vasomotores e melhora da qualidade de vida;
  • Longo prazo: preservação da massa óssea e muscular.

Por outro lado, a TRH não deve ser indicada com finalidades ainda não comprovadas, como prevenção de declínio cognitivo. A escolha da via de administração (transdérmica, oral, entre outras) e da posologia também deve ser personalizada, considerando as características clínicas de cada paciente.

Um ponto crítico abordado foi a disseminação de desinformação, especialmente em relação ao uso de testosterona, que não constitui terapia de rotina, sendo reservada a casos específicos.

Fitoterapia: potencial terapêutico e desafios de segurança

A contribuição da farmacêutica e pesquisadora Nilsa Sumie Yamashita Wadt trouxe uma abordagem integrativa, com destaque para o uso racional de fitoterápicos na perimenopausa.

As isoflavonas de soja (Glycine max) foram apresentadas como uma das principais alternativas, atuando como moduladores seletivos de receptores hormonais. Compostos como genisteína e daidzeína mimetizam parcialmente a ação estrogênica, contribuindo para a redução de sintomas como fogachos.

Entretanto, sua eficácia depende de fatores como a integridade da microbiota intestinal, responsável pela ativação dessas substâncias — o que justifica a recomendação do uso associado de probióticos.

Outras espécies, como Trifolium pratense (trevo vermelho), também foram discutidas como fontes de isoflavonas. Em contrapartida, o uso indiscriminado de plantas como Morus nigra (amora) foi criticamente avaliado, devido ao potencial de seus compostos com núcleo esteroidal serem metabolizados em hormônios ou até mesmo em cortisol, podendo gerar efeitos adversos como retenção hídrica e alterações pressóricas.

Um alerta importante foi direcionado à crença de que “produto natural não faz mal”. Questões como identificação botânica incorreta, contaminação por metais pesados e alta taxa de falsificação de drogas vegetais (estimada entre 60% e 70%) reforçam a necessidade de controle de qualidade rigoroso e uso de extratos padronizados.

O papel estratégico do laboratório clínico

O laboratório clínico assume papel fundamental tanto na investigação quanto no acompanhamento da perimenopausa. Conforme apresentado pelo moderador Marcos Machado Ferreira, a interpretação adequada dos marcadores hormonais exige compreensão da fisiologia do ciclo menstrual e do contexto clínico.

Durante a transição menopausal, os níveis hormonais — especialmente o FSH — podem apresentar grande variabilidade, dificultando a interpretação isolada dos exames. Por isso, informações como data da última menstruação, regularidade do ciclo e uso de medicamentos são essenciais para a acurácia diagnóstica.

Além dos hormônios sexuais, destacou-se a importância de avaliações complementares no período pós-menopausa, incluindo:

  • metabolismo ósseo (cálcio e vitamina D);
  • perfil metabólico e lipídico;
  • marcadores relacionados ao risco cardiovascular e resistência à insulina.

Esses parâmetros ampliam o cuidado para além da dimensão hormonal, contemplando a saúde global da mulher.

Integração multiprofissional: o caminho para o cuidado de excelência

O webinar evidenciou que o manejo da perimenopausa exige uma abordagem integrada. A associação entre avaliação clínica criteriosa, suporte laboratorial qualificado e uso racional de terapias — convencionais ou integrativas — permite maior segurança e efetividade no cuidado.

Mais do que uma fase de transição, a perimenopausa representa uma oportunidade para reavaliar a saúde da mulher de forma ampla, promovendo intervenções personalizadas e baseadas em evidências.

 

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