11 maio 2026

A integração entre biodiversidade brasileira e inovação farmacêutica foi o eixo central da palestra “Uso do Extrato Seco de Lippia alba, Formulações Fitoterápicas e Processo”

O webinar “Uso do Extrato Seco de Lippia alba, Formulações Fitoterápicas e Processo” realizado em 11 de maio de 2026 pelo eixo temático Biodiversidade, Plantas Medicinais e Inovação do Programa Educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil.

A atividade foi aberta pela Acadêmica Rachel Castilho, coordenadora do eixo temático, e moderada por Layla Meireles Camargos, farmacêutica, Mestra em Ciências Farmacêuticas e especialista em Farmácia Clínica e Oncológica.

A palestra foi ministrada pela pesquisadora Paula Mendonça Leite, farmacêutica com formação em mestrado, doutorado e pós-doutorado em Ciências Farmacêuticas pela UFMG, além de atuação consolidada em produtos naturais, fitoterapia, inovação farmacêutica e desenvolvimento tecnológico de fitoterápicos.

O trabalho apresentado recebeu Menção Honrosa no III Prêmio Pio Corrêa – Categoria Acadêmico e sintetiza mais de uma década de investigação científica voltada ao potencial farmacológico de Lippia alba, espécie amplamente utilizada na medicina tradicional brasileira.

Durante a exposição, a palestrante apresentou a trajetória científica do projeto desde sua origem, associada a observações clínicas realizadas no ambulatório de anticoagulação da Universidade Federal de Minas Gerais. Pacientes em uso de varfarina relataram consumo concomitante de plantas medicinais, especialmente na forma de infusões, sem monitoramento especializado acerca de possíveis interações farmacodinâmicas e farmacocinéticas.

A partir dessa demanda clínica, o grupo estruturou uma linha de pesquisa translacional voltada à investigação dos efeitos de espécies vegetais sobre a hemostasia. Estudos epidemiológicos subsequentes demonstraram elevada prevalência do uso de plantas medicinais entre pacientes anticoagulados, alcançando aproximadamente 70% da população analisada, evidenciando a relevância sanitária do tema e a necessidade de validação científica dessas práticas populares.

No contexto dos estudos de triagem farmacológica, 18 espécies vegetais brasileiras foram avaliadas quanto à atividade anticoagulante e antiplaquetária in vitro. Entre elas, Lippia alba destacou-se por apresentar atividade biológica expressiva sobre diferentes etapas da cascata de coagulação, além de efeitos relevantes em modelos de agregação plaquetária e geração de trombina.

Segundo a pesquisadora, a complexidade farmacológica observada revelou um aspecto central do fitocomplexo vegetal: a atuação multitarget. Diferentemente dos anticoagulantes sintéticos seletivos, o extrato de Lippia alba demonstrou modular simultaneamente múltiplas vias bioquímicas relacionadas à inflamação, estresse oxidativo, ativação plaquetária e coagulação sanguínea.

Esse achado levou à reformulação estratégica da proposta terapêutica inicial. Em vez do desenvolvimento de um anticoagulante clássico, o grupo passou a investigar o potencial da espécie como agente adjuvante na prevenção e no manejo da síndrome metabólica e das doenças cardiovasculares, condições multifatoriais nas quais abordagens farmacológicas pleiotrópicas podem representar vantagem terapêutica.

A caracterização fitoquímica revelou predominância de compostos fenólicos bioativos, incluindo flavonoides, fenilpropanoides e iridoides, com destaque para verbascosídeos e derivados relacionados ao quimiotipo citral. Os estudos cromatográficos por LC-MS e HPLC permitiram correlacionar variabilidade química, sazonalidade, ploidia e origem botânica com diferenças significativas na atividade farmacológica dos extratos.

A palestra também enfatizou os desafios inerentes à padronização de fitoterápicos derivados de espécies com elevada variabilidade metabólica. Estudos envolvendo acessos diploides, triploides e tetraploides demonstraram impacto direto da constituição genética vegetal sobre o perfil metabolômico e, consequentemente, sobre a atividade biológica do extrato.

No âmbito tecnológico, foi descrito o desenvolvimento de um fitoterápico padronizado obtido a partir do extrato aquoso seco de Lippia alba, produzido conforme diretrizes do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. O processo incluiu padronização granulométrica da droga vegetal, obtenção do extrato por infusão, secagem por spray dryer, encapsulamento e validação analítica de metodologia para determinação de fenólicos totais, adaptada para aplicação em Farmácias Vivas e contextos de produção pública.

A etapa clínica representou um marco importante do projeto. Em ensaio clínico fase I, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, 40 voluntários saudáveis receberam cápsulas contendo o extrato seco padronizado durante quatro semanas. Foram avaliados parâmetros bioquímicos, hematológicos, antropométricos, cardiovasculares e comportamentais.

Os resultados evidenciaram redução significativa de colesterol não-HDL e massa gorda corporal, além de alterações compatíveis com melhora de parâmetros metabólicos e cardiovasculares. Conforme destacado pela palestrante, a relevância desses achados torna-se ainda maior considerando que os participantes eram indivíduos saudáveis, situação em que alterações fisiológicas expressivas tendem a ser menos pronunciadas.

O projeto resultou em pedido de patente referente ao extrato seco, formulações fitoterápicas e processo de obtenção, consolidando o avanço do desenvolvimento tecnológico em níveis mais elevados de maturidade científica e regulatória.

Atualmente, os esforços do grupo concentram-se na ampliação da escala produtiva, desenvolvimento de métodos analíticos por HPLC para controle de qualidade, estudos de estabilidade, ensaios toxicológicos e futura condução de estudos clínicos fase II voltados à validação terapêutica em pacientes com síndrome metabólica.

Ao final da atividade, Paula Mendonça Leite ressaltou o caráter interdisciplinar e colaborativo da pesquisa, construída ao longo de anos por meio da integração entre farmacognosia, fitoquímica, tecnologia farmacêutica, hematologia, farmacologia e inovação em produtos naturais.

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O programa educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil oferece atividades gratuitas ao longo do ano. Os interessados podem acompanhar a agenda de eventos e participar das próximas discussões promovidas pela instituição.

Além disso, todas as edições dos webinars e eventos já realizados estão disponíveis para acesso no Canal ACFB da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil no YouTube, permitindo rever conteúdos e acompar os debates promovidos pela Academia.

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08 maio 2026

Especialistas discutem avanços científicos e regulatórios dos medicamentos veterinários genéricos em seminário promovido pela SBPPC

São Paulo, 8 de maio de 2026

O fortalecimento da regulamentação dos medicamentos veterinários genéricos no Brasil e os desafios científicos relacionados à bioequivalência e farmacocinética foram temas centrais do seminário promovido pela Sociedade Brasileira de Profissionais em Pesquisa Clínica (SBPPC), realizado em 8 de maio de 2026, na Câmara Municipal de São Paulo.

O encontro reuniu representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), pesquisadores, especialistas da indústria farmacêutica e membros da comunidade acadêmica para discutir os avanços regulatórios e técnicos que deverão orientar a consolidação do mercado de medicamentos veterinários genéricos no país.

A programação abordou temas estratégicos como farmacocinética aplicada, variabilidade inter e intraespécie, validação de metodologias in vivo e in vitro, além das perspectivas regulatórias relacionadas à Consulta Pública nº 1.590/2026, que trata da regulamentação de medicamentos veterinários genéricos e similares intercambiáveis.

Durante o evento, especialistas destacaram que o desenvolvimento desse segmento exige critérios rigorosos de qualidade, segurança e eficácia terapêutica, alinhados às exigências internacionais e às necessidades do setor produtivo veterinário brasileiro.

Destaque para acadêmicos da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil

Entre as apresentações de maior relevância científica estiveram as palestras dos acadêmicos ligados à Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, que contribuíram com discussões aprofundadas sobre bioequivalência e farmacocinética veterinária.

O acadêmico Dr. Leonardo de Souza Teixeira, CEO do ICF, apresentou os principais aspectos relacionados aos estudos de bioequivalência com foco em medicamentos veterinários. Em sua exposição, destacou a importância da padronização metodológica, da validação analítica e da robustez científica dos estudos destinados à comprovação da equivalência terapêutica entre medicamentos genéricos e produtos de referência.

O especialista ressaltou ainda os desafios inerentes aos estudos veterinários, especialmente em função das diferenças fisiológicas entre espécies animais, fator que impacta diretamente os parâmetros farmacocinéticos e a avaliação de biodisponibilidade.

Complementando essa abordagem, o Dr. Daniel Rossi de Campos apresentou palestra sobre farmacocinética aplicada aos estudos de bioequivalência em veterinária. A apresentação enfatizou a relevância da farmacocinética como ferramenta essencial para o desenvolvimento seguro e eficaz de medicamentos genéricos veterinários, abordando aspectos relacionados à absorção, distribuição, metabolismo e excreção de fármacos em diferentes espécies.

Segundo os participantes, as contribuições científicas apresentadas pelos acadêmicos reforçaram o papel estratégico da pesquisa farmacêutica na consolidação de um ambiente regulatório mais robusto e tecnicamente qualificado para o setor veterinário.…

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05 maio 2026

Perimenopausa: entre a clínica, o laboratório e a fitoterapia — uma abordagem integrada e baseada em evidências

No dia 4 de maio de 2026, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil promoveu, no âmbito do Eixo Temático de Análises Clínicas e Toxicológicas, o webinar “Período Perimenopausal: Necessidade de Reposição Hormonal? Avaliação multiprofissional e a importância do laboratório na dosagem hormonal”. Moderado pelo acadêmico Marcos Machado Ferreira, titular da Cadeira nº 104, com sólida trajetória nas áreas de análises clínicas e gestão em saúde, o encontro reuniu especialistas para discutir, sob diferentes perspectivas, os desafios e avanços no cuidado à mulher durante a transição menopausal.

Participaram como palestrantes a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck, integrante do Departamento Materno-Infantil do Hospital Israelita Albert Einstein, coordenadora da pós-graduação em Ginecologia e Obstetrícia da instituição e diretora clínica, com formação pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e a farmacêutica Nilsa Sumie Yamashita Wadt, doutora em Fármacos e Medicamentos pela Universidade de São Paulo (USP), professora e pesquisadora com ampla experiência em farmacognosia, fitoquímica, toxicologia de plantas medicinais e fitoterapia clínica, além de atuação destacada no ensino, na pesquisa e no Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.

Perimenopausa: uma transição subdiagnosticada

A ginecologista Ana Paula Beck destacou que a perimenopausa — atualmente compreendida como transição hormonal — corresponde ao período que antecede a menopausa em cerca de 5 a 7 anos, podendo se estender até um ano após a última menstruação. Trata-se de uma fase marcada por intensas oscilações hormonais, frequentemente acompanhadas por sintomas inespecíficos e, por isso, muitas vezes negligenciados.

Entre os primeiros sinais clínicos, destacam-se alterações no ciclo menstrual, inicialmente com encurtamento dos intervalos e, posteriormente, com alongamento progressivo até a cessação. Sintomas como insônia, irritabilidade, fadiga, alterações de humor, redução da libido e queixas cognitivas — como o chamado brain fog — compõem um quadro amplo e heterogêneo, com mais de uma centena de manifestações possíveis.

Um aspecto relevante enfatizado durante o debate foi o relato frequente das pacientes de “não se reconhecerem”, evidenciando o impacto biopsicossocial dessa fase. Tal diversidade sintomatológica contribui para o subdiagnóstico, especialmente nas fases iniciais, quando exames laboratoriais ainda podem não apresentar alterações significativas.

Terapia de Reposição Hormonal: indicações e individualização

A discussão sobre a terapia de reposição hormonal (TRH) reforçou a necessidade de uma abordagem individualizada. Segundo a especialista, a indicação é essencialmente clínica, baseada na intensidade dos sintomas e no impacto na qualidade de vida, desde que não haja contraindicações.

Foi ressaltado que, após revisões críticas de estudos do início dos anos 2000 — que associaram de forma generalizada a TRH ao aumento do risco de câncer — houve uma reavaliação das evidências, permitindo hoje uma utilização mais segura e ampliada da terapia em pacientes selecionadas.

Os objetivos da TRH incluem:

  • Curto prazo: alívio de sintomas vasomotores e melhora da qualidade de vida;
  • Longo prazo: preservação da massa óssea e muscular.

Por outro lado, a TRH não deve ser indicada com finalidades ainda não comprovadas, como prevenção de declínio cognitivo. A escolha da via de administração (transdérmica, oral, entre outras) e da posologia também deve ser personalizada, considerando as características clínicas de cada paciente.

Um ponto crítico abordado foi a disseminação de desinformação, especialmente em relação ao uso de testosterona, que não constitui terapia de rotina, sendo reservada a casos específicos.

Fitoterapia: potencial terapêutico e desafios de segurança

A contribuição da farmacêutica e pesquisadora Nilsa Sumie Yamashita Wadt trouxe uma abordagem integrativa, com destaque para o uso racional de fitoterápicos na perimenopausa.

As isoflavonas de soja (Glycine max) foram apresentadas como uma das principais alternativas, atuando como moduladores seletivos de receptores hormonais. Compostos como genisteína e daidzeína mimetizam parcialmente a ação estrogênica, contribuindo para a redução de sintomas como fogachos.

Entretanto, sua eficácia depende de fatores como a integridade da microbiota intestinal, responsável pela ativação dessas substâncias — o que justifica a recomendação do uso associado de probióticos.

Outras espécies, como Trifolium pratense (trevo vermelho), também foram discutidas como fontes de isoflavonas. Em contrapartida, o uso indiscriminado de plantas como Morus nigra (amora) foi criticamente avaliado, devido ao potencial de seus compostos com núcleo esteroidal serem metabolizados em hormônios ou até mesmo em cortisol, podendo gerar efeitos adversos como retenção hídrica e alterações pressóricas.

Um alerta importante foi direcionado à crença de que “produto natural não faz mal”. Questões como identificação botânica incorreta, contaminação por metais pesados e alta taxa de falsificação de drogas vegetais (estimada entre 60% e 70%) reforçam a necessidade de controle de qualidade rigoroso e uso de extratos padronizados.

O papel estratégico do laboratório clínico

O laboratório clínico assume papel fundamental tanto na investigação quanto no acompanhamento da perimenopausa. Conforme apresentado pelo moderador Marcos Machado Ferreira, a interpretação adequada dos marcadores hormonais exige compreensão da fisiologia do ciclo menstrual e do contexto clínico.

Durante a transição menopausal, os níveis hormonais — especialmente o FSH — podem apresentar grande variabilidade, dificultando a interpretação isolada dos exames. Por isso, informações como data da última menstruação, regularidade do ciclo e uso de medicamentos são essenciais para a acurácia diagnóstica.

Além dos hormônios sexuais, destacou-se a importância de avaliações complementares no período pós-menopausa, incluindo:

  • metabolismo ósseo (cálcio e vitamina D);
  • perfil metabólico e lipídico;
  • marcadores relacionados ao risco cardiovascular e resistência à insulina.

Esses parâmetros ampliam o cuidado para além da dimensão hormonal, contemplando a saúde global da mulher.

Integração multiprofissional: o caminho para o cuidado de excelência

O webinar evidenciou que o manejo da perimenopausa exige uma abordagem integrada. A associação entre avaliação clínica criteriosa, suporte laboratorial qualificado e uso racional de terapias — convencionais ou integrativas — permite maior segurança e efetividade no cuidado.

Mais do que uma fase de transição, a perimenopausa representa uma oportunidade para reavaliar a saúde da mulher de forma ampla, promovendo intervenções personalizadas e baseadas em evidências.

 

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05 maio 2026

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil celebra com grande satisfação mais uma conquista de destaque entre seus membros.

Parabenizamos o Acadêmico Titular da Cadeira nº 115, Ricardo Pinheiro de Souza Oliveira, por assumir o cargo de Professor Titular de caráter supradepartamental junto à Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP Universidade de São Paulo.
Este importante reconhecimento reforça sua trajetória de excelência, dedicação à ciência e contribuição significativa para o avanço das Ciências Farmacêuticas no país.
Receba nossos cumprimentos por essa merecida conquista.
comissão julgadora: Silvya Stuchi Maria-Engler, Ana Campa, Leticia Costa Veras Lotufo, Jorg Kobarg, Carmen Verissima Ferreira Halder.

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28 abr 2026

Avanços Científicos e Tecnológicos em Fotoproteção e Protetores Solares Multifuncionais

No dia 27 de abril de 2026, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) realizou o webinar do Eixo Temático de Tecnologia Farmacêutica e Cosmética de tema Fotoproteção e Protetores Solares Multifuncionais: Desenvolvimento e Avaliação da Eficácia, o encontro reuniu especialistas e estudantes para debater o futuro da fotoproteção.

A atividade foi moderada pela Acadêmica Eliana Martins Lima (titular da Cadeira nº 52 da ACFB e professora titular da Universidade Federal de Goiás), que conduziu o debate e destacou a importância da formação de novas gerações de pesquisadores na área. O palestrante convidado, Prof. Dr. André Rolim Baby (FCF-USP), apresentou uma visão abrangente que conectou o histórico da fotoproteção às tecnologias de ponta.

 

Evolução e Complexidade do Desenvolvimento

O Prof. André Rolim Baby situou a fotoproteção como uma ciência em constante evolução. O que começou no século XX com o foco restrito na prevenção de queimaduras solares (eritema) expandiu-se, ao longo das décadas, para o conceito de “amplo espectro” e, hoje, para a era dos fotoprotetores bioativos multifuncionais.

 

O pesquisador enfatizou que desenvolver um protetor solar é um desafio de “extrema complexidade”, exigindo que o formulador garanta não apenas a eficácia (FPS e proteção UVA), mas também:

  • Estabilidade físico-química e microbiológica;
  • Fotoestabilidade: garantir que o sistema não se degrade sob a radiação;
  • Segurança irrefutável: evitando a penetração cutânea indesejada de filtros, por exemplo;
  • Sensorial e Cosmética: fatores cruciais para a adesão do usuário ao produto.

 

A Era da Fotoproteção Bioativa e Multifuncional

O grande diferencial da palestra foi a discussão sobre a nova geração de produtos: os fotoprotetores bioativos. Segundo o Prof. André, a tendência é associar filtros (orgânicos e inorgânicos) a moléculas bioativas capazes de oferecer benefícios adicionais, como ação antioxidante e anti-inflamatória, protegendo ainda mais a pele.

 

 

Pesquisas e Resultados do Grupo

Foram apresentados estudos conduzidos pelo laboratório do palestrante utilizando diversas substâncias para potencializar a eficácia dos sistemas:

  • Rutin (0,1%): Demonstrou eficácia na doação de propriedades antioxidantes e aumento do FPS, mantendo a segurança no uso tópico.
  • Cafeína (2,5%): Além do aumento do FPS, atuou na redução do eritema (vermelhidão), sugerindo atividade anti-inflamatória e melhora na fotoestabilidade.
  • Resíduos Agroindustriais: O aproveitamento de subprodutos, como o bagaço de uva e o lúpulo (proveniente da indústria cervejeira), revelou resultados surpreendentes. Estes extratos não apenas aumentaram o FPS, mas também conferiram atividade antioxidante às formulações, alinhando a cosmética ao conceito de sustentabilidade e economia circular.

 

Inovação Metodológica e Inclusividade: O Protocolo “HPLC-TBARS-EVSC”

Foi abordada a lacuna existente em alguns estudos: os critérios de inclusão para testes de eficácia de FPS, que tradicionalmente priorizam peles de fototipos mais claros.

Para superar essa limitação, o grupo de pesquisa desenvolveu o protocolo HPLC-TBARS-EVSC (um ensaio ex vivo utilizando tape stripping). Este método:

  1. É Inclusivo: Permite avaliar o dano oxidativo (peroxidação lipídica) em peles de diferentes fototipos, inclusive peles negras, independentemente do fator eritema visível.
  2. Mede o Dano Real: Identificou que a pele negra sofre dano oxidativo significativo sob radiação UV, mesmo quando o eritema não é aparente, reforçando a necessidade urgente de desenvolver produtos específicos e mais diversos.
  3. Refina a Eficácia: Complementa os ensaios in vitro e in vivo, oferecendo uma visão biológica integrada do dano e da proteção.

 

Considerações Finais e o Futuro

O Prof. André concluiu reforçando que a fotoproteção moderna deve ser vista como uma plataforma tecnológica multifatorial. A segurança e a eficácia não são mais negociáveis e devem caminhar junto com a sustentabilidade e a democratização do acesso a produtos adequados para todos(as) os(as) brasileiros(as).

 

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27 abr 2026

I Semana da Propriedade Intelectual, com o tema “Da ideia ao impacto” da Universidade Federal de Santa Maria

A Universidade Federal de Santa Maria promove, entre os dias 27 e 30 de abril, a I Semana da Propriedade Intelectual, com o tema “Da ideia ao impacto”. A programação se estende por diferentes campi da instituição e reúne especialistas, pesquisadores e a comunidade acadêmica em torno de debates estratégicos sobre inovação, proteção do conhecimento e transferência de tecnologia.

Um dos destaques do evento é a participação de Henry Suzuki, Secretário-Geral da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil. Ele ministrará a palestra “Construção de patentes relevantes na era da IA”, abordando os desafios e oportunidades trazidos pela inteligência artificial no desenvolvimento de ativos de propriedade intelectual. A apresentação será realizada em diferentes campi ao longo da semana, ampliando o acesso ao conteúdo.

A abertura oficial ocorre na segunda-feira (27), no campus Santa Maria, com atividades no auditório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. A programação inclui ainda a apresentação do Programa de Propriedade Intelectual da UFSM, reconhecimento ao trabalho do comitê institucional da área e uma oficina voltada à prospecção tecnológica com uso da ferramenta Orbit.

Ao longo da semana, os campi de Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul recebem dinâmicas, palestras e discussões sobre empreendedorismo, inovação e gestão da propriedade intelectual. Entre os temas abordados estão estratégias de transferência de tecnologia, valoração de ativos e formalização de parcerias entre universidade e setor produtivo.

Paralelamente, de 27 a 29 de abril, será realizada a 1ª Mostra de Tecnologias Protegidas da UFSM, também no INPE, em Santa Maria. A iniciativa dá visibilidade a patentes, softwares, cultivares e desenhos industriais desenvolvidos na instituição, reforçando o papel da universidade como agente de inovação.

A I Semana da Propriedade Intelectual consolida-se como um espaço de integração entre pesquisa, mercado e sociedade, incentivando a transformação de ideias em soluções de impacto econômico e social.

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14 abr 2026

Inovação sustentável com bioativos da Caatinga é destaque em webinar da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil

No dia 13 de abril de 2026, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil realizou mais uma atividade do eixo temático Pesquisa Farmacêutica Toxicológica e Clínica de seu Programa Educacional, reunindo especialistas em torno de soluções inovadoras para desafios contemporâneos da saúde.

A sessão foi moderada por Hilton Oliveira dos Santos Filho, titular da Cadeira nº 44 da Academia e curador do Prêmio Pio Corrêa de Inovação em Ciências Farmacêuticas com a Biodiversidade Brasileira.

A palestra principal foi ministrada por Fabiana Olena Kotwiski, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Federal da Bahia, integrante do grupo BioTecNan, doutora em Biotecnologia e especialista em nanotecnologia aplicada a sistemas avançados de liberação de fármacos (drug delivery). A pesquisa recebeu Menção Honrosa na categoria Revelação do III Prêmio Pio Corrêa.

Trabalho Menção Honrosa do III Prêmio Pio Corrêa – Categoria Revelação
TítuloInovação Sustentável para desenvolvimento de fitoterápico tópico: uma formulação nanoestruturada com bioativos da Caatinga e atividade antimicrobiana.

 

 

Resistência microbiana impulsiona inovação farmacêutica

Durante a apresentação, a palestrante destacou o avanço preocupante da resistência microbiana, considerada uma das principais ameaças à saúde global. Infecções bacterianas e fúngicas, incluindo aquelas causadas por Candidíase associada à Candida albicans, têm apresentado aumento de incidência e complexidade terapêutica.

Além disso, doenças dermatológicas, embora geralmente não letais, impactam significativamente a qualidade de vida, exigindo tratamentos mais eficazes, acessíveis e com melhor adesão por parte dos pacientes.

 

Biodiversidade brasileira como fonte estratégica

A pesquisa evidencia o potencial da biodiversidade nacional, especialmente do bioma Caatinga, como fonte de compostos bioativos. A espécie do gênero Lippia, conhecida como alecrim-pimenta ou alecrim-boiadeiro, foi selecionada por seu óleo essencial rico em carvacrol — composto com reconhecidas propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e antioxidantes.

Segundo a pesquisadora, fitoterápicos apresentam uma vantagem estratégica: a atuação por múltiplos mecanismos, o que pode reduzir o desenvolvimento de resistência microbiana em comparação a fármacos sintéticos de alvo único.

 

 

Nanotecnologia potencializa eficácia terapêutica

Um dos principais diferenciais do estudo foi a aplicação da Nanotecnologia para superar limitações dos óleos essenciais, como volatilidade e baixa estabilidade.

A formulação desenvolvida consiste em uma nanoemulsão óleo-em-água, combinando o óleo essencial da Lippia com óleo vegetal de licuri, também originário da Caatinga. Essa abordagem proporcionou:

  • maior estabilidade físico-química;
  • aumento da biodisponibilidade;
  • melhora da permeação cutânea;
  • potencial redução da toxicidade e da dose necessária.

Os sistemas foram obtidos por métodos de baixa energia, com uso de tensoativos não iônicos, priorizando biocompatibilidade e segurança para aplicação tópica.

Espuma farmacêutica melhora adesão e desempenho

A nanoemulsão foi incorporada a uma formulação em espuma, sem uso de gás propelente, representando um avanço tecnológico relevante. Essa forma farmacêutica favorece a adesão ao tratamento por oferecer:

  • aplicação prática e confortável;
  • toque seco e não oleoso;
  • rápida absorção e espalhabilidade.

Além disso, a espuma promove supersaturação local do ativo após sua aplicação, aumentando a concentração do fármaco na pele e potencializando sua eficácia terapêutica.

Resultados experimentais e desafios

Os resultados demonstraram que a nanoestruturação elevou significativamente a atividade antimicrobiana e a permeação cutânea em comparação ao óleo essencial livre, além de apresentar tamanho de partículas adequado (<200 nm) e boa estabilidade sob condições controladas.

A palestrante também ressaltou a importância do equilíbrio na formulação, destacando que concentrações elevadas de tensoativos podem impactar negativamente a citotoxicidade, exigindo ajustes para garantir segurança e eficácia.

Impacto socioeconômico e perspectivas

O estudo reforça o papel da inovação baseada em recursos naturais como estratégia para o desenvolvimento sustentável. A utilização de espécies da Caatinga pode impulsionar cadeias produtivas locais, fortalecer a agricultura familiar e gerar novas oportunidades econômicas no semiárido brasileiro.

A pesquisa já apresenta desdobramentos práticos, com desenvolvimento de produto voltado ao mercado biomédico e veterinário, por meio de uma startup. O projeto avança com apoio de agências de fomento e perspectivas de realização de ensaios clínicos.

Integração entre ciência e biodiversidade

Resultado da colaboração entre grupos de pesquisa da UFBA, o trabalho integra conhecimentos em produtos naturais e nanotecnologia, evidenciando o potencial da ciência brasileira em gerar soluções inovadoras.

O webinar destacou, assim, a importância da articulação entre pesquisa científica, inovação tecnológica e valorização da biodiversidade nacional, apontando caminhos promissores para o futuro das ciências farmacêuticas no Brasil.

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07 abr 2026

Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil promove atividade sobre biodescoberta a partir de cianobactérias

No dia 6 de abril de 2026, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) realizou mais uma atividade de seu Programa Educacional, no âmbito do eixo temático “Insumos Farmacêuticos”. A sessão foi moderada pelo Acadêmico Titular Leoberto Tavares, docente da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), e contou com a palestra da professora Camila Manoel Crnkovic, também docente da mesma instituição.

Intitulada “Tecnologia e biodiversidade: cianobactérias como fonte de compostos bioativos”, a apresentação abordou, de forma integrada, conceitos de farmacognosia, biotecnologia e inovação em descoberta de fármacos, destacando o papel estratégico da biodiversidade brasileira na prospecção de novas moléculas bioativas.

Produtos naturais e inovação farmacêutica

A palestrante iniciou sua exposição contextualizando a relevância dos produtos naturais no desenvolvimento de medicamentos. Dados recentes indicam que aproximadamente 67% das pequenas moléculas aprovadas como fármacos entre 1981 e 2019 são direta ou indiretamente derivadas de produtos naturais, reforçando sua importância não apenas como entidades químicas finais, mas também como inspiração estrutural para o desenvolvimento de novos compostos.

Historicamente associada às plantas, a descoberta de moléculas bioativas expandiu-se significativamente com o advento da microbiologia, especialmente após a descoberta da penicilina. Nesse contexto, a exploração de microrganismos pouco estudados surge como uma estratégia promissora para ampliar o repertório químico disponível à terapêutica.

Cianobactérias: diversidade, adaptação e potencial bioativo

As cianobactérias, microrganismos procarióticos fotossintetizantes, foram destacadas como um grupo de elevado interesse. Consideradas uma das formas de vida mais antigas do planeta, desempenharam papel crucial na oxigenação da atmosfera terrestre e apresentam ampla capacidade adaptativa, sendo encontradas em ambientes extremos e diversos biomas, incluindo os brasileiros.

Embora frequentemente associadas a florações tóxicas, essas espécies produzem uma vasta gama de metabólitos secundários com funções ecológicas, como proteção contra radiação ultravioleta, defesa contra predadores e competição por recursos. Do ponto de vista farmacêutico, tais compostos demonstram potencial em diversas atividades biológicas, incluindo ações antiproliferativa, antibacteriana, antifúngica e antiviral.

Um exemplo emblemático apresentado foi o da dolastatina 10, um peptídeo inicialmente isolado de um molusco marinho, posteriormente identificado como produto de cianobactérias. A partir dessa molécula, foram desenvolvidos derivados que culminaram em um conjugado anticorpo-fármaco atualmente utilizado na prática clínica, evidenciando o potencial translacional desses metabólitos.

Do ambiente ao fármaco: estratégias de biodescoberta

A professora detalhou o fluxo de trabalho adotado em seu grupo de pesquisa, que envolve etapas desde a coleta de amostras ambientais, isolamento e cultivo de linhagens, até a extração, fracionamento guiado por bioatividade e elucidação estrutural dos compostos.

Um dos desafios centrais nesse processo é evitar a redescoberta de moléculas já conhecidas. Para isso, são empregadas estratégias de desreplicação, que utilizam técnicas espectrométricas e bases de dados para identificação rápida de compostos previamente descritos, permitindo priorizar amostras com maior potencial de ineditismo.

Integração de tecnologias: metabolômica e genômica

A apresentação destacou o uso integrado de ferramentas avançadas, como metabolômica baseada em espectrometria de massas (LC-MS), redes moleculares e plataformas bioinformáticas, que permitem a análise de grandes volumes de dados e a correlação entre estrutura química e atividade biológica.

Em um dos estudos apresentados, a análise de 19 linhagens de cianobactérias brasileiras resultou na identificação de quatro novos compostos, denominados esquizotrinas, com atividade antibiótica promissora, incluindo ação contra Bacillus anthracis. O trabalho envolveu colaboração internacional e utilização de biorreatores para produção em escala.

Outro projeto combinou redes moleculares com a ferramenta DAF Discovery, baseada em análise de covariância, permitindo associar sinais espectrais à bioatividade observada e identificar famílias de compostos com potencial inédito, incluindo policetídeos ainda em processo de caracterização.

Mineração genômica e o futuro da descoberta de fármacos

Avançando para a abordagem genômica, a palestrante apresentou estratégias de mineração de genomas para identificação de biosynthetic gene clusters (BGCs), responsáveis pela produção de metabólitos secundários.

Utilizando a ferramenta AntiSMASH e um algoritmo desenvolvido pelo próprio grupo, denominado BGCpri, foram analisados 106 genomas de cianobactérias brasileiras, resultando na identificação de 768 clusters biossintéticos. O sistema de pontuação desenvolvido permite priorizar clusters com maior potencial de gerar compostos inéditos, orientando de forma mais eficiente os esforços experimentais.

Os resultados indicaram que a biodiversidade brasileira apresenta potencial biossintético comparável ou superior a organismos já amplamente estudados, reforçando a relevância estratégica de investimentos em ciência e tecnologia no país.

Ciência, colaboração e formação

Além dos avanços científicos, a professora destacou o papel da formação de recursos humanos e da colaboração interdisciplinar, com participação de estudantes de iniciação científica, pós-graduação e parcerias nacionais e internacionais.

O grupo mantém atualmente uma coleção significativa de linhagens e extratos de cianobactérias, disponíveis para triagens biológicas, e desenvolve também iniciativas de divulgação científica e mentoria, com foco na promoção da diversidade e inclusão na ciência.

Considerações finais

A atividade evidenciou como a integração entre biodiversidade, tecnologia e conhecimento interdisciplinar pode impulsionar a descoberta de novos insumos farmacêuticos. A exploração de cianobactérias brasileiras, aliada a ferramentas modernas de análise, posiciona-se como uma fronteira promissora para a inovação em fármacos.

 

Participe das próximas atividades

O programa educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil oferece atividades gratuitas ao longo do ano. Os interessados podem acompanhar a agenda de eventos e participar das próximas discussões promovidas pela instituição.

Além disso, todas as edições dos webinars e eventos já realizados estão disponíveis para acesso no Canal ACFB da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil no YouTube, permitindo rever conteúdos e acompar os debates promovidos pela Academia.

As atividades educacionais da ACFB são viabilizadas graças ao apoio institucional de seus mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

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30 mar 2026

Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil realizada webinar com destaque para avanços em medicina regenerativa.

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil iniciou, no dia 30 de março de 2026, as atividades do eixo temático Pesquisa Farmacêutica, Toxicológica e Clínica, parte integrante de seu programa educacional. A abertura foi conduzida pelo Acadêmico Leonardo Teixeira, coordenador do eixo e moderador da sessão, que destacou o compromisso da instituição com a difusão do conhecimento científico de forma acessível, por meio de iniciativas gratuitas viabilizadas por seus mantenedores.

A palestra intitulada “Biocomplexo e fotobiomodulação: novas fronteiras na medicina regenerativa”, reuniu dois especialistas com atuação na área: o médico ortopedista Dr. Carlos Henrique Bertone Reis e a pesquisadora Dra. Daniela Vieira Buchaim. O encontro apresentou resultados de um estudo pré-clínico inovador, que recebeu com menção honrosa no III Prêmio Pio Corrêa de Inovação em Ciências Farmacêuticas com a Biodiversidade Brasileira, na categoria Master.

Em sua exposição, o Dr. Carlos Henrique Reis contextualizou os desafios da regeneração óssea, especialmente em defeitos críticos — lesões de grande extensão que não apresentam regeneração espontânea completa. Embora o tecido ósseo possua elevada capacidade regenerativa, esses casos exigem o uso de substitutos ósseos e estratégias terapêuticas que favoreçam a neoformação tecidual.

 

Nesse cenário, o estudo teve como objetivo avaliar o efeito da fotobiomodulação, por meio da laserterapia de baixa potência, no processo de reparo de defeitos ósseos preenchidos com um biomaterial cerâmico bifásico — composto por hidroxiapatita e fosfato tricálcico — associado a um biopolímero de fibrina heterólogo. Esse biopolímero, desenvolvido pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (CEVAP/Unesp), atua como um scaffold, ou seja, um arcabouço tridimensional que favorece a adesão celular e a organização do tecido em regeneração.

O delineamento experimental envolveu 56 ratos divididos em quatro grupos: biomaterial isolado; biomaterial associado ao biopolímero; biomaterial associado à fotobiomodulação; e a combinação dos três elementos — denominada pelos autores como biocomplexo associado à fotobiomodulação. Os defeitos ósseos foram induzidos em calvária, com avaliações realizadas após 14 e 42 dias.

Dando continuidade, a Dra. Daniela Vieira Buchaim aprofundou o conceito de biocomplexo, termo introduzido pelo grupo de pesquisa em 2020, que descreve a associação funcional entre biomaterial e biopolímero de fibrina. Segundo a pesquisadora, essa combinação forma uma estrutura gelatinosa capaz de estabilizar o material no leito cirúrgico, promover a aglutinação das partículas e facilitar a invasão celular, desempenhando papel fundamental na regeneração tecidual. Além disso, destacou o potencial desse sistema como estratégia de drug delivery, ampliando suas aplicações na bioengenharia.

A caracterização do biomaterial evidenciou propriedades relevantes para a regeneração, como alta porosidade e estrutura compatível com a osteocondução, permitindo a migração celular e a formação de novo tecido ósseo. Associado ao biopolímero e à fotobiomodulação, esse sistema demonstrou potencial sinérgico.

A terapia por fotobiomodulação, realizada com laser de baixa potência, foi aplicada em protocolo específico desenvolvido pelo grupo, com parâmetros controlados de comprimento de onda, potência e densidade de energia. Entre seus efeitos biológicos, destacam-se o aumento da produção de ATP, estímulo à proliferação e diferenciação celular, promoção da angiogênese, modulação inflamatória e aceleração da síntese e organização de fibras colágenas.

Os resultados obtidos por meio de microtomografia computadorizada revelaram maior formação óssea nos grupos submetidos à terapia combinada, com evidência de trabéculas ósseas mais organizadas e maior maturidade tecidual ao longo do tempo. As análises histológicas confirmaram esses achados, demonstrando evolução do tecido ósseo imaturo para um padrão mais lamelar e mineralizado, especialmente no grupo tratado com o biocomplexo associado à fotobiomodulação.

A análise de birrefringência com coloração por picrosirius red evidenciou a transição de fibras colágenas tipo III (imaturas) para tipo I (maduras), indicando progressão adequada do processo regenerativo. Já a análise histomorfométrica demonstrou diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, com maior percentual de formação de novo osso e menor presença de tecido não mineralizado na terapia combinada.

Os resultados também evidenciaram que a regeneração ocorreu de forma centrípeta, partindo das bordas para o centro do defeito, padrão esperado em processos fisiológicos de reparo ósseo, porém intensificado pela abordagem terapêutica adotada.

Outro aspecto relevante discutido foi o papel do biopolímero de fibrina, que se mostrou mais do que um agente adesivo, atuando como um biofármaco capaz de criar um microambiente favorável à regeneração. Estudos prévios do grupo já indicam sua eficácia também em reparo de lesões nervosas periféricas, ampliando seu potencial de aplicação clínica.

Os palestrantes destacaram ainda a importância das parcerias institucionais no desenvolvimento da pesquisa, envolvendo universidades como USP e Unesp, além da colaboração com centros especializados e indústria, evidenciando o caráter interdisciplinar e translacional do estudo.

Como conclusão, o trabalho demonstrou que a associação entre biomaterial cerâmico, biopolímero de fibrina e fotobiomodulação promove efeitos positivos e sinérgicos na regeneração óssea, consolidando o conceito de biocomplexo como uma estratégia promissora na medicina regenerativa.

Por fim, foi ressaltado o desafio de transpor os resultados da pesquisa experimental para a prática clínica — o chamado “vale da morte” da inovação —, reforçando a importância da medicina translacional. Com o avanço dos estudos regulatórios do biopolímero de fibrina, atualmente em fases avançadas de avaliação, abre-se perspectiva concreta para sua aplicação em terapias humanas no futuro próximo.

 

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26 mar 2026

Laboratório liderado pela Dra. Eliana Martins Lima é credenciado pela EMBRAPII e amplia capacidade de inovação em fármacos e biotecnologia

26 de março de 2026

A Acadêmica titular da cadeira nº 52, Dra. Eliana Martins Lima, anunciou que o laboratório sob sua coordenação foi oficialmente credenciado pela EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial). A nova unidade passa a integrar a rede nacional de centros de excelência voltados ao desenvolvimento tecnológico com forte interação com o setor produtivo.

O credenciamento reconhece a expertise do grupo na área de desenvolvimento de formulações e avaliação biológica de fármacos, biomoléculas e biofármacos. A unidade reúne competências consolidadas em nanotecnologia farmacêutica e sistemas avançados de liberação de fármacos, incluindo a produção de formulações em nanoescala, como lipossomas, nanopartículas poliméricas e sistemas biomiméticos.

Além disso, o laboratório dispõe de infraestrutura para caracterização físico-química avançada, estudos de estabilidade e desempenho, bem como avaliação biológica em modelos in vitro, ex vivo e in vivo. Também se destaca o uso de sistemas microfisiológicos, fortalecendo a interface translacional entre pesquisa básica e aplicação clínica.

Segundo a Dra. Eliana Martins Lima, a atuação da unidade também se estende ao desenvolvimento de produtos inovadores voltados a terapias avançadas, vacinas e doenças negligenciadas, com foco na aplicabilidade e na transferência de tecnologia.

A estrutura organizacional foi planejada para operar de forma integrada, com governança orientada a projetos e capacidade de interação com a indústria. O laboratório está apto a conduzir projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em diferentes níveis de complexidade, incluindo demandas regulatórias.

A pesquisadora destacou ainda o interesse em ampliar a colaboração com membros da Academia, colocando a unidade à disposição para o desenvolvimento conjunto de projetos, soluções tecnológicas e parcerias estratégicas.

Com o novo credenciamento pela EMBRAPII, o laboratório reforça seu papel como polo de inovação científica e tecnológica, contribuindo para o avanço da pesquisa aplicada e para o fortalecimento do ecossistema nacional de inovação.…

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