30 mar 2026

Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil realizada webinar com destaque para avanços em medicina regenerativa.

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil iniciou, no dia 30 de março de 2026, as atividades do eixo temático Pesquisa Farmacêutica, Toxicológica e Clínica, parte integrante de seu programa educacional. A abertura foi conduzida pelo Acadêmico Leonardo Teixeira, coordenador do eixo e moderador da sessão, que destacou o compromisso da instituição com a difusão do conhecimento científico de forma acessível, por meio de iniciativas gratuitas viabilizadas por seus mantenedores.

A palestra intitulada “Biocomplexo e fotobiomodulação: novas fronteiras na medicina regenerativa”, reuniu dois especialistas com atuação na área: o médico ortopedista Dr. Carlos Henrique Bertone Reis e a pesquisadora Dra. Daniela Vieira Buchaim. O encontro apresentou resultados de um estudo pré-clínico inovador, que recebeu com menção honrosa no III Prêmio Pio Corrêa de Inovação em Ciências Farmacêuticas com a Biodiversidade Brasileira, na categoria Master.

Em sua exposição, o Dr. Carlos Henrique Reis contextualizou os desafios da regeneração óssea, especialmente em defeitos críticos — lesões de grande extensão que não apresentam regeneração espontânea completa. Embora o tecido ósseo possua elevada capacidade regenerativa, esses casos exigem o uso de substitutos ósseos e estratégias terapêuticas que favoreçam a neoformação tecidual.

 

Nesse cenário, o estudo teve como objetivo avaliar o efeito da fotobiomodulação, por meio da laserterapia de baixa potência, no processo de reparo de defeitos ósseos preenchidos com um biomaterial cerâmico bifásico — composto por hidroxiapatita e fosfato tricálcico — associado a um biopolímero de fibrina heterólogo. Esse biopolímero, desenvolvido pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (CEVAP/Unesp), atua como um scaffold, ou seja, um arcabouço tridimensional que favorece a adesão celular e a organização do tecido em regeneração.

O delineamento experimental envolveu 56 ratos divididos em quatro grupos: biomaterial isolado; biomaterial associado ao biopolímero; biomaterial associado à fotobiomodulação; e a combinação dos três elementos — denominada pelos autores como biocomplexo associado à fotobiomodulação. Os defeitos ósseos foram induzidos em calvária, com avaliações realizadas após 14 e 42 dias.

Dando continuidade, a Dra. Daniela Vieira Buchaim aprofundou o conceito de biocomplexo, termo introduzido pelo grupo de pesquisa em 2020, que descreve a associação funcional entre biomaterial e biopolímero de fibrina. Segundo a pesquisadora, essa combinação forma uma estrutura gelatinosa capaz de estabilizar o material no leito cirúrgico, promover a aglutinação das partículas e facilitar a invasão celular, desempenhando papel fundamental na regeneração tecidual. Além disso, destacou o potencial desse sistema como estratégia de drug delivery, ampliando suas aplicações na bioengenharia.

A caracterização do biomaterial evidenciou propriedades relevantes para a regeneração, como alta porosidade e estrutura compatível com a osteocondução, permitindo a migração celular e a formação de novo tecido ósseo. Associado ao biopolímero e à fotobiomodulação, esse sistema demonstrou potencial sinérgico.

A terapia por fotobiomodulação, realizada com laser de baixa potência, foi aplicada em protocolo específico desenvolvido pelo grupo, com parâmetros controlados de comprimento de onda, potência e densidade de energia. Entre seus efeitos biológicos, destacam-se o aumento da produção de ATP, estímulo à proliferação e diferenciação celular, promoção da angiogênese, modulação inflamatória e aceleração da síntese e organização de fibras colágenas.

Os resultados obtidos por meio de microtomografia computadorizada revelaram maior formação óssea nos grupos submetidos à terapia combinada, com evidência de trabéculas ósseas mais organizadas e maior maturidade tecidual ao longo do tempo. As análises histológicas confirmaram esses achados, demonstrando evolução do tecido ósseo imaturo para um padrão mais lamelar e mineralizado, especialmente no grupo tratado com o biocomplexo associado à fotobiomodulação.

A análise de birrefringência com coloração por picrosirius red evidenciou a transição de fibras colágenas tipo III (imaturas) para tipo I (maduras), indicando progressão adequada do processo regenerativo. Já a análise histomorfométrica demonstrou diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, com maior percentual de formação de novo osso e menor presença de tecido não mineralizado na terapia combinada.

Os resultados também evidenciaram que a regeneração ocorreu de forma centrípeta, partindo das bordas para o centro do defeito, padrão esperado em processos fisiológicos de reparo ósseo, porém intensificado pela abordagem terapêutica adotada.

Outro aspecto relevante discutido foi o papel do biopolímero de fibrina, que se mostrou mais do que um agente adesivo, atuando como um biofármaco capaz de criar um microambiente favorável à regeneração. Estudos prévios do grupo já indicam sua eficácia também em reparo de lesões nervosas periféricas, ampliando seu potencial de aplicação clínica.

Os palestrantes destacaram ainda a importância das parcerias institucionais no desenvolvimento da pesquisa, envolvendo universidades como USP e Unesp, além da colaboração com centros especializados e indústria, evidenciando o caráter interdisciplinar e translacional do estudo.

Como conclusão, o trabalho demonstrou que a associação entre biomaterial cerâmico, biopolímero de fibrina e fotobiomodulação promove efeitos positivos e sinérgicos na regeneração óssea, consolidando o conceito de biocomplexo como uma estratégia promissora na medicina regenerativa.

Por fim, foi ressaltado o desafio de transpor os resultados da pesquisa experimental para a prática clínica — o chamado “vale da morte” da inovação —, reforçando a importância da medicina translacional. Com o avanço dos estudos regulatórios do biopolímero de fibrina, atualmente em fases avançadas de avaliação, abre-se perspectiva concreta para sua aplicação em terapias humanas no futuro próximo.

 

Participe das próximas atividades

O programa educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil oferece atividades gratuitas ao longo do ano. Os interessados podem acompanhar a agenda de eventos e participar das próximas discussões promovidas pela instituição.

Além disso, todas as edições dos webinars e eventos já realizados estão disponíveis para acesso no Canal ACFB da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil no YouTube, permitindo rever conteúdos e acompar os debates promovidos pela Academia.

As atividades educacionais da ACFB são viabilizadas graças ao apoio institucional de seus mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.…

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26 mar 2026

Laboratório liderado pela Dra. Eliana Martins Lima é credenciado pela EMBRAPII e amplia capacidade de inovação em fármacos e biotecnologia

26 de março de 2026

A Acadêmica titular da cadeira nº 52, Dra. Eliana Martins Lima, anunciou que o laboratório sob sua coordenação foi oficialmente credenciado pela EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial). A nova unidade passa a integrar a rede nacional de centros de excelência voltados ao desenvolvimento tecnológico com forte interação com o setor produtivo.

O credenciamento reconhece a expertise do grupo na área de desenvolvimento de formulações e avaliação biológica de fármacos, biomoléculas e biofármacos. A unidade reúne competências consolidadas em nanotecnologia farmacêutica e sistemas avançados de liberação de fármacos, incluindo a produção de formulações em nanoescala, como lipossomas, nanopartículas poliméricas e sistemas biomiméticos.

Além disso, o laboratório dispõe de infraestrutura para caracterização físico-química avançada, estudos de estabilidade e desempenho, bem como avaliação biológica em modelos in vitro, ex vivo e in vivo. Também se destaca o uso de sistemas microfisiológicos, fortalecendo a interface translacional entre pesquisa básica e aplicação clínica.

Segundo a Dra. Eliana Martins Lima, a atuação da unidade também se estende ao desenvolvimento de produtos inovadores voltados a terapias avançadas, vacinas e doenças negligenciadas, com foco na aplicabilidade e na transferência de tecnologia.

A estrutura organizacional foi planejada para operar de forma integrada, com governança orientada a projetos e capacidade de interação com a indústria. O laboratório está apto a conduzir projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em diferentes níveis de complexidade, incluindo demandas regulatórias.

A pesquisadora destacou ainda o interesse em ampliar a colaboração com membros da Academia, colocando a unidade à disposição para o desenvolvimento conjunto de projetos, soluções tecnológicas e parcerias estratégicas.

Com o novo credenciamento pela EMBRAPII, o laboratório reforça seu papel como polo de inovação científica e tecnológica, contribuindo para o avanço da pesquisa aplicada e para o fortalecimento do ecossistema nacional de inovação.…

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26 mar 2026

Acordo UE–Mercosul reposiciona debate sobre soberania sanitária e indústria farmacêutica, apontam especialistas

O impacto do Acordo de Associação entre União Europeia e Mercosul sobre a produção e comercialização de fármacos e medicamentos esteve no centro do debate promovido pelo eixo temático “Insumos Farmacêuticos” da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, no dia 23 de março de 2026. Realizado de forma virtual, o encontro reuniu especialistas para analisar os efeitos de um dos mais relevantes tratados comerciais das últimas décadas sobre o setor farmacêutico.

A atividade foi aberta e moderada pelo acadêmico Jorge Carlos Santos da Costa, titular da Cadeira nº 25 da ACFB e assessor da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz. Em sua introdução, Dr. Jorge Costa destacou a atualidade do tema, lembrando que o acordo foi recentemente promulgado pelo Congresso Nacional brasileiro, no dia 17 de março, o que reforça a urgência de discutir seus desdobramentos para a saúde pública e a indústria farmacêutica.

A palestra foi ministrada pelo Dr. Frederico Tobar, assessor global do Fundo de População das Nações Unidas, que apresentou uma análise abrangente e crítica sobre as implicações do acordo. Segundo Dr. Tobar, o tratado não deve ser interpretado apenas como um instrumento comercial, mas como um movimento estratégico inserido em um contexto global marcado por reconfiguração das cadeias produtivas, tensões geopolíticas e busca por maior autonomia tecnológica.

Um acordo além do comércio

Para o especialista, reduzir o acordo a uma simples troca de commodities por produtos industrializados é uma visão limitada. Ele destacou que, no cenário pós-pandemia e diante de instabilidades internacionais, o tratado assume papel central na segurança das cadeias de suprimento e na reorganização da produção farmacêutica em escala regional.

Com um mercado potencial de cerca de 720 milhões de habitantes, o acordo pode representar até 30% do comércio global de fármacos. Projeções da União Europeia indicam que, até 2040, o volume de trocas entre os blocos poderá dobrar, tanto em bens quanto em serviços, ampliando significativamente a integração econômica.

No entanto, Dr. Tobar ressaltou que essa expansão não ocorrerá de forma equilibrada. Enquanto o Mercosul apresenta superávit na exportação de bens, impulsionado pelo agronegócio, o cenário se inverte no setor farmacêutico. A União Europeia exporta aproximadamente 11 vezes mais medicamentos para o Mercosul do que importa, evidenciando forte assimetria comercial.

Assimetrias estruturais e desafios regulatórios

A diferença de competitividade entre os blocos foi apontada como um dos principais desafios. A União Europeia lidera globalmente em pesquisa, desenvolvimento e inovação farmacêutica, investindo até 30 vezes mais que o Mercosul. Por outro lado, países como Brasil e Argentina possuem indústrias consolidadas, capazes de atender grande parte da demanda interna, mas ainda com limitações para competir em mercados altamente tecnologizados.

Outro ponto crítico é a fragmentação regulatória no Mercosul. Enquanto a Europa consolidou um mercado único com registro centralizado por meio da Agência Europeia de Medicamentos, os países sul-americanos mantêm sistemas independentes, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Brasil. Essa falta de harmonização dificulta a integração produtiva e limita ganhos de escala.

Dr. Frederico Tobar destacou que o Mercosul, ao longo de quase três décadas, adotou uma postura mais defensiva, priorizando a soberania regulatória em detrimento da integração. Como resultado, o bloco apresenta maior dependência de fornecedores externos e déficit comercial no setor farmacêutico.

 

Propriedade intelectual e acesso a medicamentos

O acordo também levanta preocupações relacionadas à propriedade intelectual. O especialista alertou para o risco de adoção de medidas mais restritivas, como padrões TRIPS-Plus, que podem limitar a entrada de medicamentos genéricos e ampliar a proteção de patentes por meio de práticas como o evergreening.

Nesse contexto, mecanismos como licenças compulsórias e importações paralelas — importantes para garantir o acesso a medicamentos — podem sofrer restrições. Para países com sistemas públicos de saúde robustos, como o Brasil, essas mudanças podem impactar diretamente a sustentabilidade do acesso a tratamentos.

O papel estratégico do SUS

Um dos pontos mais sensíveis discutidos foi a possível abertura das compras públicas de saúde. Embora o Brasil tenha inicialmente buscado proteger as aquisições do Sistema Único de Saúde (SUS), Tobar avalia que, caso o acordo avance, haverá pressão para inclusão desse mercado.

Com sua dimensão e capacidade de compra, o SUS representa um ativo estratégico para o desenvolvimento da indústria nacional. Sua eventual abertura à concorrência internacional pode gerar impactos significativos sobre fornecedores locais e sobre a estrutura do setor.

Oportunidades: genéricos e inteligência de mercado

Apesar dos desafios, o acordo abre oportunidades importantes. Dr. Tobar destacou o potencial do Brasil para se posicionar de forma competitiva no mercado de medicamentos genéricos, especialmente no momento de expiração de patentes.

O especialista citou o caso da semaglutida, cuja demanda cresce exponencialmente no mundo. Com alta prevalência de obesidade e diabetes na região, o mercado potencial é bilionário, e a entrada rápida com genéricos de qualidade pode garantir vantagem competitiva.

Para isso, é fundamental desenvolver capacidade de monitoramento do pipeline global de inovação, antecipando o vencimento de patentes e estruturando respostas industriais e regulatórias.

Três cenários para o futuro

A análise apresentou três possíveis cenários para o setor farmacêutico no contexto do acordo:

  • Cenário defensivo: manutenção da estrutura atual, com baixa integração e preservação da autonomia regulatória. Embora reduza riscos imediatos, limita ganhos de escala e competitividade.
  • Cenário de submetimento: maior alinhamento com a regulação europeia, ampliando o mercado, mas aprofundando assimetrias e favorecendo empresas estrangeiras.
  • Cenário ofensivo (estratégico): fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com atuação coordenada do Estado, uso do poder de compra do SUS, incentivo à inovação e promoção da indústria nacional.

Este último foi apontado como o mais promissor, embora também o mais desafiador.

Caminhos para uma estratégia nacional

Para viabilizar uma inserção competitiva, Dr. Frederico Tobar propôs um conjunto de diretrizes estratégicas, incluindo:

  • monitoramento contínuo de mercados e tecnologias;
  • definição de medicamentos prioritários;
  • redesenho de modelos assistenciais;
  • fortalecimento da regulação de preços;
  • uso de garantias de demanda para estimular a produção;
  • incentivo às exportações;
  • investimento em pesquisa e desenvolvimento.

O especialista enfatizou que o Brasil possui vantagens relevantes, como a existência de um complexo industrial da saúde estruturado e a escala do SUS, que podem ser alavancadas para competir em um mercado ampliado.

Conclusão

Ao encerrar a apresentação, Dr. Tobar destacou que o futuro da indústria farmacêutica brasileira não será determinado automaticamente pelo acordo, mas pelas escolhas estratégicas do país.

“Oportunidades existem, mas não são inerciais”, afirmou. “A capacidade do Brasil de transformar esse acordo em vetor de desenvolvimento dependerá de coordenação entre políticas públicas, investimento em inovação e fortalecimento da produção nacional.”

O debate evidenciou que o acordo entre União Europeia e Mercosul representa tanto uma oportunidade histórica quanto um desafio estrutural para o setor farmacêutico. Seu impacto final dependerá da capacidade dos países do bloco, especialmente do Brasil, de articular soberania sanitária, competitividade industrial e acesso equitativo a medicamentos em um cenário global cada vez mais complexo.

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26 mar 2026

Dra. Maria Rita Carvalho Garbi Novaes, Acadêmica Titular da Cadeira nº 33, recebeu Moção de Louvor

24 de março de 2026

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil celebra com grande satisfação a homenagem concedida à Dra. Maria Rita Carvalho Garbi Novaes, Acadêmica Titular da Cadeira nº 33, que recebeu Moção de Louvor em sessão solene realizada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal em comemoração ao Dia do Farmacêutico.

A cerimônia realizada em 24 de março de 2026, promovida em alusão à data celebrada em 20 de janeiro, reuniu autoridades, profissionais da saúde e representantes da área farmacêutica, destacando a relevância estratégica da profissão para a promoção da saúde pública e o bem-estar da população. A iniciativa foi proposta pelo deputado distrital Jorge Vianna, que ressaltou o papel essencial dos farmacêuticos no sistema de saúde, muitas vezes desempenhado de forma discreta, porém fundamental.

A homenagem reconhece a trajetória e as contribuições da Dra. Maria Rita para o fortalecimento das ciências farmacêuticas e sua atuação reflete a importância do farmacêutico no contexto do sistema de saúde, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida da população.

O reconhecimento em um espaço institucional como o Legislativo do Distrito Federal reforça o impacto positivo de sua atuação na sociedade, especialmente no desenvolvimento de políticas públicas e práticas voltadas à saúde coletiva.

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil parabeniza a Dra. Maria Rita de Carvalho Garbi Novaes pela honraria recebida, destacando seu mérito e dedicação à ciência farmacêutica no país.

Maria Rita de Carvalho Garbi Novaes
Acadêmica Titular da Cadeira nº 33
Farmacêutica graduada pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (1987), com sólida formação acadêmica que inclui doutorado em Ciências da Saúde (Farmacologia) pela Universidade de Brasília (1999), mestrado em Química Orgânica pela mesma instituição (1991) e mestrado em Educação de Profissionais de Saúde pela Maastricht University, na Holanda (2011). Realizou pós-doutorado em Ética em Pesquisa Clínica na Universidade do Chile (2007) e possui diversas especializações nas áreas de Farmácia Hospitalar, Clínica, Oncológica e Terapia Nutricional.

Com ampla experiência na assistência, gestão, ensino e pesquisa, atuou por mais de três décadas como farmacêutica hospitalar na Secretaria de Saúde do Distrito Federal, além de docente nos cursos de Medicina da ESCS/FEPECS e Farmácia da UnB. Exerceu funções de liderança, incluindo presidência da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (SBRAFH), coordenação de comitês de ética em pesquisa e gestão acadêmica.

Atualmente, dedica-se à orientação em programas de pós-graduação em Ciências da Saúde (mestrado e doutorado), além de atuar como consultora em instituições nacionais e internacionais.

Sua atuação concentra-se nas áreas de ética em pesquisa, farmácia hospitalar e clínica, saúde do idoso e educação de profissionais da saúde.

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25 mar 2026

Acadêmicos da ACFB recebem Moção de Louvor em sessão solene pelo Dia do Farmacêutico no DF

Em celebração ao Dia do Farmacêutico, comemorado em 20 de janeiro, a Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou, na noite da última terça-feira (24), uma sessão solene em seu plenário para homenagear profissionais que se destacam na promoção da saúde pública. O evento reuniu autoridades, representantes da área da saúde e farmacêuticos, ressaltando a importância estratégica da profissão para a qualidade de vida da população.

A iniciativa foi proposta pelo deputado distrital Jorge Vianna, que destacou o papel essencial, embora muitas vezes pouco visível, desempenhado pelos farmacêuticos no sistema de saúde. Segundo o parlamentar, a solenidade teve como objetivo reconhecer a dedicação e a competência desses profissionais, além de sua contribuição para um sistema de saúde mais eficiente, seguro e humanizado.

Durante a cerimônia, dois membros da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil foram agraciados com Moção de Louvor pelos relevantes serviços prestados ao Distrito Federal. Receberam a honraria o Acadêmico Tarcísio José Palhano, titular da Cadeira nº 54, e o Acadêmico Nilton Luz Netto Júnior, titular da Cadeira nº 24.

O reconhecimento público, em um espaço institucional como o Legislativo do Distrito Federal, evidencia o impacto das contribuições desses profissionais para a sociedade, especialmente no fortalecimento das políticas de saúde e na promoção do uso racional de medicamentos.

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil parabeniza seus membros pela honraria recebida.

 

 

 

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17 mar 2026

Nanotecnologia com planta amazônica mostra potencial no tratamento da artrite diabética

ESTUDO FARMACOLÓGICO E HISTOPATOLÓGICO DA AÇÃO DA NANODISPERSÃO INJETÁVEL DE Bixa orellana SOBRE ARTRITE DIABÉTICA EM RATOS WISTAR.

Trabalho vencedor do III Prêmio Pio Corrêa é destaque em webinar da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil

A inovação terapêutica a partir da biodiversidade brasileira foi o centro das discussões no webinar promovido pela Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, realizado em 16 de março de 2026. O evento marcou a abertura do eixo temático “Biodiversidade, Plantas Medicinais e Inovação”, sob a coordenação da Acad. Rachel Oliveira Castilho e trouxe como destaque o estudo vencedor do III Prêmio Pio Corrêa na categoria acadêmica.

A pesquisa, apresentada pela médica Lauana Gomes, investigou os efeitos farmacológicos e histopatológicos de uma nanodispersão injetável derivada da planta amazônica Bixa orellana no tratamento da artrite diabética em modelo experimental com ratos Wistar.

A mediação foi conduzida pelo Acad. José Carlos Tavares Carvalho, que destacou o caráter inovador da pesquisa ao integrar biodiversidade, farmacologia e nanotecnologia.

Uma complicação silenciosa do diabetes

A artrite diabética, foco central do estudo, é uma condição inflamatória decorrente do estado crônico de hiperglicemia. Segundo a pesquisadora, alterações microvasculares levam à neuropatia, perda de propriocepção e redução da perfusão sanguínea, especialmente nas extremidades.

Esse cenário favorece microtraumas repetitivos e desencadeia um processo inflamatório intenso, mediado por citocinas como interleucina-1β, interleucina-6 e TNF-alfa, resultando em degeneração articular progressiva.

Biodiversidade amazônica como fonte terapêutica

O estudo explorou o potencial farmacológico da Bixa orellana, planta tradicionalmente utilizada desde civilizações antigas. Seus principais compostos bioativos — geranilgeraniol e delta-tocotrienol — apresentam propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e moduladoras do metabolismo ósseo.

O geranilgeraniol atua na via do mevalonato, interferindo na síntese de mediadores inflamatórios, enquanto o tocotrienol, uma forma mais lipofílica da vitamina E, favorece a penetração celular e reduz o estresse oxidativo.

Nanotecnologia para maior eficácia terapêutica

O diferencial da pesquisa está na formulação inovadora: uma nanodispersão injetável denominada Chronic-in®. O sistema utiliza nanopartículas para otimizar a entrega do fármaco, garantindo:

  • maior estabilidade do composto
  • liberação prolongada
  • direcionamento aos tecidos-alvo
  • redução de efeitos adversos

Com partículas entre 53 e 59 nanômetros e estabilidade físico-química comprovada, a formulação demonstrou características adequadas para uso terapêutico.

Resultados: redução da inflamação e preservação articular

Os achados experimentais foram consistentes e promissores. Entre os principais resultados observados:

  • Redução significativa do edema articular nos animais tratados com a nanodispersão, superior ao grupo tratado com anti-inflamatório convencional (indometacina)
  • Melhora funcional, evidenciada por maior atividade locomotora e exploratória
  • Preservação estrutural das articulações, com menor deformidade e degradação
  • Melhor desempenho radiológico, com menor progressão de lesões articulares
  • Redução de marcadores inflamatórios e modulação da resposta imune

Além disso, análises por microscopia eletrônica e histologia confirmaram menor destruição da cartilagem e redução da atividade inflamatória nos grupos tratados com o composto.

Benefícios sistêmicos e segurança

Outro destaque foi o perfil de segurança da nanodispersão. Diferentemente do grupo tratado com indometacina, os animais que receberam o Chronic-in® apresentaram:

  • menor comprometimento renal
  • menor toxicidade hepática
  • melhor equilíbrio metabólico

Também foram observados efeitos hipoglicemiantes e impacto positivo no metabolismo ósseo, com aumento do turnover ósseo e redução da reabsorção.

Impacto científico e perspectivas futuras

Para a pesquisadora, os resultados indicam que a formulação tem potencial para atuar não apenas na inflamação articular, mas também em aspectos sistêmicos do diabetes.

“O Chronic-in® demonstrou um papel promissor no manejo da artrite diabética, com impacto na qualidade de vida e potencial para novas abordagens terapêuticas”, destacou.

O estudo reforça o papel estratégico da biodiversidade brasileira no desenvolvimento de novos fármacos e evidencia como a integração com a nanotecnologia pode ampliar a eficácia terapêutica de compostos naturais.

Inovação que nasce da floresta

Ao abrir o ciclo de debates do eixo temático, a coordenadora Rachel Castilho ressaltou a relevância do trabalho premiado para o avanço científico nacional.

A pesquisa representa um exemplo concreto de como o conhecimento tradicional aliado à ciência de ponta pode gerar soluções inovadoras para doenças complexas.

O próximo passo, segundo os especialistas, será a ampliação dos estudos para validação clínica, aproximando a descoberta do uso em humanos.

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09 mar 2026

Debate sobre Exame de Proficiência reúne especialistas em webinar da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil promoveu, no dia 9 de março de 2026, mais uma atividade do seu programa educacional, no âmbito do Eixo Temático Educação em Ciências Farmacêuticas. O webinar “O Exame de Proficiência para o exercício profissional na área da saúde e suas implicações práticas” reuniu especialistas para discutir os fundamentos, desafios e possíveis impactos da adoção desse tipo de avaliação na formação e no exercício das profissões da saúde.

A abertura do encontro foi conduzida pelo Acadêmico Jan Carlo Morais Oliveira Bertassoni Delorenzi, Titular da Cadeira nº 48 da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil e Diretor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em sua fala inicial, o moderador destacou a importância de discutir mecanismos que permitam avaliar de forma mais precisa a formação dos profissionais que ingressam no mercado de trabalho.

Segundo ele, o tema tem provocado debates relevantes tanto no campo da formação acadêmica quanto no exercício profissional. “Precisamos refletir sobre que tipo de profissional estamos formando e se temos segurança em relação à qualidade daqueles que chegam ao mercado de trabalho, especialmente considerando que lidamos diretamente com a saúde da população e com a segurança do paciente”, afirmou.

O encontro contou com a participação do médico Alcindo Cerci Neto, Conselheiro Federal Titular pelo estado do Paraná no Conselho Federal de Medicina, professor adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e coordenador do Programa de Residência em Pneumologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e do farmacêutico Alexandre Bechara, coordenador do Grupo Técnico de Trabalho em Educação Farmacêutica do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP).

Durante sua apresentação, Alcindo Cerci Neto apresentou a experiência do Conselho Federal de Medicina na discussão sobre a implementação de um exame de licenciamento para médicos. Ele destacou que o debate surge diante de desafios estruturais na formação médica no país, especialmente em razão da expansão acelerada do número de cursos de medicina nas últimas décadas.

De acordo com o especialista, o Brasil registra atualmente um crescimento expressivo no número de profissionais formados anualmente, o que reforça a necessidade de mecanismos adicionais de avaliação. Nesse contexto, ele ressaltou a importância de distinguir dois processos distintos: a avaliação das instituições de ensino e a avaliação dos profissionais egressos.

“Quando avaliamos cursos, analisamos estrutura, corpo docente e projeto pedagógico. Já a avaliação do egresso busca verificar se o profissional que concluiu sua formação possui as competências necessárias para atender a população com segurança”, explicou.

O palestrante também destacou que exames de licenciamento profissional são amplamente utilizados em outros países, como Estados Unidos e Canadá, onde os processos avaliativos incluem tanto provas teóricas quanto avaliações práticas, voltadas para a análise de habilidades clínicas e da tomada de decisão em situações reais.

Segundo Cerci Neto, a lógica central de um exame de proficiência não é punitiva, mas sim voltada à proteção da sociedade. “A questão principal é garantir que o profissional que chega ao paciente esteja devidamente preparado. Trata-se de uma medida de responsabilidade com a população”, afirmou.

Na sequência, Alexandre Bechara apresentou a perspectiva da área farmacêutica, destacando que os cursos de Farmácia também passaram por uma expansão significativa nos últimos anos. De acordo com ele, o crescimento da oferta de cursos — especialmente na modalidade a distância — tem gerado preocupações quanto à qualidade da formação dos profissionais da saúde.

O farmacêutico ressaltou que a formação em saúde exige o desenvolvimento de competências práticas, além do domínio teórico, o que torna a presencialidade um elemento fundamental no processo formativo. Segundo ele, a expansão desordenada do ensino superior pode gerar lacunas na formação profissional e impactos na qualidade da assistência prestada à população.

Bechara também destacou que diferentes setores do mercado farmacêutico têm manifestado preocupações com a qualificação dos profissionais recém-formados, especialmente em áreas mais especializadas, como a indústria farmacêutica e o desenvolvimento tecnológico.

Nesse contexto, ele explicou que o debate sobre a criação de um exame de avaliação de egressos já ocorre há anos dentro do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. A proposta discutida no âmbito da entidade prevê um modelo de avaliação que permita gerar indicadores sobre a formação dos profissionais e contribuir para o aprimoramento do ensino.

“O objetivo não é punir o estudante, mas compreender como está a formação do profissional que chega ao mercado. Avaliar o egresso pode servir como um importante indicador da qualidade da educação superior”, destacou.

Durante o debate, os participantes também abordaram questões relacionadas à revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais e aos desafios de adaptar a formação profissional às transformações tecnológicas e às demandas do sistema de saúde. Entre os pontos discutidos esteve a necessidade de maior articulação entre instituições de ensino, conselhos profissionais e formuladores de políticas públicas.

Ao responder perguntas do público, os palestrantes também discutiram os obstáculos políticos e institucionais para a implementação de exames de proficiência no Brasil, bem como a importância da cooperação entre diferentes conselhos de classe da área da saúde para fortalecer iniciativas voltadas à melhoria da formação profissional.

No encerramento do webinar, os especialistas destacaram que o principal objetivo das propostas de avaliação profissional deve ser a proteção da sociedade e a garantia de que os cidadãos sejam atendidos por profissionais qualificados.

Para Alcindo Cerci Neto, a sociedade precisa compreender que a qualificação profissional é uma questão de respeito ao paciente. “Quando alguém procura atendimento em um hospital, em uma farmácia ou em qualquer serviço de saúde, espera encontrar um profissional preparado. Garantir essa qualidade é uma forma de respeito à população”, afirmou.

Alexandre Bechara reforçou que educação e saúde são direitos fundamentais da população e que a qualificação dos profissionais é parte essencial desse compromisso social. Segundo ele, é necessário ampliar o debate público sobre a formação em saúde, envolvendo estudantes, docentes, profissionais e a sociedade.

A atividade reafirma o compromisso da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil em promover espaços qualificados de diálogo sobre temas estratégicos para a educação e para o exercício das profissões da saúde.

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O programa educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil oferece atividades gratuitas ao longo do ano. Os interessados podem acompanhar a agenda de eventos e participar das próximas discussões promovidas pela instituição.

Além disso, todas as edições dos webinars e eventos já realizados estão disponíveis para acesso no canal da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil no YouTube, permitindo rever conteúdos e acompar os debates promovidos pela Academia.

As atividades educacionais da ACFB são viabilizadas graças ao apoio institucional de seus mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

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04 mar 2026

Lançamento do livro “Dos Venenos aos Remédios” reúne comunidade científica no Espaço Memória das Ciências Farmacêuticas no Brasil

No dia 4 de março de 2026, o Espaço Memória das Ciências Farmacêuticas no Brasil, sede da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, foi palco do lançamento da obra Dos Venenos aos Remédios: Trinta Anos de Resiliência, Empreendedorismo & Inovação. O evento, realizado das 17h às 20h30, reuniu acadêmicos, pesquisadores, estudantes e representantes do setor farmacêutico em uma celebração marcada por emoção, memória e reconhecimento à ciência brasileira.

A obra é assinada por Ana Sílvia Sartori Barraviera Seabra Ferreira, Benedito Barraviera, Leandro Rocha, Letícia Araújo da Cunha e Rui Seabra Ferreira Jr.. Destaca-se que os professores Benedito Barraviera e Rui Seabra Ferreira Jr. são Acadêmicos Titulares da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, conferindo à publicação um significado ainda mais especial para a instituição.

O livro reúne depoimentos de quase uma centena de colaboradores e resgata a trajetória e o legado de mais de três décadas de atuação do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap), centro de pesquisa e inovação vinculado à Universidade Estadual Paulista.

O evento contou ainda com a presença e o prestígio dos Acadêmicos Lauro Domingo Moretto e Acácio Lima, Presidentes Eméritos da Academia, além do Acadêmico Celso Caricati e o Tesoureiro Geral, Academico Marco Antonio Stephano, reforçando a relevância institucional do evento.

Os autores destacaram os desafios enfrentados desde a criação do Cevap, nascido no interior de uma universidade pública, e sua consolidação como referência nacional e internacional na pesquisa translacional, no desenvolvimento de produtos estratégicos e na geração de conhecimento de impacto global. Em um país que ainda depende da importação da maioria dos seus medicamentos, a história do Cevap demonstra que é possível produzir ciência de fronteira, com inovação, empreendedorismo e compromisso social.

Mais do que um registro histórico institucional, a publicação se apresenta como um verdadeiro manual de persistência, resiliência e coragem. A narrativa evidencia como a combinação entre visão científica, gestão estratégica e dedicação coletiva pode transformar limitações estruturais em oportunidades de crescimento e protagonismo.

Durante o evento, os participantes puderam interagir com os autores, compartilhar memórias e refletir sobre os caminhos da ciência farmacêutica no Brasil.

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil parabeniza os autores pela relevante contribuição à memória científica nacional

 

 

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03 mar 2026

Webinar abre calendário de 2026 com debate aprofundado sobre o papel do laboratório clínico no diagnóstico das leucemias agudas

No dia 2 de março de 2026, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil deu início ao seu calendário anual de atividades com um webinar do eixo temático de Análises Clínicas e Toxicológicas. O encontro, realizado de forma virtual, reuniu acadêmicos, profissionais e estudantes para discutir o tema “O papel do laboratório clínico no diagnóstico das leucemias agudas: uma visão atualizada da OMS e ICC”.

A moderação foi conduzida pelo Acadêmico Titular Adilson Kleber Ferreira, coordenador do eixo temático, que destacou a importância do programa educacional da Academia — iniciativa gratuita viabilizada pelo apoio de mantenedores do setor farmacêutico — e reforçou o compromisso institucional com a atualização científica contínua.

A palestra principal foi ministrada pelo Acadêmico Titular Raimundo Antônio Gomes Oliveira, professor associado da Universidade Federal do Maranhão, pesquisador em onco-hematologia e referência nacional em mielograma, imunofenotipagem e citometria de fluxo.

 

Integração diagnóstica: morfologia, imunofenotipagem e genética molecular

Ao longo de sua exposição, o professor Raimundo apresentou uma análise abrangente e didática sobre os fundamentos e as atualizações das classificações das leucemias agudas segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a International Consensus Classification (ICC).

Um dos pontos centrais abordados foi a mudança de paradigma no diagnóstico das leucemias agudas. Tradicionalmente, o critério morfológico de ≥20% de blastos na medula óssea ou no sangue periférico definia a doença. Contudo, a partir das atualizações de 2022, determinadas alterações genéticas recorrentes permitem o diagnóstico de leucemia aguda mesmo com percentual inferior a 20% de blastos — e, segundo a ICC, em alguns casos com limite reduzido para 10%.

O palestrante enfatizou que:

  • A morfologia continua indispensável, especialmente para a contagem de blastos;
  • A imunofenotipagem define a linhagem celular (mieloide, linfoide B, linfoide T ou fenótipo misto);
  • A genética molecular estratifica prognóstico e direciona terapias-alvo;
  • A integração com dados clínicos é determinante, sobretudo na distinção entre leucemias primárias e secundárias.

Segundo o especialista, “não existe diagnóstico isolado por técnica única”. O laboratório moderno deve operar sob uma lógica multivariada, integrando clínica, morfologia, citometria de fluxo e biologia molecular.

Leucemia aguda: conceito biológico e desafios diagnósticos

Durante o webinar, foi reforçado que, na onco-hematologia, o conceito de “agudo” não está necessariamente relacionado à velocidade de evolução clínica, mas ao bloqueio maturativo na hematopoese.

O professor também alertou para equívocos frequentes na rotina laboratorial:

  • Nem toda leucemia aguda cursa com leucocitose importante;
  • Pancitopenia sem blastos circulantes não exclui diagnóstico;
  • O mielograma permanece essencial quando há citopenias inexplicadas;
  • A contagem morfológica de blastos não deve ser substituída pela citometria de fluxo, conforme orientam OMS e ICC.

Foi discutida ainda a importância da avaliação de possíveis discrepâncias entre sangue periférico e medula óssea, especialmente em casos de hemodiluição do aspirado medular.

 

Leucemia Promielocítica Aguda: urgência diagnóstica

Um dos momentos de maior ênfase da apresentação foi a discussão da Leucemia Promielocítica Aguda (LPA), associada ao rearranjo PML-RARA.

O professor destacou a necessidade de reconhecimento morfológico rápido dos promielócitos neoplásicos — inclusive nas bordas do esfregaço — devido ao risco de complicações hemorrágicas graves e morte precoce. A identificação precoce permite início imediato de terapias específicas, como ATRA e trióxido de arsênio.

Também foram abordadas variantes moleculares menos comuns, reforçando que a ausência do rearranjo clássico não exclui o diagnóstico e exige investigação genética ampliada.

 

Classificação atual: evolução histórica e aplicação prática

O palestrante contextualizou que as classificações atuais são resultado de décadas de avanços científicos, incorporando descobertas citogenéticas desde a década de 1970, como:

  • Translocação t(8;21);
  • Inversão do cromossomo 16;
  • Cromossomo Filadélfia;
  • Rearranjos envolvendo KMT2A.

Ele destacou que a antiga classificação FAB permanece como base morfológica quando não há alterações genéticas definidoras, mas que, sempre que uma alteração molecular específica é identificada, o diagnóstico passa a ser definido geneticamente — com implicações diretas no prognóstico e no tratamento.

Interação e discussão de casos

Na sessão de perguntas, foram debatidos encaminhamentos diante de hemogramas com anemia, leucopenia com neutropenia e plaquetopenia. O professor reforçou que pancitopenias devem sempre ser investigadas com estudo medular completo, incluindo correlação obrigatória com o hemograma, conforme preconizam OMS e ICC.

Foi ressaltada a importância do controle pré-analítico e da análise crítica de possíveis discrepâncias entre sangue periférico e aspirado medular.

 

Participe das próximas atividades

O programa educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil oferece atividades gratuitas ao longo do ano. Os interessados podem acompanhar a agenda de eventos e participar das próximas discussões promovidas pela instituição.

Além disso, todas as edições dos webinars e eventos já realizados estão disponíveis para acesso no canal da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil no YouTube, permitindo rever conteúdos e acompar os debates promovidos pela Academia.

As atividades educacionais da ACFB são viabilizadas graças ao apoio institucional de seus mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

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02 mar 2026

Apresentamos oficialmente o Acadêmico Honorário Spartaco Astolfi

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil oficializou a incorporação do Dr. Spartaco Astolfi Filho como Acadêmico Honorário da instituição. A cerimônia foi realizada em 27 de fevereiro de 2026, no Espaço Memória das Ciências Farmacêuticas no Brasil, no Auditório Lauro Domingos Moretto, na sede da entidade, em São Paulo (SP).

O título de Acadêmico Honorário é concedido a personalidades de reconhecida contribuição para o avanço das Ciências Farmacêuticas no país, destacando trajetórias de excelência acadêmica, científica e profissional. A incorporação do Dr. Spartaco Astolfi Filho reforça o compromisso da Academia com a valorização de pesquisadores que contribuem de forma significativa para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil.

 

Acadêmico Honorário Spartaco Astolfi Filho

Patrono: Josef Ernest Thiemann
Saudação realizada pelo Orador Acad. Jan Carlo Morais Oliveira Bertassoni Delorenzi

Conduzente: Acad. Ana Cláudia Camargo Miranda
Indicação: Acad. Henry Jun Suzuki, Acad. Acácio Alves de Souza Lima Filho e Acad. Lauro Domingos Moretto.

 

Natural de Oswaldo Cruz (SP), Alta Paulista, onde todo ensino fundamental ocorreu em instituições públicas em sua cidade natal. Contribuíram em sua alfabetização suas queridas irmã Genicley e tia Noely, excelentes professoras normalistas (técnicas em educação). Já desde essa época colecionava pequenos animais e plantas, fascinado pela beleza da natureza. Seu gosto pela genética veio via seu irmão mais velho Gutenberg que era dentista e professor de genética. Cursou o segundo grau na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEX) onde recebeu ensino de excelência, em especial na área exata. As vezes se lembra que nessa escola calculou, na prática da disciplina de química, usando Ampola de Crookes, relação carga/massa do elétron. No ano que concluiu o segundo grau foi o primeiro colocado de um concurso de bolsas de estudos para universidade organizado pelo curso preparatório ao vestibular: Adolfo Lutz-Regente e Exato realizado em toda região de Campinas (SP).

Não seguiu a carreira militar e ingressou na Universidade de Brasília em 1972 concluindo o curso de bacharelado em Ciências Biológicas, Habilitação Molecular em 1975. Teve o privilégio de estudar com professores cientistas de excelência as disciplinas da área de bioquímica e biologia molecular do Departamento de Biologia Celular e fazer a iniciação científica sob orientação do Professor Dr. Waldenor Barbosa de Cruz e tendo como sua orientadora acadêmica a Professora Dra. Celina de Oliveira Martin. Integrou na iniciação científica um grupo que purificava hormônio de crescimento humano (hGH), a partir de hipófises coletadas no IML, para estudar ligação do hormônio com membranas de diferentes células e tecidos e entender o seu mecanismo de ação, porém quando demandado a desenvolver a tecnologia de produção do hGH pela Central de Medicamentos, para tratamento do nanismo, o fez com presteza e competência Em outras palavras era um grupo dedicado a desenvolver ciência mas também contribuir com o desenvolvimento tecnológico brasileiro. No final de seu curso de bacharelado participou de dois concursos, no âmbito da UnB, denominados de “Desafios de Matemática” e foi campeão dos dois, recebendo uma coleção de livros e um quantia em dinheiro como prêmio e foi convidado pelos professores do programa de pós-graduação em matemática em mudar de área, mas nesse momento estava já consolidado sua paixão pela biologia molecular. Em 1976 ingressou no Mestrado em Biologia Molecular na UnB onde sob orientação do Dr. Eugen Gander defendeu sua dissertação intitulada “Estudos sobre o núcleo do Trypanosoma cruzi” em 1978, tendo descrito a estrutura da cromatina desse microrganismo patógeno.

No final de seu Curso de Mestrado foi contratado pelo Departamento de Biologia Celular (UnB) como Auxiliar de Ensino para lecionar Biologia Molecular, quando iniciou então sua carreira como docente universitário. Em seguida começou  a implantação das recentes técnicas de “Engenharia Genética” na UnB, passando também a lecionar a disciplina com o mesmo nome.  Em dezembro de 1981, já como Professor Assistente foi estagiar por 3 meses no Instituto Suíço de Pesquisas Experimentais sobre o Câncer (ISREC), no grupo do Dr. Ueli Schibler, quando clonou e analisou a expressão de diferentes genes de alfa-amilases de camundongo e reforçou seu conhecimento sobre extração e manipulação de sequências de ácidos nucleicos, bem como de regulação da expressão gênica.

De volta ao Brasil foi convidado pela Professora Dra. Ana Clara Guerrini Schenberg da USP, para participar do projeto Mandiol, que visava a construção de leveduras de cerveja capazes de hidrolisar e fermentar substratos amiláceos. Dessa interação resultou em uma levedura recombinante capaz de expressar alfa-amilase de camundongo (publicado no periódico Nature Bio/technology 4: 311-316, 1986), o que foi considerado um marco por ter sido a primeira expressão em nosso País de um gene eucariótico em uma hospedeira também eucariótica, a partir dessa colaboração foi criada uma profícua linha de pesquisa que se estende até os dias de hoje.

No período de 1979 a 1987 foi coordenador do curso de Graduação em Ciências Biológica e iniciou a orientação de mestrandos pelo curso de Mestrado em Biologia Molecular da UnB, sendo que em 1987 concluiu seu doutorado pelo Instituto de Biofísica da UFRJ, sob a orientação do Professor Dr. João Lúcio de Azevedo e Professora Dr. Ana Clara G. Schenberg, defendendo tese intitulada “Construção de um clone de Saccharomyces cerevisiae capaz de sintetizar e secretar alfa-amilase pancreática de camundongo”. Em seguida realizou pós-doutoramento no “Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade de Manchester – UMIST” sob mentoria do Professor Dr S. G. Oliver, quando isolou e caracterizou o cDNA do gene de glicoamilase de Aspergillus awamori”, que foi também clonado e expresso na levedura de cerveja.

Em 1988 a convite da BIOBRÁS – Bioquímica do Brasil S.A estabeleceu-se um Acordo de Cooperação entre a UnB e a BIOBRÁS para o “Desenvolvimento da Tecnologia de Produção de Insulina Humana por Engenharia Genética e Fermentação Microbiana”, dessa interação foi desenvolvido o primeiro biofármaco brasileiro por esse tipo moderno de biotecnologia (Patente  USA nº 6.068.993).

Em 1992 atuou em um projeto de colaboração entre a UnB e o Centro de Biotecnologia da UFRS que resultou na tecnologia de produção de Taq DNA Polimerase, a enzima mais usada em diagnóstico molecular e engenharia genética. Essa enzima passou ser produzida pelo CenBiot e isso ajudou muito a disseminação da técnica de PCR no Brasil como consequência da disponibilidade da enzima e a diminuição drástica doseu preço devido à concorrência.

Em 1995 a convite da UFAM, com intuito de desenvolver a biotecnologia no Estado do Amazonas, passou seu período de licença sabática como Professor Visitante do Instituto de Ciências Biológicas e do Centro de Apoio Multidisciplinar dessa universidade. Em 1997 ingressou no quadro da UFAM, via concurso público, como Professor Titular de Biotecnologia. Lá chegando juntamente com inúmeros colaboradores, atuou dentre outras, nas seguintes vertentes:

– Melhoria das disciplinas das áreas moleculares, introduzindo atividades práticas;
– Oferecendo  4 vezes o Curso de Especialização em Biotecnologia;
– Criando o Curso de Técnico de Nível Superior em Biotecnologia;
– Criando o Curso de Graduação Tecnológica em Biotecnologia;
– Organizando e coordenando a Rede Genômica da Amazônia Legal (REALGENE);
– Idealizando e criando o Programa Multi-Institucional de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBIOTEC – Mestrado e Doutorado);
– Implantando o Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede Bionorte (PPG-BIONORTE – Doutorado em toda Amazônia Legal).
– Idealizando e implantando o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), hoje denominado de Centro de Bionegócios da Amazônia.

Em 2005 foi convidado pela Cristália – Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda, para como assessor/consultor planejar a Divisão de Biotecnologia Farmacêutica e integrar o Conselho Científico da empresa. Em 2007 foi assinado um Acordo de Desenvolvimento Tecnológico entre a Cristália e UFAM para desenvolver a “Tecnologia de Produção do Hormônio de Crescimento Humano (hGH) por Engenharia Genética e Fermentação Microbiana”.  Esse biossimilar nacional teve seu registro aprovado pela ANVISA em 2019 e no mesmo ano chegou ao mercado com o nome de Criscy.  Em colaboração com a FIOCRUZ via PDP praticamente todo hGH distribuído pelo SUS provém deste nosso produto. Concomitantemente a Cristália desenvolveu a Tecnologia de Produção da enzima Colagenase a partir de um microrganismo isolado de solo brasileiro, atuando desde o isolamento do microrganismo, desenvolvimento da tecnologia, até a obtenção da autorização da ANVISA e lançamento no mercado (Patente USA nº 010.597.632B2). No momento a empresa desenvolve outros bioprodutos visando inovação radical para questões de grande relevância para a saúde pública.

Durante a pandemia, para atuar no seu combate, construiu na UFAM um Laboratório de nível 2B2 de biossegurança,  para que o grupo pudesse colaborar no desenvolvimento e aplicação de metodologias de diagnóstico do SARS CoV-2 baseadas tanto em procedimentos de biologia molecular como imunológicos.

Orientou até o momento 80 dissertações, 50 teses e publicou 150 artigos científicos. Obteve a concessão de 13 patentes de invenção e recebeu diversas distinções, prêmios e horarias.

Aposentou-se em 2017 como Professor Titular de Engenharia Genética do Departamento de Genética e recebeu em seguida o honroso título de Professor Emérito. Continua atuando até o momento na UFAM como Professor Titular Visitante, Docente do PPGBIOTEC e do PPG-BIONORTE e membro do seu Conselho Diretor, na Cristália continua como membro do Conselho Científico. Recentemente ingressou na área empresarial atuando na criação e consolidação de 2 startups: a Norte Genômica – Soluções Moleculares e a EteRNA Biotech.

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