São Paulo, 09 de junho de 2025 – Em um momento decisivo para o futuro da formação dos profissionais da saúde no Brasil, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil promoveu nesta segunda-feira o painel “A Nova Regulamentação do EaD e seus Efeitos nos Cursos na Área da Saúde”, como parte das atividades do eixo temático Educação em Ciências Farmacêuticas sob a coordenação da Acadêmica Silvia Storpirtis.
Com moderação do Acadêmico Jan Carlo Morais Oliveira Bertassoni Delorenzi – titular da Cadeira nº 48 da Academia e Diretor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Presbiteriana Mackenzie – o encontro teve como pano de fundo a recente publicação do Decreto nº 12.456, de 19 de maio de 2025, que institui a Nova Política Nacional de Educação a Distância (EaD). O novo marco legal reacendeu discussões sobre os limites da formação remota para profissões com alto grau de responsabilidade assistencial, como as da área da saúde.
O painel contou com a participação de especialistas de destaque no campo educacional e da saúde:
- Prof.ª Dra. Amouni Mourad – Assessora Técnica do CRF-SP e Coordenadora do Curso de Farmácia do Mackenzie
- Prof. Dr. Marcelo Fernandes – Vice-Coordenador da Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia (Regional São Paulo)
- Prof.ª Zilamar Fernandes – Coordenadora do Fórum dos Conselhos Profissionais da Área da Saúde (FCPAS)
Os convidados trouxeram perspectivas críticas sobre o decreto, que, embora reconheça a necessidade de formação presencial para cursos como Medicina, Enfermagem, Odontologia e Psicologia, excluiu o curso de Farmácia dessa exigência. Essa omissão provocou um alerta entre os especialistas quanto à possível fragilização da formação técnica e ética dos farmacêuticos.

A Prof.ª Amouni Mourad destacou a degradação da qualidade na formação farmacêutica, alertando para a superficialidade dos processos educacionais mediados unicamente pela tecnologia. “Tecnologia deve ser meio, não fim. Saúde não se brinca. Precisamos de profissionais que entendam o corpo humano e a seriedade da responsabilidade que assumem”, afirmou.
O Prof. Dr. Marcelo Fernandes reforçou a importância da prática e da escuta ativa na formação em Fisioterapia, alertando que o distanciamento entre aluno e paciente provocado pelo EaD pode comprometer significativamente a qualidade do atendimento em saúde.
Já a Prof.ª Zilamar Fernandes expôs dados alarmantes: entre 2018 e 2025, o número de vagas em cursos da saúde cresceu 601%, sem o devido controle de qualidade, o que representa um grave risco à segurança sanitária nacional. “Estamos diante de um modelo de expansão descontrolada, impulsionado por interesses comerciais. Isso precisa ser enfrentado com responsabilidade social e compromisso ético”, declarou.


Questionados sobre os caminhos possíveis para mitigar os impactos negativos do novo decreto, os participantes apontaram a mobilização conjunta da sociedade civil organizada, a pressão política por revisão da norma, e ações de conscientização pública como prioridades. A Prof.ª Zilamar destacou a campanha de esclarecimento em andamento pelo FCPAS, com foco em sensibilizar tanto gestores públicos quanto a sociedade sobre os riscos do atual modelo.

A fala do moderador, Acad. Jan Carlo Delorenzi, sintetizou a necessidade de união entre educação e saúde: “Educação em saúde precisa caminhar alinhada e com qualidade. Se elas se dissociam, o prejuízo é de toda a sociedade.” Delorenzi também defendeu a aplicação de metodologias ativas e o fortalecimento do papel do professor como provocador e mediador do conhecimento.

gravação disponível – Assista a gravação no Canal ACFB no Youtube…







































