29 ago 2025

Mudanças na Utilização de Fitoterápicos e seus Impactos sobre os Insumos Farmacêuticos Ativos Vegetais

No dia 25 de agosto de 2025, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil realizou mais uma atividade do Programa Educacional, desta vez no âmbito do eixo temático Insumos Farmacêuticos. O encontro foi moderado pelo Acadêmico Dr. Hilton Oliveira, titular da Cadeira 44, e contou com a valiosa contribuição do convidado especial, Dr. Michel de Oliveira Bastos, consultor técnico e professor com ampla experiência em fitoterápicos, controle de qualidade, validação analítica e assuntos regulatórios.

O tema central da atividade foi: “Mudanças na Utilização de Fitoterápicos e seus Impactos sobre os Insumos Farmacêuticos Ativos Vegetais (IFAVs)”, com foco nas transformações trazidas pela nova regulamentação proposta pela Anvisa, especialmente a IN nº 1290/2024, que promove uma harmonização com diretrizes europeias e impacta diretamente o desenvolvimento, registro e controle de qualidade de medicamentos fitoterápicos no Brasil.

Destaques da Apresentação

O Dr. Michel apresentou de forma didática e detalhada os conceitos-chave sobre fitoterápicos, a classificação dos extratos vegetais e as implicações regulatórias e técnico-científicas das recentes atualizações normativas. Entre os principais pontos abordados, destacam-se:

Classificação dos extratos vegetais:

A nova regulamentação propõe três categorias de extratos, com impacto direto na caracterização dos insumos ativos:

  1. Extrato Padronizado – Contém substância ativa identificada e comprovadamente responsável pelo efeito terapêutico. Permite ajustes no teor por adição de excipientes ou mistura de lotes.
  2. Extrato Quantificado – Contém marcadores ativos relacionados à atividade terapêutica, mas sem comprovação de serem os únicos responsáveis. Permite ajuste apenas por mistura de lotes.
  3. Outros Extratos – Contêm marcadores analíticos sem relação comprovada com atividade terapêutica. Não permitem ajustes de teor.

Essa nova categorização impacta desde o desenvolvimento analítico até a rotulagem e bula dos produtos, passando por validações, controle de qualidade, e estratégias de registro.

Conceitos fundamentais:

  • Droga vegetal: parte da planta utilizada como matéria-prima para obtenção do extrato.
  • Derivado vegetal: o extrato obtido a partir da droga vegetal.
  • DR (Drug Ratio): relação entre a quantidade de droga vegetal utilizada e a quantidade de extrato obtido. Passa a ser um parâmetro fundamental, inclusive para rotulagem e posologia, considerando-se o extrato isento de excipientes.

Padrões de controle de qualidade:

O palestrante abordou as mudanças nos testes obrigatórios para droga vegetal, extrato e produto acabado. Destacou-se a exigência de justificativa técnica para ausência de testes como dissolução e desintegração, mesmo quando não previstos em monografias farmacopéicas, além da ênfase em boas práticas de fabricação (BPF) e validações robustas.

Impacto para a Indústria e Mercado Nacional

Durante a sessão de perguntas e comentários, o Dr. Hilton Oliveira destacou a complexidade do tema e a clareza com que o convidado o abordou. Em sua análise, ressaltou o desafio enfrentado por diversos países europeus, onde muitos produtos fitoterápicos migraram para o registro como suplementos alimentares, dada a maior agilidade regulatória. Essa tendência, segundo o Dr. Michel, é preocupante, pois pode comprometer a qualidade e segurança dos produtos, além de gerar concorrência desleal com medicamentos devidamente registrados.

No contexto brasileiro, os participantes refletiram sobre a necessidade de vigilância e diálogo com os órgãos reguladores para evitar a banalização dos fitoterápicos e assegurar a manutenção de padrões técnico-científicos rigorosos.

Considerações Finais

O evento representou uma oportunidade ímpar de atualização para profissionais e acadêmicos envolvidos com a cadeia de medicamentos fitoterápicos no país. A complexidade da nova regulamentação exige estudo aprofundado e envolvimento ativo dos profissionais farmacêuticos, sobretudo na indústria, na pesquisa e no setor regulatório.

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil reitera seu compromisso com a educação continuada e com a disseminação do conhecimento técnico-científico, promovendo discussões de alto nível que contribuam para o avanço do setor farmacêutico nacional.

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19 ago 2025

Pesquisadora da UFRJ Apresenta Compostos Naturais com Potencial Contra o SARS-CoV-2

Na última segunda-feira, 18 de agosto, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil promoveu mais uma atividade do programa educacional gratuito, no âmbito do eixo temático “Biodiversidade, Plantas Medicinais e Inovação”, coordenado pela Profa. Dra. Rachel Castilho.

A biodiversidade brasileira pode ser uma aliada poderosa na busca por novas terapias antivirais. Foi com essa premissa que a Profa. Dra. Susana Guimarães Leitão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conduziu a apresentação do tema “Bioprospecção de metabólitos especiais da biodiversidade brasileira com ação anti-SARS-CoV-2”.

As atividades educativas gratuitas da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil são viabilizadas graças ao apoio de importantes mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCEPharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

Com mais de 30 anos de dedicação ao ensino e à pesquisa, a professora Susana — atual vice-diretora da Faculdade de Farmácia da UFRJ — relatou sua trajetória no estudo de plantas medicinais brasileiras, com foco em suas propriedades bioativas. Desde 1996, ela coordena o Laboratório de Fitoquímica e Farmacognosia da UFRJ e desenvolve estudos principalmente em química de produtos naturais, fitoterápicos, óleos essenciais e etnofarmacologia.

Durante a apresentação, a professora Susana compartilhou resultados de décadas de pesquisa com plantas medicinais, focando no estudo do gênero Siparuna — popularmente conhecido como “limão-bravo”. A partir dessas espécies, o grupo isolou substâncias com alta atividade antiviral in vitro, como o flavonoide retusina, que demonstrou eficácia comparável à de medicamentos de referência em ensaios contra o vírus SARS-CoV-2.

Além dos estudos laboratoriais, o grupo conduziu análises computacionais (triagens in silico) e ensaios com proteínas virais recombinantes, em colaboração com pesquisadores da Fiocruz e da COPPE/UFRJ, para compreender os possíveis mecanismos de ação das substâncias, com destaque para a inibição de proteases virais críticas.

“Esses resultados reforçam o potencial dos produtos naturais no enfrentamento de infecções virais emergentes, especialmente quando considerados seus múltiplos mecanismos de ação”, destacou a professora Susana.

No entanto, ela também apontou desafios regulatórios: no Brasil, a legislação atual não permite o patenteamento de extratos vegetais ou substâncias naturais, o que impõe barreiras à proteção e à transferência tecnológica dos achados. Por isso, o foco passa a ser o desenvolvimento de formulações farmacêuticas baseadas nesses compostos bioativos.

O evento reforçou a importância de investir em ciência integrada, que una biodiversidade, inovação e saúde pública. A Academia segue promovendo o diálogo entre pesquisadores, profissionais e o setor produtivo, com o objetivo de transformar conhecimento científico em soluções para a sociedade.

 

O potencial das plantas do gênero Siparuna

A pesquisa se concentrou, inicialmente, em espécies do gênero Siparuna, popularmente conhecidas como “limão-bravo”, encontradas em diversos biomas brasileiros. Essas plantas, tradicionalmente utilizadas para tratar resfriados e febres, apresentaram compostos promissores com atividade antiviral.

Entre os principais resultados, destacou-se o isolamento da substância retusina, um flavonoide tetrametilado com potente atividade in vitro contra o SARS-CoV-2. Em ensaios celulares, a retusina mostrou eficácia comparável à da cloroquina em células Vero, com índices de seletividade significativamente elevados, indicando alta segurança celular.

Data: 18 de agosto de 2025
Tema: Bioprospecção de metabólitos especiais da biodiversidade brasileira com ação anti-SARS-CoV-2
Palestrante: Profa. Dra. Susana Guimarães Leitão
Coordenação e moderação: Profa. Dra. Rachel Castilho

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14 ago 2025

Biodiversidade como aliada da saúde: especialistas destacam potencial terapêutico ibero-americano em simpósio internacional

VII Simpósio Iberoamericano de Ciências Farmacêuticas reuniu especialistas de sete países para debater a relevância e o potencial da biodiversidade iberoamericana na saúde

São Paulo, 14 de agosto de 2025 – A riqueza biológica da Ibero-América e seu valor estratégico para a saúde humana foram o foco central do VII Simpósio Iberoamericano de Ciências Farmacêuticas – A Relevância e o Potencial da Biodiversidade Iberoamericana na Saúde, realizado em 13 de agosto de 2025. Organizado pela Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, o evento online e gratuito reuniu pesquisadores renomados da Espanha, México, Peru, Argentina e Brasil.

Ao longo da tarde, especialistas debateram os avanços científicos no uso terapêutico de espécies vegetais nativas, os desafios da conservação ambiental e a importância do conhecimento tradicional no desenvolvimento de novos medicamentos.

Abertura e integração entre países

A sessão foi aberta pelo presidente da Academia, Dante Alario Junior, que destacou a necessidade de fortalecer a cooperação internacional na área farmacêutica com base na biodiversidade regional. “Estamos diante de um cenário em que a natureza pode nos oferecer respostas inovadoras e sustentáveis para os problemas de saúde, desde que saibamos respeitar, proteger e investigar nossas riquezas biológicas”, afirmou.

Destaques internacionais: Espanha, México, Peru e Argentina

Representando a Espanha, o biólogo Benito Valdés Castrillón apresentou uma análise sobre a biodiversidade ibérica e seu uso terapêutico, ressaltando que a Península Ibérica é uma das regiões mais diversas da Europa e oferece um vasto campo para pesquisas farmacobotânicas.

Do México, os pesquisadores Edelmira Linares Mazari e Robert Bye Boettler compartilharam estudos etnobotânicos com populações indígenas mexicanas. Edelmira destacou a importância da sabedoria tradicional: “Esses conhecimentos milenares não são apenas parte da cultura, mas também uma fonte legítima de inovação terapêutica”, afirmou. Já Robert Bye reforçou a necessidade de valorização científica das plantas medicinais utilizadas há séculos pelas comunidades.

O peruano Armando José Rivero Laverde apresentou experiências de desenvolvimento de fitofármacos no Peru e defendeu a criação de políticas de incentivo ao biocomércio sustentável, ressaltando o equilíbrio entre inovação científica, ética e conservação ambiental.

A palestra do argentino Alberto Gurni trouxe um tom de alerta ao abordar o tema “Biodiversidade em perigo”. Com sólida trajetória em farmacobotânica, Gurni destacou os riscos que a biodiversidade enfrenta diante da degradação ambiental. “Perder uma planta é perder uma possibilidade terapêutica, muitas vezes antes mesmo de conhecê-la”, disse.

Brasil: biomas como fonte de inovação científica

O encerramento do simpósio contou com apresentações dos brasileiros Hilton Oliveira dos Santos Filho e José Angelo Zuanazzi, que exploraram o vasto potencial dos biomas brasileiros – como Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica – para o desenvolvimento de medicamentos inovadores. Eles também apresentaram o Prêmio Pio Corrêa de Inovação em Ciências Farmacêuticas com a Biodiversidade Brasileira, iniciativa que reconhece pesquisas nacionais que aliem inovação, sustentabilidade e valorização da biodiversidade.

Reflexão e engajamento

O simpósio foi encerrado com uma sessão interativa de perguntas e respostas, que demonstrou o envolvimento de um público formado por estudantes, cientistas, profissionais da saúde e representantes da indústria farmacêutica.

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, organizadora do evento, reafirmou seu compromisso com o incentivo à ciência de excelência, à valorização do conhecimento tradicional e à proteção do patrimônio biológico ibero-americano.

Organização: Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil
Comissão Organizadora: Acadêmicos Lauro D. Moretto, Ivan Torres Marquina e Leonardo de Souza Teixeira
Apoio: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCEPharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

Assista a gravação na íntegra no Canal ACFB no YouTube

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12 ago 2025

A conferência de Dr. Cecilio Venegas ofereceu aos participantes uma rara oportunidade de compreender a profunda conexão entre a farmácia e as grandes transformações da história moderna desde as navegações até o surgimento das farmacopeias organizadas.

“Brasil e a Primeira Farmácia que Deu a Volta ao Mundo”
Eixo Temático: Educação em Ciências Farmacêuticas
Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil – 11 de agosto de 2025

No dia 11 de agosto de 2025, o Eixo Temático Educação em Ciências Farmacêuticas promoveu, como parte do Programa Educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, a conferência internacional intitulada “Brasil e a Primeira Farmácia que Deu a Volta ao Mundo”. O evento foi realizado virtualmente, pela plataforma Zoom, e foi ministrado em espanhol pelo conferencista convidado Dr. Cecilio José Venegas Fito.

A atividade teve moderação do Acadêmico Pedro de Oliveira, titular da Cadeira nº 106 e curador do Espaço Memória das Ciências Farmacêuticas no Brasil. O Eixo Temático é coordenado pela Acadêmica Silvia Storpirtis, titular da Cadeira nº 11.

Com rigor histórico e profundidade científica, o Dr. Cecilio Venegas — PhD em Farmácia pela Universidade de Sevilha, presidente do Colégio Oficial de Farmacêuticos de Badajoz, membro do Plenário do Conselho Geral dos Colégios de Farmacêuticos da Espanha, e Correspondente Estrangeiro da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil — conduziu uma verdadeira aula sobre a farmácia embarcada nas grandes expedições marítimas do século XVI.

Entre os pontos abordados, destacam-se:

  • A Farmácia na Expedição de Magalhães e Elcano (1519-1522): Pela primeira vez, uma farmácia navegou ao redor do planeta, a bordo da expedição hispano-portuguesa que completou a primeira circum-navegação do globo. O responsável pelo arsenal terapêutico da frota foi o boticário Juan Bernal, de Sevilha, que preparou os medicamentos que compuseram a botica da viagem.
  • Brasil como Rota Estratégica: A expedição tocou o território brasileiro em 29 de novembro de 1519, na Baía de Santa Lúcia (atual Baía de Guanabara), revelando o papel do Brasil como ponto de escala e de contato entre o Novo Mundo e as rotas marítimas europeias.

  • A precariedade sanitária nas caravelas: O conferencista descreveu as condições sanitárias adversas a bordo: alimentação pobre (biscoitos bolorentos, carne salgada), água de péssima qualidade e a ocorrência de inúmeras doenças — como escorbuto, sífilis, peste marítima, varíola, tifo, tuberculose, entre outras. Os remédios disponíveis eram básicos e muitas vezes ineficazes.

 

  • Medicamentos e insumos da época: A farmácia da expedição incluía preparações como unguentos, azeites medicinais, simples de origem vegetal e mineral, como alúmen, cânfora, gengibre, pimenta-do-reino, açafrão, cânfora e o mítico “triaca magna”, mistura polivalente com até 60 ingredientes, incluindo carne de víbora.

  • A dualidade da farmácia renascentista: Foi ressaltada a ambiguidade entre o papel científico e comercial do boticário na época. A botica era, ao mesmo tempo, um centro de saber empírico e um negócio vinculado ao comércio marítimo.
  • A esperança nas drogas do Novo Mundo: Com o avanço das navegações, plantas medicinais americanas como quina, coca, jaborandi, curare, catuaba, cacau e outras começaram a circular na Europa, transformando a farmácia e alimentando o desenvolvimento de um saber farmacêutico mais eficaz e diversificado.

 

A conferência de Dr. Cecilio Venegas ofereceu aos participantes uma rara oportunidade de compreender a profunda conexão entre a farmácia e as grandes transformações da história moderna desde as navegações até o surgimento das farmacopeias organizadas. Ao reconstituir com riqueza de detalhes o contexto sanitário das grandes viagens marítimas e o papel dos boticários, o evento reforçou a relevância da memória científica como elemento essencial para a formação de uma consciência crítica sobre as ciências farmacêuticas.

Essa atividade não apenas iluminou um capítulo pouco conhecido da história da farmácia, como também reafirmou o compromisso da Academia com a educação continuada, a internacionalização do conhecimento e a valorização do patrimônio histórico-científico.

As ações do Programa Educacional da Academia são gratuitas e contam com o apoio dos mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

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05 ago 2025

HPV e câncer cervical são tema de conferência com foco em prevenção e diagnóstico precoce.

No dia 04 de agosto de 2025, o Eixo Temático de Análises Clínicas e Toxicológicas promoveu a conferência virtual “Aspectos epidemiológicos, prognósticos e diagnósticos do câncer cervical: importância do HPV nesse contexto”, ministrada pela Profa. Nayara Nascimento Toledo Silva.

A atividade reuniu 261 participantes, um indicativo do crescente interesse em temas relacionados à saúde pública e à prevenção de doenças.

O objetivo da conferência foi destacar o papel do HPV (Papilomavírus Humano) no desenvolvimento do câncer cervical e reforçar a importância da prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dessa neoplasia. Segundo a conferencista, o câncer de colo do útero é o terceiro mais comum entre as mulheres no Brasil, com mais de 17 mil casos estimados somente em 2023.

A apresentação traçou um panorama histórico e científico da descoberta da associação entre o HPV e o câncer cervical, desde os primeiros relatos de verrugas humanas no início do século XX até a identificação, nas décadas de 1980 e 1990, dos tipos de HPV de alto risco (principalmente os tipos 16 e 18) como cofatores para o surgimento de lesões neoplásicas.

A Profa. Nayara explicou a estrutura do HPV, um vírus de DNA circular com cerca de 8 mil pares de base, e como sua infecção se dá principalmente na junção escamocolunar do colo do útero. Existem mais de 200 tipos de HPV, dos quais cerca de 40 infectam a região anogenital. A classificação dos tipos virais se baseia no risco oncogênico: os tipos 16 e 18 são os mais prevalentes entre os de alto risco, enquanto os tipos 6 e 11 são comuns em verrugas genitais, sem associação com câncer.

 

No Brasil, a prevalência da infecção por HPV gira em torno de 25% da população. Felizmente, estratégias eficazes de prevenção já estão disponíveis.

A conferência enfatizou a importância da vacinação como forma de prevenção primária. A vacina quadrivalente, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), protege contra os tipos de HPV associados a cerca de 70,7% dos casos de câncer cervical. Já a vacina nonavalente, disponível na rede privada, amplia essa cobertura para 87,4%. A vacinação no SUS é oferecida a meninas e meninos de 9 a 14 anos, com maior eficácia quando administrada antes do início da vida sexual — mas pessoas sexualmente ativas também podem e devem ser vacinadas.

Já em relação ao rastreamento, o Ministério da Saúde recomenda a realização periódica do exame de Papanicolau em mulheres de 25 a 64 anos. No entanto, a Organização Mundial da Saúde vem incentivando o uso do teste de HPV como método primário de rastreamento, por sua maior sensibilidade e precisão diagnóstica, reduzindo casos de falso negativo. Esses testes detectam o DNA viral, geralmente por técnicas como a PCR (reação em cadeia da polimerase).

 

A conferência foi promovida como parte do Programa Educacional da Academia de Ciências do Brasil, que oferece atividades gratuitas graças ao apoio dos seus mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCEPharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

Gravação disponível no Canal ACFB no YouTube.

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08 jul 2025

Dr. Lauro Domingos Moretto é homenageado pela Academia Nacional de Farmácia do Peru

O Presidente Emérito da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Dr. Lauro Domingos Moretto, foi homenageado no último dia 3 de julho de 2025, com sua incorporação como Membro Correspondente da Academia Nacional de Farmácia do Peru, em uma cerimônia solene que reafirma seu protagonismo nas ciências farmacêuticas na América Latina.

A solenidade foi realizada no Espaço Memória das Ciências Farmacêuticas, sede da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, em São Paulo (SP).

A recepção ao Dr. Lauro Moretto foi conduzida pelo Acadêmico Titular Dr. José Del Carmen Aliaga Arauco, representando o corpo acadêmico peruano. Em seguida, o presidente da Academia Nacional de Farmácia do Peru, Sua Excelência Dr. José Roger Juárez Eyzaguirre, realizou a imposição da medalha e a entrega oficial do diploma de Membro Correspondente, em um momento de grande simbolismo e reconhecimento institucional.

Durante a cerimônia, o presidente da Academia Nacional de Farmácia, Dr. Juárez Eyzaguirre, também proferiu um discurso oficial, enaltecendo a contribuição do Dr. Moretto para o desenvolvimento da farmácia, da ciência regulatória e da integração científica entre os países latino-americanos.

Complementando o evento, o Dr. Moretto apresentou a miniconferência “Benefícios da Harmonização e Convergência Regulatórias”, destacando a importância da cooperação internacional para garantir segurança, qualidade e eficácia nos produtos de saúde, além de fortalecer os sistemas regulatórios e ampliar o acesso da população a medicamentos de qualidade.

A homenagem representa não apenas o reconhecimento da carreira de Dr. Lauro Moretto, mas também o fortalecimento do intercâmbio científico e institucional entre o Brasil e o Peru no campo das Academias de Ciências Farmacêuticas.

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08 jul 2025

Presidente da Academia Nacional de Farmacia do Peru é incorporado como Correspondente Estrangeiro

Apresentamos oficialmente o Correspondente Estrangeiro
José Roger Juárez Eyzaguirre (Perú)
Incorporado em 03.07.2025 – Espaço Memoria das Ciências Farmacêuticas – Auditório Lauro D. Moretto – São Paulo – SP
miniconferência: Los docentes de Farmacia en el Perú: formadores de líderes?
Saudação realizada pelo Presidente Emérito Lauro D. Moretto
Indicação: Acad. Lauro D. Moretto, Acacio A. de S. Lima Filho e Walker M. Lahmann

Presidente da Academia Nacional de Farmácia – Peru
Químico Farmacêutico, formado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade Nacional Maior de San Marcos, Mestre em Biotecnologia e Doutor em Farmácia e Bioquímica; além dos títulos profissionais de Químico Farmacêutico e, posteriormente, de Especialista em Farmácia Hospitalar.
Foi fundador e presidente da Sociedade Peruana de Farmácia Hospitalar, sendo considerado uma referência nacional e internacional na área farmacêutica hospitalar.
Destaca-se um fato marcante em sua trajetória profissional: foi convidado, a partir de 2004, pela Farmacopeia dos Estados Unidos (USP) para integrar um Painel de Especialistas responsável pela tradução da Farmacopeia dos Estados Unidos para o espanhol.
Em 2012, foi agraciado com a Medalha de Ouro Hipólito Unanue, em reconhecimento à sua importante trajetória profissional e às suas contribuições para a farmácia peruana.

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06 jul 2025

José del Carmen Aliaga Arauco (Perú) é incorporado como Correspondente Estrangeiro

Solenidade realizada em São Paulo reforça laços internacionais e destaca contribuição do Chile para o avanço da ciência farmacêutica.

No dia 3 de julho de 2025, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil realizou a cerimônia oficial de incorporação do D. José del Carmen Aliaga Arauco (Perú), do Perú, como Correspondente Estrangeiro. O evento ocorreu no Espaço Memória das Ciências Farmacêuticas – Auditório Lauro D. Moretto, em São Paulo (SP), com a presença de acadêmicos, autoridades científicas e convidados especiais.

O Acadêmico Michel Kfouri Filho deu início à sessão solene com a mensagem oficial da Diretoria da Academia, destacando a importância da internacionalização da ciência e da colaboração entre instituições e pesquisadores da América Latina.

O Acadêmico Nelson de Franco proferiu o discurso de saudação ao novo Correspondente Estrangeiro, destacando sua formação, produção científica e sua atuação relevante em instituições peruanas e internacionais, entre elas  La Real Academia de Farmacia de Catalunya, Academia Iberoamericana de Farmacia. Real Academia Nacional de Farmacia e Academia Peruana de Farmacia.

colar acadêmico foi colocado pelo Acadêmico Henry Suzuki, e o diploma oficial foi entregue pelo Acadêmico Nelson de Franco, formalizando a incorporação

Apresentamos oficialmente o Correspondente Estrangeiro
José del Carmen Aliaga Arauco (Perú)
Incorporado em 03.07.2025 – Espaço Memoria das Ciências Farmacêuticas – Auditório Lauro D. Moretto – São Paulo – SP
miniconferência: Aspectos inmunológicos y fisiopatológicos del dengue grave.
Saudação realizada pelo Acadêmico Nelson de Franco
Indicação: Acad. Lauro D. Moretto, Acacio A. de S. Lima Filho e Walker M. Lahmann

Obteve o título de Químico Farmacêutico, os graus de Mestre em Fisiologia e Mestre em Administração pela Universidad Nacional Mayor de San Marcos (UNMSM), onde também obteve o grau de Doutor em Farmácia e Bioquímica. Foi bolsista do governo japonês, onde cursou o Quality Management Program (Programa de Qualidade Gerencial).

Além disso, concluiu o curso de pós-graduação “VII Curso de Altos Estudos em Política e Estratégia” no Centro de Altos Estudos Nacionais, na cidade de Lima.

Atuou nas áreas de produção e administração em indústrias farmacêuticas multinacionais por 21 anos, exercendo cargos gerenciais. Paralelamente, dedicou-se ao ensino universitário por 26 anos na UNMSM, nas categorias de Chefe de Práticas, Professor Auxiliar, Associado e Professor Titular.

Participou de cursos de graduação e pós-graduação na Faculdade de Farmácia e Bioquímica e na Faculdade de Medicina da UNMSM, ocupando também cargos diretivos no âmbito acadêmico. É professor convidado no Mestrado em Fisiologia da Faculdade de Medicina da UNMSM, atuando como docente, orientador de teses, membro avaliador de projetos de dissertação, membro de bancas examinadoras e, em alguns casos, presidente dessas bancas.

Exerceu o cargo de Diretor da Escola de Farmácia e Bioquímica da Faculdade de Ciência e Filosofia da Universidad Peruana Cayetano Heredia por um período de dez anos (2004 – outubro de 2014). Atualmente, é Professor Titular do curso de Farmácia e Bioquímica e Presidente da Comissão de Autoavaliação do curso de Farmácia e Bioquímica da Universidad Peruana Cayetano Heredia.

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04 jul 2025

Professora Caroline Ruth Weinstein Oppenheimer é empossada como Correspondente Estrangeira da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil

Solenidade realizada em São Paulo reforça laços internacionais e destaca contribuição do Chile para o avanço da ciência farmacêutica.

No dia 3 de julho de 2025, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil – Academia Nacional de Farmácia realizou a cerimônia oficial de incorporação da professora Caroline Ruth Weinstein Oppenheimer, do Chile, como Correspondente Estrangeira. O evento ocorreu no Espaço Memória das Ciências Farmacêuticas – Auditório Lauro D. Moretto, em São Paulo (SP), com a presença de acadêmicos, autoridades científicas e convidados especiais.

O Acadêmico Michel Kfouri Filho deu início à sessão solene com a mensagem oficial da Diretoria da Academia, destacando a importância da internacionalização da ciência e da colaboração entre instituições e pesquisadores da América Latina. Em suas palavras, a incorporação da Professora Caroline Oppenheimer representa o reconhecimento de uma trajetória científica exemplar e um gesto de fortalecimento dos laços acadêmicos e científicos entre Brasil e Chile.

A acadêmica Nilce Cardoso Barbosa foi a responsável por proferir o discurso de saudação à nova Membro Correspondente Estrangeira, destacando sua formação, produção científica e sua atuação relevante em instituições chilenas e internacionais. A saudação enfatizou o compromisso da homenageada com a pesquisa aplicada, inovação e formação de novos profissionais, especialmente nas áreas de microbiologia, imunologia e terapias farmacêuticas.

O colar acadêmico foi colocado pelo Acadêmico Acácio Lima Filho, e o diploma oficial foi entregue pela Acadêmica Nilce Cardoso Barbosa, formalizando a incorporação

Miniconferência

Encerrando o Ato de Posse, a Professora Caroline proferiu sua miniconferência intitulada “Terapias avanzadas ‘hechas en Chile’ para el tratamiento de heridas crónicas”, na qual apresentou pesquisas desenvolvidas no Chile com foco em terapias regenerativas e cicatrização de feridas de difícil tratamento. A apresentação evidenciou a conexão entre pesquisa científica, inovação tecnológica e impacto social na saúde pública.

A Corresponde Estrangeira Caroline Ruth Weinstein Oppenheimer é Licenciada em Química e Farmácia pela Universidade de Valparaíso, Chile, e possui Ph.D. em Microbiologia e Imunologia. É Professora Titular da Faculdade de Farmácia da Universidade de Valparaíso e coordena projetos no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação de Produtos Bioativos.

Entre suas distinções, é membro do painel de tradução da Farmacopeia dos Estados Unidos, da Comissão de Produtos Novos da ANAMED (Instituto de Saúde Pública do Chile), avaliadora de programas de pós-graduação da Comissão Nacional de Acreditação, e integrante da Associação Americana de Pesquisa em Câncer, da Sociedade de Honra Phi Kappa Phi e de diversas sociedades científicas chilenas nas áreas de biologia, farmacologia, química clínica e ciências farmacêuticas.

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02 jul 2025

Apresentamos oficialmente a Acadêmica Honorário Vanderlan da Silva Bolzani

Incorporada em 27.06.2025 – Auditório FCF Unesp – Araraquara
Patrono: Otto Richard Gottlieb
Saudação realizada pelo Presidente Emérito Lauro Domingos Moretto
Indicação: Acad. Henry Jun Suzuki, Acad. Sílvia Stanisçuaski Guterres e Acad. Adriana Raffin Pohlmann.

Vanderlan da Silva Bolzani

Cientista brasileira e Professora titular do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista e membro da coordenação do programa BIOTA-FAPESP.

Possui mestrado em química orgânica pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) e doutorado em ciências pelos mesmos instituto e universidade. Realizou estágio de pós-doutoramento no Instituto Politécnico da Universidade Estadual da Virgínia nos Estados Unidos, e obteve livre-docência pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Foi bolsista de curto prazo do DAAD, em Hannover, na Alemanha, e, professora visitante na Universidade Pierre e Marie Curie, em Paris, na França. Desenvolve pesquisa em química de produtos naturais com ênfase para a busca de substâncias bioativas, metabólitos secundários e peptídeos, metabolômica e química medicinal de produtos naturais.

Discurso de Saudação

Discurso de Posse…

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