21 out 2025

A Dra. Caroline Weinstein Oppenheimer, decana da Universidade de Valparaíso, apresentou duas décadas de pesquisa em biomateriais, células-tronco e produtos naturais aplicados à cicatrização de feridas complexas.

No dia 20 de outubro de 2025, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) deu início às atividades do eixo temático “Pesquisa Farmacêutica, Toxicológica e Clínica”, parte do Programa Educacional 2025, que reúne seis eixos voltados à atualização e difusão do conhecimento nas áreas farmacêuticas. As atividades são gratuitas e contam com o apoio institucional de empresas mantenedoras como EMS, Sindusfarma, Eurofarma, Hypera , Abifina, BD, FCE Pharma, Sincamesp, entre outras.

A sessão foi moderada pelo acadêmico Dr. Leonardo Teixeira, titular da Cadeira nº 30, que destacou a importância do eixo e apresentou a palestrante convidada, Dra. Caroline Weinstein Oppenheimer, decana da Faculdade de Farmácia da Universidade de Valparaíso (Chile), doutora em Microbiologia e Imunologia, e pesquisadora de referência internacional na área de bioatividade de produtos naturais e farmacologia molecular. Dra. Weinstein é também presidente da Região América Latina da Farmacopeia Americana (USP) e correspondente estrangeira da própria Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil.

Em sua conferência, intitulada “Terapias avançadas feitas no Chile: terapias avançadas para o tratamento de feridas”, a pesquisadora apresentou o percurso de mais de duas décadas de investigação em engenharia de tecidos, biomateriais e medicina regenerativa. O trabalho de seu grupo resultou no desenvolvimento de diversas gerações de substitutos dérmicos e matrizes biocompatíveis, com foco em feridas crônicas e cicatrização complexa.

A palestra abordou desde os primeiros estudos com matrizes de fibrina associadas a células-tronco mesenquimais, validadas segundo critérios da Associação Internacional de Terapia Celular, até a criação de sistemas tridimensionais inovadores que promovem angiogênese e regeneração tecidual. Resultados pré-clínicos e clínicos apresentados mostraram expressiva proliferação celular, formação de vasos sanguíneos e fechamento de feridas em modelos animais e pacientes humanos, com segurança e ausência de reações adversas.

A Dra. Weinstein também destacou o impacto translacional das pesquisas que culminaram na criação de InBioderme Plus C, um dos primeiros produtos chilenos de bioengenharia cutânea, atualmente licenciado à empresa Inbiotech. O grupo prossegue com novos projetos, entre eles o MatPatch, um curativo fitoterápico à base de extrato natural de Buddleja globosa (matico), planta reconhecida pela medicina tradicional chilena. O produto, em processo de patenteamento, mostrou em estudos com modelos animais aumento de vascularização, menor inflamação e melhor organização da pele regenerada.

Na sequência, foram apresentados resultados de pesquisas em andamento com inibidores de panexina-1 (PanexPatch) — moléculas que reduzem a inflamação e aceleram o fechamento de feridas isquêmicas — e com biomateriais obtidos a partir de recursos marinhos sustentáveis, como conchas e algas (cochayuyo e ulva). Esses novos protótipos mantêm alta biocompatibilidade e capacidade de adesão celular, aliando eficácia terapêutica e sustentabilidade ambiental.

Encerrando sua fala, a pesquisadora ressaltou o caráter multidisciplinar e colaborativo de sua equipe, formada por professores, estudantes e clínicos de diferentes instituições chilenas e internacionais, e enfatizou a importância da ciência latino-americana cooperativa, capaz de transformar conhecimento em soluções acessíveis e socialmente relevantes.

“A pesquisa é um trabalho coletivo e humano. Cada avanço é fruto de muitas mãos, mentes e corações comprometidos com melhorar a vida das pessoas”, afirmou Dra. Caroline Weinstein ao final da conferência.

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20 out 2025

ACFB celebra 100 anos em Sessão Especial no Senado Federal

Brasília, 20 de outubro de 2025 — A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil – Academia Nacional de Farmácia (ACFB) celebrou, em Sessão Especial no Senado Federal, o encerramento oficial de seu Centenário, consolidando-se como uma das mais antigas e respeitadas instituições científicas do país. O evento foi proposto pelo senador Eduardo Gomes e reuniu autoridades, acadêmicos e representantes das principais entidades do setor farmacêutico nacional.

Um marco para a ciência brasileira

Ao abrir a sessão, o senador Eduardo Gomes, proponente da homenagem, destacou o papel fundamental da Academia no desenvolvimento da ciência e da saúde no Brasil:

“Celebrar os 100 anos da ACFB é reconhecer a importância da ciência farmacêutica na vida de todos os brasileiros, do cuidado básico à inovação de ponta.”

O senador Eduardo Gomes finalizou dizendo que o Senado federal registre nos seus anais o reconhecimento do país a essa instituição centenária que fez da ciência não um privilégio. Mas um serviço. E que os próximos 100 anos sejam de ainda mais luz, rigor e compromisso com o Brasil. Viva a academia de ciências farmacêuticas do Brasil. Viva ciência brasileira.

 

A força da reconstrução e da resiliência

O Acadêmico Honorário Dr. Ogari Pacheco emocionou os presentes ao relatar sua trajetória de recuperação após a COVID-19, o retorno à vida profissional e sua honra em integrar a Academia:

“Um país que não fabrica seus próprios insumos farmacêuticos é um país dependente. A pandemia escancarou isso. É urgente valorizarmos a produção nacional.”

 

A memória e o renascimento da ACFB

O Presidente Emérito Lauro Domingos Moretto relembrou o esforço de reconstrução da Academia em tempos de crise:

“Passamos por dificuldades, mas hoje a Academia está forte, ativa e jubilante. Esta homenagem é uma dádiva para todos nós.”

 

Ciência com propósito: a fala do Presidente Emérito Michel Kfouri Filho

Em um discurso abrangente, Dr. Michel Kfouri Filho traçou um panorama dos pilares da ACFB: educação científica, preservação da memória, inovação, valorização da biodiversidade e da longevidade. Ressaltou a importância das universidades públicas e o protagonismo das mulheres na ciência:

“A ciência farmacêutica está em todas as fases da vida do cidadão. Desde o nascimento até a senilidade, somos essenciais à saúde pública, à economia e ao futuro do Brasil.”

Em sua fala, destacou e elogiou o trabalho realizado pela Acadêmica Sílvia Stanisçuaski Guterres como curadora do Programa Educacional, bem como a atuação do Acadêmico Hilton Oliveira dos Santos Filho na curadoria das três edições do Prêmio Pio Corrêa. Reconheceu ainda a relevante contribuição do Presidente Emérito Acácio Alves de Souza Lima Filho pela estruturação do Espaço Memória das Ciências Farmacêuticas no Brasil, em parceria com Pedro de Oliveira e José Antonio de Oliveira Batistuzzo, que compõem a curadoria do espaço.

Enalteceu também os projetos e eventos desenvolvidos pelo Presidente Emérito Lauro D. Moretto e pelo Acadêmico Nelson de Franco, voltados à promoção da importância da Vacinação. Por fim, ressaltou as ações de parcerias estratégicas que vêm ampliando a capilaridade da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, criando e fortalecendo a cooperação com faculdades e universidades de todo o país — trabalho conduzido com empenho pelo Acadêmico Henry Suzuki.

Dr. Michel Kfouri Filho finalizou dizendo: “É preciso dar protagonismo às mulheres na ciência. Elas representam metade da produção científica do país, mas ainda são minoria em posições de liderança.”

 

A voz da história e da representatividade feminina: Dra. Nilce Cardoso Barbosa

Representando o Presidente Dante Alário Jr., a 1ª Vice-Presidente da Academia, Dra. Nilce Cardoso Barbosa, proferiu uma das falas mais emblemáticas da cerimônia. Ela traçou um panorama histórico da origem da ACFB, desde a botica real em 1808, passando pela criação da Associação Brasileira de Farmacêuticos em 1916, até a fundação da Academia em 1924.

“Nossa história começa no Brasil Império e é entrelaçada com a construção da ciência nacional. A ACFB é a segunda mais antiga academia farmacêutica do mundo com esse nome.”

Destacou ainda a presença feminina desde a origem da Academia:

“Das 50 cadeiras fundadoras, duas eram ocupadas por mulheres, algo notável para 1924. Hoje, 31% das cadeiras titulares são femininas.”

Dra. Nilce também abordou com profundidade a evolução da indústria farmacêutica brasileira, a busca pela independência em insumos farmacêuticos, a valorização da biodiversidade e o papel transformador da educação científica:

“O desenvolvimento científico não significa, automaticamente, progresso humano. É preciso que ciência e humanidade caminhem juntas. Que o belo da ciência esteja nas pessoas que doam parte de si todos os dias.”

Ela encerrou com uma mensagem de esperança e responsabilidade:

“O reconhecimento do Senado Federal nos fortalece. Estamos mais motivados a continuar construindo pontes — entre profissionais, cientistas e seres humanos. Para que a ciência ajude o Brasil a superar as desigualdades em saúde.”

 

 

 

Uma instituição centenária, moderna e indispensável

A sessão comemorativa foi marcada por um profundo reconhecimento institucional e social da relevância da ACFB. Representando a pluralidade das ciências farmacêuticas, a Academia atua como polo de pensamento científico, consultoria técnica, produção de conhecimento e promoção do bem-estar social.

“Pelo Brasil e para o Brasil. Viva a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil!”

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15 out 2025

Webinar debate a crise global de desabastecimento de IFAs e medicamentos em oncologia

São Paulo, 13 de outubro de 2025 – a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil realizou a última atividade do ano do Eixo Temático de Insumos Farmacêuticos para o Programa Educacional que foi conduzida pelo Acad. Lauro Moretto, Presidente Emérito da Academia e coordenador do eixo.

A palestra “Desabastecimento Global de IFAs e Medicamentos em Oncologia: Desafios e Oportunidades”, ministrada pelo farmacêutico industrial Igor Linhares de Castro, mestre pela Northeastern University (EUA), diretor de Assuntos Regulatórios para Oncologia no Grupo Mendifarma e Presidente do Comitê Executivo da Seção de Farmácia Industrial da FIP – Federação Internacional Farmacêutica (FIP/IPS). Dr. Igor Castro trouxe um panorama técnico e geopolítico profundo sobre a crise que afeta o acesso a medicamentos oncológicos em escala global.

Um cenário multifatorial e interconectado

O palestrante apresentou um amplo conjunto de fatores que colaboram para o desabastecimento, destacando:

  • Redução do número de fabricantes de IFAs em conformidade com exigências regulatórias mais rigorosas;
  • Aumento dos custos de produção e controle de qualidade, com impacto direto sobre preços e margens;
  • Menor concorrência no setor, tornando medicamentos menos viáveis economicamente;
  • Crises geopolíticas e cadeias logísticas fragilizadas, como as guerras que afetam o fluxo global de insumos;
  • A crescente priorização do desenvolvimento de moléculas biológicas e terapias-alvo em detrimento de quimioterápicos clássicos;
  • O desafio da incorporação e financiamento de novas tecnologias de saúde, especialmente em países de média e baixa renda.

Quando o remédio de suporte falta, o inovador falha

O estudo de caso sobre o pembrolizumabe, um imunoterápico amplamente utilizado no tratamento de câncer de pulmão e melanoma, evidenciou a dependência de terapias combinadas com medicamentos clássicos, como a carboplatina. Apesar do alto custo do biológico (mais de R$ 20 mil por frasco), o acesso pleno à terapia é inviabilizado quando falta o componente de base, cujo custo pode ser dez vezes menor. A ausência desses quimioterápicos clássicos é motivo de frustração entre oncologistas e pacientes em diversos países.

 

Regulação mais exigente, oferta mais restrita

Com a convergência regulatória internacional, especialmente após a identificação de impurezas carcinogênicas como as nitrosaminas, foram introduzidas exigências mais rígidas para o controle de qualidade de IFAs. As novas normas internacionais, incorporadas pela Anvisa e baseadas em diretrizes do ICH e PIC/S, exigem uma análise de risco em três etapas (identificação, quantificação e controle), resultando em:

  • Redução do número de fornecedores qualificados;
  • Encarecimento dos insumos;
  • Aumento da complexidade regulatória para fabricantes e detentores de registros.

O resultado é um mercado mais restrito e instável, especialmente para medicamentos com preço tabelado, como ocorre no Brasil via CMED, que impede que fabricantes repassem os novos custos — tornando a produção muitas vezes inviável.

 

Estudo de caso: boas práticas e falhas de fornecimento

Castro também apresentou um cenário hipotético, mas plenamente plausível, em que a reprovação de um único fornecedor de IFA com falhas de GMP (boas práticas de fabricação) pode paralisar o fornecimento de um quimioterápico inteiro, uma vez que o medicamento é dependente daquele insumo exclusivo. Na prática, fabricantes que perdem certificações na Europa ou EUA ainda podem operar sob regimes de exceção nesses mesmos mercados, enquanto países do Sul Global ficam impossibilitados de importar, gerando desabastecimento em larga escala.

“O mesmo vale para os Estados Unidos”, afirmou Castro. “A ação coordenada entre países que fazem parte do ICH e do PIC/S, como o Brasil, Argentina, México, Colômbia e Peru, é fundamental, mas precisa vir acompanhada de debates sobre flexibilizações temporárias, especialmente em contextos de crise.”

Propostas pragmáticas e análise de risco regulatória

Entre as soluções propostas, destacou-se a criação de canais formais de diálogo entre empresas e agências reguladoras, para permitir que medicamentos temporariamente fora dos requisitos possam ser mantidos no mercado com base em análise de risco, compromissos de regularização e cronogramas claros. Castro reconhece que tais mecanismos já existem no Brasil, mas observa que os prazos ainda são longos, mesmo em situações críticas como a oncologia, onde a urgência é ainda maior.

 

Desigualdade no acesso: público vs. privado, Norte vs. Sul

Dados apresentados mostraram que, em média, pacientes no setor privado têm acesso duas vezes mais rápido a medicamentos oncológicos do que no setor público. E quando comparados países desenvolvidos com países em desenvolvimento, o tempo de acesso a novos medicamentos é 3,5 vezes mais rápido nos países de alta renda.

Casos concretos, como o pembrolizumabe, reforçam essa desigualdade. No Brasil, a incorporação da indicação de melanoma via Conitec levou 46 meses após o registro — um contraste com países como França e Reino Unido, que concluíram o processo em menos de quatro meses.

Outras indicações, como câncer de pulmão, ainda não foram formalmente incorporadas no SUS, apesar de pareceres favoráveis já emitidos. Enquanto isso, países europeus incorporaram tais indicações desde 2017.

 

Atrasos na aprovação: dados globais reforçam tendência

Segundo o GIQV (2023), dos 228 medicamentos oncológicos aprovados globalmente, apenas 57% chegaram à América Latina. O Brasil lidera as aprovações na região, mas ainda fica com menos da metade do volume disponível nos países desenvolvidos. Isso indica uma lacuna sistêmica no acesso a inovações, que se soma aos desafios logísticos e econômicos enfrentados pelos países de renda média e baixa.

 

Geopolítica e guerra: mais uma camada de complexidade

Por fim, o palestrante destacou o impacto geopolítico sobre o fornecimento de medicamentos. Um exemplo recente vem da guerra da Ucrânia: segundo um estudo europeu publicado em 2022, entre 46 centros oncológicos de sete países vizinhos, 36% relataram escassez de medicamentos oncológicos como efeito indireto do conflito. O dado evidencia como guerras e crises políticas podem afetar rapidamente cadeias de suprimento mesmo fora da zona de conflito.

 

Conclusão: um debate urgente, com soluções possíveis

A crise de desabastecimento de medicamentos oncológicos e IFAs é global, estrutural e multifatorial. A resposta requer diálogo regulatório, soluções pragmáticas e ação coordenada internacional. Castro conclui que é possível avançar mesmo sem depender apenas de fóruns multilaterais, desde que se priorize a transparência, a colaboração entre setores e a análise técnica de risco.

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil reafirma seu compromisso com o debate técnico qualificado e seguirá promovendo eventos que fomentem a construção de soluções para os desafios do setor farmacêutico nacional e global.

 

Assista a gravação na íntegra no Canal ACFB no YouTube

O Programa Educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil possui atividades gratuitas graças aos mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

 

 

 

 

 

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11 out 2025

VI Simpósio Fronteiras das Ciências Farmacêuticas reúne especialistas em temas estratégicos no XXIII Congresso Farmacêutico de São Paulo – CRF-S)

No último dia 11 de outubro de 2025, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil participou do XXIII Congresso Farmacêutico de São Paulo  CRF-SP promovendo o VI Simpósio Fronteiras das Ciências Farmacêuticas. Realizado na UNIP Paraíso/Vergueiro, o simpósio reuniu um público expressivo e engajado para discutir inovações científicas, avanços terapêuticos e desafios contemporâneos nas ciências farmacêuticas e da saúde.

A programação do simpósio contou com cinco palestras de alto nível, ministradas por especialistas renomados, e abordou temas que refletem as principais tendências e necessidades do setor.

 

Palestras que ampliam o horizonte do conhecimento

A abertura foi conduzida pelo Dr. Lauro D. Moretto, Presidente Emérito da Academia, com a palestra “A Década de 2021 a 2030 do Envelhecimento Saudável: o Potencial de Mercado Farmacêutico para Produtos e Serviços Inovadores”. Dr. Moretto destacou o impacto do envelhecimento populacional na demanda por soluções farmacêuticas que promovam qualidade de vida, além de discutir oportunidades de inovação para atender esse segmento crescente da população.

Na sequência, o Dr. Marco Antonio Stephano apresentou a palestra “Combate à Hesitação Vacinal: Causas e Estratégias de Ação”, um tema extremamente relevante no cenário atual. A apresentação ressaltou a importância de campanhas educativas, políticas públicas baseadas em evidências e o papel dos profissionais de saúde na conscientização da população sobre a segurança e eficácia das vacinas.

O Dr. Protásio Lemos da Luz, referência em cardiologia, trouxe uma abordagem inovadora com o tema “Microbioma e Saúde Cardiovascular”, abordando como os microrganismos intestinais podem influenciar diretamente a saúde do coração, abrindo novas possibilidades para terapias preventivas e personalizadas.

A quarta palestra foi conduzida pelo Dr. Gustavo Alves Andrade dos Santos, com o tema “Avanços Terapêuticos nas Doenças Neurodegenerativas”. O especialista apresentou um panorama das pesquisas atuais sobre Alzheimer, Parkinson e outras doenças neurodegenerativas, destacando novos tratamentos, tecnologias emergentes e os desafios da farmacoterapia.

Encerrando o simpósio, a Dra. Ana Claudia Camargo Miranda compartilhou seus conhecimentos sobre a “Fronteira dos Radiofármacos Teranósticos na População Idosa”, apresentando as aplicações clínicas de radiofármacos para diagnóstico e tratamento simultâneos – uma das mais promissoras frentes da medicina nuclear.

O VI Simpósio Fronteiras das Ciências Farmacêuticas consolidou-se como um espaço de excelência para o diálogo científico e a disseminação de conhecimento, cumprindo a missão da Academia de contribuir com a formação e atualização dos profissionais do setor farmacêutico.

A presença da Academia no Congresso Farmacêutico de São Paulo – CRF-SP reforça seu papel como protagonista na promoção da ciência e da inovação, frente aos desafios contemporâneos da saúde pública e do desenvolvimento tecnológico.

 

 

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07 out 2025

Doença de Alzheimer: fatores de risco e diagnóstico laboratorial

São Paulo, 6 de outubro de 2025 — A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil deu início ao eixo Análises Clínicas e Toxicológicas do seu Programa Educacional com a palestra “Doença de Alzheimer: fatores de risco e diagnóstico laboratorial”, apresentada pela Professora Dra. Karina Braga Gomes, da UFMG. A sessão foi moderada pela Acadêmica Maria das Graças Carvalho, Titular da Cadeira nº 78, que fez a abertura contextualizando a relevância do tema, seguido de um perfil acadêmico detalhado da palestrante.

O que é Alzheimer, seus principais tipos e epidemiologia

Dra. Karina iniciou explicando que demência é um termo guarda-chuva que engloba várias síndromes de declínio cognitivo progressivo, com perda de memória, linguagem, funções executivas, habilidades visioespaciais e funcionalidade cotidiana. Entre elas: Doença de Alzheimer (50‑75% dos casos), demência vascular (20‑30%), demência frontotemporal e demência por corpos de Lewy, cada qual com características clínicas distintas. A demência por corpos de Lewy, por exemplo, se destaca por alucinações visuais, flutuações cognitivas e pelo depósito de alfa‑sinucleína no cérebro, visível em exame anatomopatológico.

Na epidemiologia, foram apresentados dados dos Estados Unidos pela Alzheimer’s Association: 7,2 milhões de pessoas com Alzheimer, com distribuição por idade mostrando que a maior parcela dos casos está nos grupos mais idosos: 65‑74 anos (~26%), 75‑84 (~39%), e acima de 85 anos (~35%). Também foi destacado: mulheres têm risco mais alto — influenciado por fatores biológicos, hormonais, maior expectativa de vida, mas também por desigualdades históricas de acesso à educação. No Brasil, estudos populacionais indicam prevalência de demência (não só Alzheimer) entre 8‑9% acima de 60 anos, com projeções de crescimento significativo até 2050.

Fatores de risco ao longo da vida e prevenção

A Dra. Karina ressaltou que controlar fatores de risco desde a infância até a maturidade pode reduzir em até 45% dos casos globais de demência. No Brasil, com características populacionais específicas, esse percentual pode ser ainda maior — quase 60% — ao controlar os mesmos fatores.

  • Infância: educação de qualidade e escolaridade adequada são pilares para construção da reserva cognitiva. Baixa escolaridade (≤ 8 anos) aparece como fator de risco considerável.
  • Meia‑idade e maturidade: obesidade, hipertensão, diabetes, tabagismo, inatividade física, consumo excessivo de álcool, traumatismos cranianos, colesterol elevado (LDL), perda de visão e audição, isolamento social, poluição ambiental, depressão, entre outros.

Diversos estudos internacionais e nacionais, inclusive o ELSI‑Brasil, apoiam que intervenções sobre estilo de vida (atividade física, dieta, socialização, controle de doenças cardiovasculares) são eficazes em retardar ou reduzir risco de Alzheimer ou demência.

Mecanismos fisiopatológicos

A Dra. Karina explicou os mecanismos pelos quais esses fatores de risco contribuem para o aparecimento da doença de Alzheimer:

  • Lesões vasculares: hipertensão, colesterol alto, obesidade e diabetes favorecem dano vascular, comprometimento do fluxo cerebral e infartos silenciosos.
  • Acúmulo de beta‑amiloide (Aβ) e hiperfosforilação da proteína Tau, levando à formação de placas e emaranhados neurofibrilares, perda sináptica e morte neuronal.
  • Inflamação e ativação de astrócitos e micróglia, que amplificam o dano neural.
  • Redução da reserva cognitiva por falta de estimulação intelectual, isolamento social ou estímulos ambientais reduzidos.

Ferramentas e intervenções de estilo de vida

Foram citados estudos como FINGERS — Finlândia, U‑Yes Point e a iniciativa latino‑americana Latam FINGERS, da qual o Brasil participa, com centros em Minas Gerais, entre outros. Estes estudos aplicam intervenções múltiplas (atividade física supervisionada, dieta do tipo MIND, estímulo cognitivo, socialização, controle de doenças cardiovasculares) em indivíduos com risco elevado, e mostraram melhora cognitiva significativa após dois anos de seguimento.

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30 set 2025

Conferência “Desenvolvimento da Vacina Brasileira SM14 contra a Esquistossomose”

Nesta segunda-feira, 29 de setembro de 2025, foi realizada a atividade do eixo temático Pesquisa Farmacêutica, Toxicológica e Clínica, parte integrante do programa educacional promovido pela Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil.

O webinar marcou mais um importante momento de convergência entre ciência, inovação e saúde, com a realização da conferência intitulada “Desenvolvimento da Vacina Brasileira SM14 contra a Esquistossomose”, proferida pela renomada pesquisadora Dra. Miriam Tendler.

A sessão foi conduzida por Leonardo Teixeira, acadêmico titular da Cadeira nº 30, ao lado do Dr. Leon Rabinovich, acadêmico emérito da Academia e chefe do Laboratório de Fisiologia Bacteriana do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Dra. Miriam Tendler é uma das maiores referências mundiais em doenças infecciosas e parasitárias, com mais de três décadas dedicadas à pesquisa e ao desenvolvimento da vacina SM14, voltada à prevenção da esquistossomose — doença negligenciada que afeta mais de 200 milhões de pessoas no mundo. Médica pela UERJ, doutora em Doenças Infecciosas e Parasitárias, pós-doutora em Biologia Molecular Parasitária pelo Marine Biological Laboratories (EUA), a Dra. Tendler é pesquisadora titular da Fiocruz e coordenadora do Laboratório de Esquistossomose Experimental do IOC.

Durante a conferência, a Dra. Tendler destacou o caráter pioneiro da vacina SM14, que representa a primeira vacina brasileira desenvolvida inteiramente no país, desde a bancada até sua produção final. Com base no antígeno SM14, isolado do Schistosoma mansoni, a vacina não só apresenta eficácia contra a esquistossomose, mas também demonstrou potencial contra a fasciolose — verminose que afeta o rebanho bovino, com importantes implicações na saúde veterinária e na agropecuária.

O imunizante, fruto de um extenso e contínuo esforço científico, alia biotecnologia de ponta, inovação farmacêutica e articulação interinstitucional, tendo sido desenvolvido em colaboração com a Fiocruz, agências de fomento como FINEP e FAPERJ, a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde, além de empresas farmacêuticas nacionais como Biolab e Eurofarma, em uma estratégia de parceria público-privada (PPP). Nos últimos anos, o projeto passou a ser integralmente conduzido pela Fiocruz, com expectativa de que a vacina seja incorporada ao SUS dentro de dois anos e meio.

Outro aspecto enfatizado foi a complexa jornada de validação internacional da tecnologia, enfrentando resistências e preconceitos quanto à origem brasileira da vacina. Para superar esse cenário, a Dra. Tendler articulou diretamente com a Organização Mundial da Saúde e com o escritório diplomático da Missão Brasileira junto à ONU, em Genebra, garantindo respaldo técnico e institucional ao projeto.

A formulação da vacina SM14 utiliza uma proteína recombinante combinada com um adjuvante sintético derivado do Lipídio A, garantindo alto padrão de qualidade e segurança. Esse adjuvante, originalmente licenciado para uma grande indústria farmacêutica, passou por adaptações para uso clínico, sendo hoje parte fundamental da composição do imunizante.

Mais do que uma inovação científica, a vacina SM14 representa uma vitória estratégica para o Brasil, ao demonstrar que é possível realizar no país todo o ciclo de inovação em saúde: da pesquisa básica à produção final de vacinas de alta complexidade, colocando o Brasil na vanguarda mundial no enfrentamento de helmintíases e outras doenças negligenciadas.

Produzir uma vacina com fins humanitários significa também adotar um modelo econômico diferenciado, em que os ganhos financeiros são limitados justamente para garantir que o produto possa atingir o preço-base previsto nas políticas da OMS. Embora a OMS não compre diretamente os imunizantes, ela atua como intermediária entre os fabricantes e os países necessitados, e para isso é imprescindível que o produto siga critérios de preço e qualidade estabelecidos para produtos não-comerciais.

Portanto, o SM14 foi desenvolvido dentro desse marco regulatório de produto humanitário — o que reforça seu compromisso com a equidade no acesso à saúde, e também com o modelo de ciência pública a serviço da população, especialmente em países em desenvolvimento e regiões endêmicas.

Ao final da conferência, ficou evidente que o projeto SM14 vai além do desenvolvimento de um produto: é um marco de soberania científica, tecnológica e farmacêutica, além de um modelo inspirador para futuros projetos de inovação em saúde pública.

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil parabeniza a Dra. Miriam Tendler e sua equipe pelo trabalho incansável e visionário, que reafirma o compromisso da ciência nacional com o bem-estar coletivo e o enfrentamento das desigualdades em saúde.…

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23 set 2025

Enzimas e nanotecnologia na prevenção do envelhecimento cutâneo e câncer de pele

No dia 22 de setembro de 2025, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil promoveu mais uma edição do seu Programa Educacional, dentro da série de conferências do eixo “Tecnologia Farmacêutica e Cosmética”.

A convidada foi a Professora Dra. Carlota de Oliveira Rangel Iag, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), coordenadora do Laboratório NanoBio e pesquisadora associada ao King’s College London. A moderação ficou a cargo da Prof.ª Dr.ª Eliana Martins Lima, acadêmica titular da cadeira nº 52.

A palestra teve como foco principal o desenvolvimento de estratégias inovadoras de fotoproteção ativa para a pele, com ênfase no uso de enzimas antioxidantes e reparadoras associadas a sistemas nanoestruturados, como polimerossomas, lipossomas e nanocápsulas poliméricas. A professora Carlota destacou que a proposta vai além da proteção convencional contra a radiação ultravioleta: trata-se de prevenir e, em alguns casos, reverter os danos moleculares causados pela exposição solar, como a formação de espécies reativas de oxigênio (ROS) e lesões no DNA celular.

 

Dentre as enzimas estudadas, a catalase, que já existe naturalmente no organismo humano, demonstrou ser eficaz na eliminação do peróxido de hidrogênio gerado após exposição UV. A catalase livre foi capaz de impedir completamente a peroxidação lipídica nas camadas da pele de orelha de porco, modelo utilizado como análogo da pele humana. A versão nanoencapsulada em polimerossomas promoveu penetração mais profunda, protegendo camadas internas, mas não o estrato córneo. Para resolver essa limitação, o grupo da professora Carlota desenvolveu uma versão peguilada da enzima, que apresentou maior estabilidade em formulação e retenção nas camadas mais superficiais da pele — uma solução promissora para aplicações tópicas.

Já a fotoliase, enzima ausente no organismo humano, mas presente em diversas espécies, demonstrou capacidade de reparar lesões no DNA do tipo ciclobutano-pirimidina (CPD), típicas da radiação UV. O grupo conseguiu desenvolver, por meio de engenharia genética, uma cepa recombinante de E. coli capaz de produzir a fotoliase de Thermus thermophilus, um microrganismo extremófilo. A enzima foi obtida com alta pureza e atividade, demonstrando capacidade de reparar até 98% dos danos ao DNA em testes in vitro.

A fotoliase também foi nanoencapsulada para avaliação de sua ação em modelos celulares. Em testes com queratinócitos humanos imortalizados expostos à radiação UV, a aplicação da enzima — livre ou nanoencapsulada — favoreceu a preservação da viabilidade celular. A encapsulação em polimerossomas demonstrou resultados mais promissores nas menores concentrações testadas, ainda que doses mais elevadas tenham mostrado certa citotoxicidade associada ao próprio sistema de entrega, e não à enzima. A análise do DNA celular indicou que a fotoliase contribui efetivamente para a reversão de danos genéticos, representando em uma importante prova de conceito.

Atualmente, os estudos avançam para modelos tridimensionais de epiderme humana reconstituída, em colaboração com a professora Silvia Stuchi, da FCF-USP, exploram novas abordagens tecnológicas para melhorar a estabilidade, liberação e direcionamento da enzima, como a bioconjugação reversível da fotoliase ao ácido hialurônico, além do desenvolvimento de uma versão mutante da fotoliase fusionada a um peptídeo de endereçamento nuclear, com o objetivo de aumentar sua eficácia intracelular.

Na parte final da palestra, a professora Carlota apresentou os desdobramentos práticos de sua pesquisa, destacando a criação da startup BioBreyer, voltada à produção de proteínas terapêuticas e insumos biotecnológicos. Entre os produtos desenvolvidos estão uma L-asparaginase mutante peguilada com atividade superior à disponível comercialmente, atualmente em fase de estudos pré-clínicos, e um ácido hialurônico de alta massa molar, produzido a partir de uma levedura segura em condições NB1. A marca Bery Biotech, surgida deste contexto, já comercializa catalase e ácido hialurônico como insumos para aplicações farmacêuticas e cosméticas.

A conferência da Prof.ª Carlota evidenciou como a pesquisa acadêmica de excelência pode se traduzir em soluções inovadoras para a saúde pública e para o setor farmacêutico, promovendo a integração entre ciência básica, desenvolvimento tecnológico e empreendedorismo. Sua abordagem interdisciplinar e translacional destaca-se como exemplo de como a biotecnologia e a nanotecnologia podem ser aliadas no enfrentamento de desafios como o envelhecimento precoce e o câncer de pele.

O Programa Educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil possui atividades gratuitas graças aos mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

Assista a gravação na íntegra no Canal ACFB no YouTube

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16 set 2025

Programa Farmácias Vivas, Professor Francisco José de Abreu Matos

São Paulo, 15 de setembro de 2025 — A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) realizou um webinar do eixo temático Biodiversidade, Plantas Medicinais e Inovação. A atividade, moderada pela acadêmica titular Raquel Castilho (cadeira nº 42), contou com a participação da Dra. Mary Anne Medeiros Bandeira, que ministrou a palestra “Programa Farmácias Vivas, Professor Francisco José de Abreu Matos”.

A Dra. Mary Anne, professora das disciplinas de farmacognosia e fitoterapia da Universidade Federal do Ceará (UFC), e atual diretora do Horto de Plantas Medicinais Francisco José de Abreu Matos, apresentou a história e o legado do programa Farmácias Vivas. O programa, criado em 1983 pelo Professor Francisco José de Abreu Matos, seu orientador, nasceu com o objetivo de transferir o conhecimento científico sobre plantas medicinais para a comunidade, de forma acessível e segura.

A palestra destacou a visão inovadora do Professor Matos, que, após uma carreira dedicada à ciência, sentiu a necessidade de “devolver para a comunidade o que [ele] aprendeu”. O programa se concretiza em unidades farmacêuticas onde os usuários têm acesso a medicamentos fitoterápicos de comprovada atividade terapêutica, preparados a partir de plantas cultivadas em hortas próprias.

Um dos pontos mais ressaltados foi a importância da etnofarmacologia — a ponte entre a medicina popular e a ciência. A palestrante enfatizou a necessidade de valorizar a sabedoria popular, resultado de mais de 40 anos de pesquisas de campo realizadas pelo Professor Matos no Nordeste brasileiro. Esses estudos, catalogados em um vasto acervo científico digitalizado, revelaram informações valiosas sobre o uso de plantas regionais e a importância da regionalização na fitoterapia. A Dra. Mary Anne ilustrou isso com exemplos como o uso de eucalipto nordestino (Eucalyptus tereticornium) ou a substituição da espinheira-santa pela aroeira-do-sertão (Myracrodruon urundeuva) em farmácias vivas do Ceará, reforçando a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades de cada bioma.

A apresentação também sublinhou o aspecto educativo e social do programa, que não apenas ensina a comunidade sobre o uso correto das plantas, mas também resgata a cultura e a autoestima dos participantes, utilizando métodos lúdicos como a poesia para fixar o conhecimento científico. A Dra. Mary Anne destacou a contribuição do programa para a conservação da biodiversidade, afirmando que a distribuição de mudas de espécies úteis perpetua sua existência e fomenta a consciência ambiental. O projeto pedagógico Hortos nas Escolas, por exemplo, capacita alunos do ensino fundamental e médio, perpetuando o conhecimento e valorizando o saber tradicional.

Ainda, foi evidenciado o papel fundamental do farmacêutico no processo e o impacto socioeconômico do programa, que em municípios cearenses, por exemplo, resultou em uma contenção de despesas com medicamentos de até 200%. O Horto Matriz da UFC, além de ser um centro de pesquisa, ensino e extensão, fornece mudas certificadas e treinamento, garantindo a qualidade e segurança dos fitoterápicos. Os modelos de Farmácia Viva (1, 2 e 3) demonstram a sua adaptabilidade a diferentes realidades, com o modelo 3, que envolve a produção de fitoterápicos com controle de qualidade, sendo reconhecido pela ANVISA.

Em sua fala final, a palestrante fez um apelo para que a comunidade científica se una na criação de uma medicina tradicional brasileira, que valorize o nosso tesouro de biodiversidade. A trajetória do programa Farmácias Vivas, com o reconhecimento pelo Ministério da Saúde em 2010 e a resolução da ANVISA em 2013, mostra que, apesar das dificuldades, a iniciativa é uma resposta concreta e de sucesso às políticas nacionais de plantas medicinais. A aprovação de um projeto de lei federal, já em discussão, é vista como um passo crucial para garantir verbas e a continuidade política do programa.

A palestra da Dra. Mary Anne não apenas celebrou o legado humanista do Professor Matos, mas também serviu como um lembrete da importância de uma abordagem holística e contextualizada no estudo das plantas medicinais, conectando a ciência à realidade social das comunidades e clamando por políticas públicas que apoiem e valorizem a medicina popular brasileira.

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09 set 2025

Control de Mosquitos y Otros Vectores que Transmiten Enfermedades Infecciosas en el Contexto One Health

“A luta contra vetores não é apenas uma questão de saúde pública, mas também de responsabilidade ambiental, justiça social e proteção do planeta. Precisamos unir ciência, tecnologia, educação e cidadania para enfrentar esse desafio com inteligência e solidariedade.”
Dra. Maria dels Àngels Calvo Torras

Na última segunda-feira, 8 de setembro de 2025, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil teve a honra de receber a renomada professora e pesquisadora Dra. Maria dels Àngels Calvo Torras, para a conferência Control de Mosquitos y Otros Vectores que Transmiten Enfermedades Infecciosas en el Contexto One Health.”, realizada em formato virtual.

Referência internacional em saúde pública, veterinária e microbiologia, a Dra. Calvo Torras é professora da Universidade Autônoma de Barcelona e membro da Real Academia de Ciências Veterinárias da Espanha. Sua palestra trouxe uma análise abrangente sobre o papel dos vetores na transmissão de doenças infecciosas e os impactos que esses processos vêm sofrendo diante de fatores como a mudança climática, a urbanização acelerada, a mobilidade internacional e a fragilidade dos sistemas de vigilância sanitária em diversas partes do mundo.

A conferência destacou a crescente importância de vetores como mosquitos, garrapatas, moscas, carrapatos, pulgas e roedores na disseminação de doenças infecciosas emergentes e reemergentes. Foram discutidos os principais vírus transmitidos por mosquitos do gênero Aedes e Culex, como:

  • Dengue, Zika e Chikungunya
  • Febre Amarela e Febre do Nilo Ocidental
  • Leishmaniose
  • Doença de Lyme
  • Encefalites virais e febres hemorrágicas
  • Entre outras zoonoses de alta relevância para a saúde pública.

Todos apresentam sintomas semelhantes nas fases iniciais, mas podem evoluir de forma grave em populações vulneráveis. A vacinação existe apenas para alguns casos (ex.: dengue e febre amarela), e a prevenção depende fortemente do controle vetorial e da participação comunitária.

 

A professora evidenciou que as mudanças climáticas e o fenômeno da globalização estão expandindo a área geográfica de atuação desses vetores, inclusive em regiões anteriormente não endêmicas, como é o caso de países europeus, incluindo a Espanha

Ao longo da exposição, a Dra. Calvo Torras reiterou a necessidade de adotar uma abordagem interdisciplinar e interinstitucional, no espírito do conceito One Health (Saúde Única), que articula:

  • Saúde humana
  • Saúde animal
  • Saúde ambiental

Ela defendeu que o controle de vetores não deve ser tratado de forma isolada, e sim como uma questão de justiça ambiental, equidade social e adaptação às mudanças climáticas. Para isso, é essencial a colaboração entre profissionais da saúde, pesquisadores, gestores públicos, farmacêuticos, veterinários, biólogos, engenheiros ambientais e a própria sociedade civil.

No contexto brasileiro, a palestrante destacou que a alta carga endêmica de arboviroses, como dengue, chikungunya e febre amarela, exige programas robustos de vigilância e controle vetorial, além de políticas públicas integradas e investimentos contínuos em pesquisa, tecnologia e educação sanitária.

A conferência também reforçou o papel estratégico de instituições como a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil na promoção do conhecimento científico, na formação de lideranças técnicas e na defesa da saúde pública como valor coletivo.

Um dos destaques da conferência foi a apresentação do projeto “Mosquito Alert”, uma iniciativa criada na Catalunha e que tem mobilizado a população local no monitoramento de mosquitos vetores por meio de um aplicativo móvel gratuito.

A experiência do “Mosquito Alert” representa um exemplo inspirador de participação comunitária associada à tecnologia, capaz de fortalecer a vigilância ativa, a resposta rápida e a educação sanitária.

A Academia agradece imensamente a contribuição da Dra. Maria dels Àngels Calvo Torras e reafirma seu compromisso com a promoção de eventos científicos de excelência, que contribuam para o fortalecimento da ciência, da saúde e da cidadania no Brasil e no mundo.

O Programa Educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil possui atividades gratuitas graças aos mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

Assista a gravação na íntegra no Canal ACFB no YouTube

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02 set 2025

Educação Interprofissional em Saúde: Estado da Arte e Avanços no Brasil

Ocorreu na noite de 1º de setembro de 2025, mais uma edição do nosso programa educacional, com o webinar “Educação Interprofissional em Saúde: Estado da Arte e Avanços no Brasil”, atividade vinculada ao eixo temático de Educação em Ciências Farmacêuticas. O encontro reuniu especialistas de renome nacional em um painel multidisciplinar que abordou os caminhos, desafios e perspectivas da formação interprofissional em saúde no país.

A mediação foi realizada pelo acadêmico Jean Carlo De Lorenzi, titular da cadeira 48 da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, que conduziu os debates com profundidade e clareza, promovendo ricas reflexões junto aos painelistas convidados.

O evento contou com a presença de:

Giselle Guiguer Palmisano, Coordenadora dos cursos de Saúde do Senac São Paulo e com vasta experiência em metodologias ativas e gestão de portfólios educacionais em saúde;
Juliana Masami Morimoto, Coordenadora do Curso de Nutrição da Universidade Presbiteriana Mackenzie com sólida trajetória na docência e pesquisa em saúde pública e nutrição;

Sigisfredo Brenelli, Médico, ex-coordenador do curso de medicina da UNICAMP, e atual coordenador do curso de Medicina do Mackenzie, especialista em Educação Médica e ex-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM);

Silvia Storpirtis, Presidente do Conselho Curador da Fundação Instituto de Pesquisas Farmacêuticas (Fipfarma), Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica (SBFC), Acadêmica Titular da Cadeira nº 11 da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil USP e referência nacional na formação farmacêutica e assistência farmacêutica no SUS.

Organização: Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil –  Eixo Temático de Educação em Ciências Farmacêuticas.

Data: 01 de setembro de 2025

Atividade gravada disponibilizada no Canal ACFB no YouTube a partir de 09.09.2025 https://www.youtube.com/c/ACFBAcademiadeCienciasFarmaceuticasdoBrasil/videos

O Painel foi iniciado com uma explanação sobre o conceito de Educação Interprofissional em Saúde (EIS) — definida como a prática em que estudantes e profissionais de duas ou mais áreas da saúde aprendem uns com os outros, sobre os outros e entre si, com o objetivo de promover práticas colaborativas e melhorar a qualidade do cuidado.

A Dra. Giselle Palmisano reforçou o papel da EIS na valorização da integralidade do cuidado, desenvolvimento de competências colaborativas, promoção da segurança do paciente e fortalecimento do SUS. Ressaltou ainda que a implementação desse modelo exige ruptura com os currículos fragmentados e por disciplina ainda predominantes nas instituições de ensino.

A professora Juliana Morimoto abordou a EIS sob a ótica da formação do nutricionista, enfatizando a importância de uma abordagem integral do paciente, livre de preconceitos, e contextualizada social e culturalmente. Enfatizou o papel da escuta ativa, da multiplicidade de saberes e da prática colaborativa para melhorar o cuidado e o sistema de saúde como um todo.

O professor Sigisfredo Brenelli fez uma profunda análise histórica e crítica da estrutura curricular da formação médica no Brasil. Segundo ele, os currículos ainda refletem uma herança do século XIX, fortemente influenciados pela visão positivista, hierárquica e disciplinar, o que dificulta a interdisciplinaridade.  Defendeu que é preciso ir além da coexistência entre profissionais e caminhar para uma produção conjunta de saberes e decisões terapêuticas, com espaços dialógicos horizontais.

A professora Silvia Storpirtis fez uma reflexão a partir de um olhar sistêmico, reforçando que a EIS é uma estratégia concreta para melhorar a resolutividade dos serviços de saúde, especialmente em tempos de escassez de recursos. Defendeu o protagonismo da academia na promoção de mudanças estruturais nos currículos e a articulação com os conselhos profissionais para consolidar essa proposta.

Ficou evidente que a educação interprofissional não é apenas uma tendência, mas uma necessidade ética, pedagógica e sistêmica para formar profissionais mais preparados para os desafios da saúde contemporânea.

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