17 jun 2025

Webinar sobre Cannabis Medicinal reúne 400 participantes. Realizado ontem, o evento “Da complexidade da planta à complexidade do tratamento com produtos da Cannabis” foi um Diálogo com a presença do Dr. Paulo Orlandi Mattos, Dr. Hilton Oliveira e a Drª Rachel Castilho

Complexidade da Cannabis Medicinal é Tema de Debate em Evento da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil

Na tarde desta segunda-feira, 16 de junho de 2025, foi realizada mais uma atividade educacional do programa promovido pela Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, com foco no eixo temático “Biodiversidade, Plantas Medicinais e Inovação”. O encontro, que reuniu especialistas e interessados em terapias baseadas em fitocomplexos, abordou os desafios científicos, clínicos e regulatórios do uso da cannabis sativa como planta medicinal.

Os palestrantes Dr. Hilton Oliveira dos Santos Filho e Dr. Paulo Eduardo Orlandi Matos conduziram reflexões sobre a complexidade da planta e os obstáculos enfrentados desde o cultivo até a prescrição clínica de produtos derivados da cannabis.

Segundo Dr. Hilton, é essencial compreender que, ao contrário de outros neurotransmissores, os canabinoides não estão armazenados em vesículas, mas são produzidos sob demanda pelo organismo — o que já sugere uma peculiaridade no seu mecanismo de ação.

Dr. Paulo Orlandi destacou a intricada composição fitoquímica da cannabis e a dificuldade em garantir a padronização dos seus derivados. “A planta é complexa, os produtos também são. E os médicos querem prescrever algo que conheçam bem, com mecanismos de ação definidos. Mas ainda faltam muitos estudos”, afirmou o especialista, ressaltando que até o dia da colheita pode impactar na concentração dos canabinoides e terpenos presentes.

Durante a atividade, também foi discutida a distinção entre fitoterápicos e medicamentos sintéticos, evidenciando que a produção de medicamentos à base de plantas requer um olhar mais atento à variabilidade natural dos compostos. “É diferente trabalhar com uma única molécula sintética e lidar com um fito complexo”, completou Orlandi.

Os palestrantes enfatizaram ainda a importância da farmacologia clínica, da regulamentação atualizada e de protocolos bem definidos para garantir segurança e eficácia na prescrição. Também citaram experiências internacionais, como o uso tradicional de fitoterápicos na Alemanha, contrastando com a preferência norte-americana por fármacos sintéticos — influência que ainda permeia o modelo brasileiro.

Ao fim da sessão, ficou clara a mensagem de que o debate sobre a cannabis medicinal está apenas começando e precisa ser conduzido com base em evidências científicas, respeitando a complexidade da planta, a diversidade dos pacientes e os princípios éticos da medicina.

gravação disponível a partir de 23.06.2025 no Canal ACFB no YouTube. Siga-nos no Canal.