
Pesquisadora da UFRJ Apresenta Compostos Naturais com Potencial Contra o SARS-CoV-2
Na última segunda-feira, 18 de agosto, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil promoveu mais uma atividade do programa educacional gratuito, no âmbito do eixo temático “Biodiversidade, Plantas Medicinais e Inovação”, coordenado pela Profa. Dra. Rachel Castilho.
A biodiversidade brasileira pode ser uma aliada poderosa na busca por novas terapias antivirais. Foi com essa premissa que a Profa. Dra. Susana Guimarães Leitão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conduziu a apresentação do tema “Bioprospecção de metabólitos especiais da biodiversidade brasileira com ação anti-SARS-CoV-2”.
As atividades educativas gratuitas da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil são viabilizadas graças ao apoio de importantes mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCEPharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.
Com mais de 30 anos de dedicação ao ensino e à pesquisa, a professora Susana — atual vice-diretora da Faculdade de Farmácia da UFRJ — relatou sua trajetória no estudo de plantas medicinais brasileiras, com foco em suas propriedades bioativas. Desde 1996, ela coordena o Laboratório de Fitoquímica e Farmacognosia da UFRJ e desenvolve estudos principalmente em química de produtos naturais, fitoterápicos, óleos essenciais e etnofarmacologia.

Durante a apresentação, a professora Susana compartilhou resultados de décadas de pesquisa com plantas medicinais, focando no estudo do gênero Siparuna — popularmente conhecido como “limão-bravo”. A partir dessas espécies, o grupo isolou substâncias com alta atividade antiviral in vitro, como o flavonoide retusina, que demonstrou eficácia comparável à de medicamentos de referência em ensaios contra o vírus SARS-CoV-2.

Além dos estudos laboratoriais, o grupo conduziu análises computacionais (triagens in silico) e ensaios com proteínas virais recombinantes, em colaboração com pesquisadores da Fiocruz e da COPPE/UFRJ, para compreender os possíveis mecanismos de ação das substâncias, com destaque para a inibição de proteases virais críticas.
“Esses resultados reforçam o potencial dos produtos naturais no enfrentamento de infecções virais emergentes, especialmente quando considerados seus múltiplos mecanismos de ação”, destacou a professora Susana.
No entanto, ela também apontou desafios regulatórios: no Brasil, a legislação atual não permite o patenteamento de extratos vegetais ou substâncias naturais, o que impõe barreiras à proteção e à transferência tecnológica dos achados. Por isso, o foco passa a ser o desenvolvimento de formulações farmacêuticas baseadas nesses compostos bioativos.
O evento reforçou a importância de investir em ciência integrada, que una biodiversidade, inovação e saúde pública. A Academia segue promovendo o diálogo entre pesquisadores, profissionais e o setor produtivo, com o objetivo de transformar conhecimento científico em soluções para a sociedade.
O potencial das plantas do gênero Siparuna
A pesquisa se concentrou, inicialmente, em espécies do gênero Siparuna, popularmente conhecidas como “limão-bravo”, encontradas em diversos biomas brasileiros. Essas plantas, tradicionalmente utilizadas para tratar resfriados e febres, apresentaram compostos promissores com atividade antiviral.
Entre os principais resultados, destacou-se o isolamento da substância retusina, um flavonoide tetrametilado com potente atividade in vitro contra o SARS-CoV-2. Em ensaios celulares, a retusina mostrou eficácia comparável à da cloroquina em células Vero, com índices de seletividade significativamente elevados, indicando alta segurança celular.

Data: 18 de agosto de 2025
Tema: Bioprospecção de metabólitos especiais da biodiversidade brasileira com ação anti-SARS-CoV-2
Palestrante: Profa. Dra. Susana Guimarães Leitão
Coordenação e moderação: Profa. Dra. Rachel Castilho
