
O Eixo Temático Pesquisa Farmacêutica, Toxicológica e Clínica apresenta a Mesa Redonda Primeiros passos da Escola DCI/OMS-Brasil
Mesa Redonda destaca primeiros passos da Escola DCI/OMS-Brasil e integração das Denominações Comuns Internacionais no ensino farmacêutico
Brasília, 23 de junho de 2025 – A Academia Brasileira de Ciências Farmacêuticas realizou, nesta segunda-feira, uma mesa-redonda telemática dedicada à integração da Escola de Denominações Comuns Internacionais das Substâncias Farmacêuticas (DCI) no ensino superior farmacêutico, centrada no desenvolvimento curricular e em iniciativas de investigação.
Inserido no Eixo Temático de Pesquisa Farmacêutica, Toxicológica e Clínica, o encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir os primeiros passos da Escola DCI/OMS-Brasil, o desenvolvimento de iniciativas educacionais, projetos de pesquisa e estratégias para a segurança do uso de medicamentos.

Os convidados da Mesa Redonda discutiram a implementação de conceitos de farmacovigilância, projetos de investigação em curso e os desafios da tradução de materiais educativos para estudantes brasileiros. O debate terminou com discussões sobre a importância dos nomes dos medicamentos genéricos nos cuidados de saúde e na segurança dos doentes, bem como planos para futuras colaborações e eventos no domínio das ciências farmacêuticas.
Leonardo Régis Leira Pereira, docente da FCFRP-USP e membro da Comissão INN da OMS, defendeu a inclusão da Denominação Comum Brasileira (DCB) nas atividades curriculares desde os primeiros anos da graduação. Segundo ele, familiarizar os estudantes com os princípios das denominações comuns é essencial para sua atuação ética e precisa na identificação, prescrição e dispensação de medicamentos.

Fabiana Rossi Varallo, também da FCFRP-USP e integrante da Câmara Técnica de Farmacovigilância da ANVISA, apresentou um panorama da evolução da farmacovigilância e sua transição para um enfoque ampliado, voltado à segurança do paciente e aos desfechos terapêuticos. Destacou os riscos envolvendo medicamentos LASA (sósias e sonoros), que podem levar a erros de medicação, e defendeu a integração formal da farmacovigilância nos currículos de graduação, com foco na prevenção, reconhecimento e notificação de eventos adversos.

Maria Olívia Barboza Zanetti, professora da FCFRP-USP e pesquisadora do grupo CEPAP (Centro de Estudos em Políticas e Assistência Farmacêutica), apresentou uma visão integrada das ações de ensino, extensão e pesquisa desenvolvidas na instituição. Destacou iniciativas como a Escola de Inverno, o podcast Código Farmacêutico, as pausas farmacêuticas e projetos de pesquisa centrados na análise de sinais de segurança, como o conduzido pela mestranda Lara Bortolato, em parceria com a Anvisa. Também ressaltou a importância da tradução dos materiais oficiais da Escola DCI para o português, como estratégia de inclusão e acessibilidade para o público acadêmico brasileiro.
Albert Figueras, professor da Universitat Autònoma de Barcelona e diretor do Centro Colaborador da OMS em Farmacoepidemiologia, reforçou a importância da acessibilidade linguística na formação global dos profissionais de saúde. Ele compartilhou experiências com a tradução de materiais educacionais sobre raízes e medicamentos farmacêuticos para diferentes idiomas — incluindo português, inglês e chinês —, visando atender à diversidade linguística de estudantes ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Sua fala evidenciou o valor da colaboração internacional para ampliar o alcance e a eficácia das estratégias de ensino.
A mesa-redonda foi encerrada com a reafirmação do compromisso dos participantes com a consolidação da Escola DCI/OMS-Brasil como um polo de referência na formação e capacitação técnica para a elaboração de diretrizes clínicas, nomenclatura farmacêutica, farmacovigilância e uso racional de medicamentos. A iniciativa busca promover uma atuação mais segura, científica e alinhada às necessidades da saúde pública nacional e global.
