05 ago 2025

HPV e câncer cervical são tema de conferência com foco em prevenção e diagnóstico precoce.

No dia 04 de agosto de 2025, o Eixo Temático de Análises Clínicas e Toxicológicas promoveu a conferência virtual “Aspectos epidemiológicos, prognósticos e diagnósticos do câncer cervical: importância do HPV nesse contexto”, ministrada pela Profa. Nayara Nascimento Toledo Silva.

A atividade reuniu 261 participantes, um indicativo do crescente interesse em temas relacionados à saúde pública e à prevenção de doenças.

O objetivo da conferência foi destacar o papel do HPV (Papilomavírus Humano) no desenvolvimento do câncer cervical e reforçar a importância da prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dessa neoplasia. Segundo a conferencista, o câncer de colo do útero é o terceiro mais comum entre as mulheres no Brasil, com mais de 17 mil casos estimados somente em 2023.

A apresentação traçou um panorama histórico e científico da descoberta da associação entre o HPV e o câncer cervical, desde os primeiros relatos de verrugas humanas no início do século XX até a identificação, nas décadas de 1980 e 1990, dos tipos de HPV de alto risco (principalmente os tipos 16 e 18) como cofatores para o surgimento de lesões neoplásicas.

A Profa. Nayara explicou a estrutura do HPV, um vírus de DNA circular com cerca de 8 mil pares de base, e como sua infecção se dá principalmente na junção escamocolunar do colo do útero. Existem mais de 200 tipos de HPV, dos quais cerca de 40 infectam a região anogenital. A classificação dos tipos virais se baseia no risco oncogênico: os tipos 16 e 18 são os mais prevalentes entre os de alto risco, enquanto os tipos 6 e 11 são comuns em verrugas genitais, sem associação com câncer.

 

No Brasil, a prevalência da infecção por HPV gira em torno de 25% da população. Felizmente, estratégias eficazes de prevenção já estão disponíveis.

A conferência enfatizou a importância da vacinação como forma de prevenção primária. A vacina quadrivalente, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), protege contra os tipos de HPV associados a cerca de 70,7% dos casos de câncer cervical. Já a vacina nonavalente, disponível na rede privada, amplia essa cobertura para 87,4%. A vacinação no SUS é oferecida a meninas e meninos de 9 a 14 anos, com maior eficácia quando administrada antes do início da vida sexual — mas pessoas sexualmente ativas também podem e devem ser vacinadas.

Já em relação ao rastreamento, o Ministério da Saúde recomenda a realização periódica do exame de Papanicolau em mulheres de 25 a 64 anos. No entanto, a Organização Mundial da Saúde vem incentivando o uso do teste de HPV como método primário de rastreamento, por sua maior sensibilidade e precisão diagnóstica, reduzindo casos de falso negativo. Esses testes detectam o DNA viral, geralmente por técnicas como a PCR (reação em cadeia da polimerase).

 

A conferência foi promovida como parte do Programa Educacional da Academia de Ciências do Brasil, que oferece atividades gratuitas graças ao apoio dos seus mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCEPharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.

Gravação disponível no Canal ACFB no YouTube.