09 mar 2026

Debate sobre Exame de Proficiência reúne especialistas em webinar da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil

A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil promoveu, no dia 9 de março de 2026, mais uma atividade do seu programa educacional, no âmbito do Eixo Temático Educação em Ciências Farmacêuticas. O webinar “O Exame de Proficiência para o exercício profissional na área da saúde e suas implicações práticas” reuniu especialistas para discutir os fundamentos, desafios e possíveis impactos da adoção desse tipo de avaliação na formação e no exercício das profissões da saúde.

A abertura do encontro foi conduzida pelo Acadêmico Jan Carlo Morais Oliveira Bertassoni Delorenzi, Titular da Cadeira nº 48 da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil e Diretor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em sua fala inicial, o moderador destacou a importância de discutir mecanismos que permitam avaliar de forma mais precisa a formação dos profissionais que ingressam no mercado de trabalho.

Segundo ele, o tema tem provocado debates relevantes tanto no campo da formação acadêmica quanto no exercício profissional. “Precisamos refletir sobre que tipo de profissional estamos formando e se temos segurança em relação à qualidade daqueles que chegam ao mercado de trabalho, especialmente considerando que lidamos diretamente com a saúde da população e com a segurança do paciente”, afirmou.

O encontro contou com a participação do médico Alcindo Cerci Neto, Conselheiro Federal Titular pelo estado do Paraná no Conselho Federal de Medicina, professor adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e coordenador do Programa de Residência em Pneumologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e do farmacêutico Alexandre Bechara, coordenador do Grupo Técnico de Trabalho em Educação Farmacêutica do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP).

Durante sua apresentação, Alcindo Cerci Neto apresentou a experiência do Conselho Federal de Medicina na discussão sobre a implementação de um exame de licenciamento para médicos. Ele destacou que o debate surge diante de desafios estruturais na formação médica no país, especialmente em razão da expansão acelerada do número de cursos de medicina nas últimas décadas.

De acordo com o especialista, o Brasil registra atualmente um crescimento expressivo no número de profissionais formados anualmente, o que reforça a necessidade de mecanismos adicionais de avaliação. Nesse contexto, ele ressaltou a importância de distinguir dois processos distintos: a avaliação das instituições de ensino e a avaliação dos profissionais egressos.

“Quando avaliamos cursos, analisamos estrutura, corpo docente e projeto pedagógico. Já a avaliação do egresso busca verificar se o profissional que concluiu sua formação possui as competências necessárias para atender a população com segurança”, explicou.

O palestrante também destacou que exames de licenciamento profissional são amplamente utilizados em outros países, como Estados Unidos e Canadá, onde os processos avaliativos incluem tanto provas teóricas quanto avaliações práticas, voltadas para a análise de habilidades clínicas e da tomada de decisão em situações reais.

Segundo Cerci Neto, a lógica central de um exame de proficiência não é punitiva, mas sim voltada à proteção da sociedade. “A questão principal é garantir que o profissional que chega ao paciente esteja devidamente preparado. Trata-se de uma medida de responsabilidade com a população”, afirmou.

Na sequência, Alexandre Bechara apresentou a perspectiva da área farmacêutica, destacando que os cursos de Farmácia também passaram por uma expansão significativa nos últimos anos. De acordo com ele, o crescimento da oferta de cursos — especialmente na modalidade a distância — tem gerado preocupações quanto à qualidade da formação dos profissionais da saúde.

O farmacêutico ressaltou que a formação em saúde exige o desenvolvimento de competências práticas, além do domínio teórico, o que torna a presencialidade um elemento fundamental no processo formativo. Segundo ele, a expansão desordenada do ensino superior pode gerar lacunas na formação profissional e impactos na qualidade da assistência prestada à população.

Bechara também destacou que diferentes setores do mercado farmacêutico têm manifestado preocupações com a qualificação dos profissionais recém-formados, especialmente em áreas mais especializadas, como a indústria farmacêutica e o desenvolvimento tecnológico.

Nesse contexto, ele explicou que o debate sobre a criação de um exame de avaliação de egressos já ocorre há anos dentro do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. A proposta discutida no âmbito da entidade prevê um modelo de avaliação que permita gerar indicadores sobre a formação dos profissionais e contribuir para o aprimoramento do ensino.

“O objetivo não é punir o estudante, mas compreender como está a formação do profissional que chega ao mercado. Avaliar o egresso pode servir como um importante indicador da qualidade da educação superior”, destacou.

Durante o debate, os participantes também abordaram questões relacionadas à revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais e aos desafios de adaptar a formação profissional às transformações tecnológicas e às demandas do sistema de saúde. Entre os pontos discutidos esteve a necessidade de maior articulação entre instituições de ensino, conselhos profissionais e formuladores de políticas públicas.

Ao responder perguntas do público, os palestrantes também discutiram os obstáculos políticos e institucionais para a implementação de exames de proficiência no Brasil, bem como a importância da cooperação entre diferentes conselhos de classe da área da saúde para fortalecer iniciativas voltadas à melhoria da formação profissional.

No encerramento do webinar, os especialistas destacaram que o principal objetivo das propostas de avaliação profissional deve ser a proteção da sociedade e a garantia de que os cidadãos sejam atendidos por profissionais qualificados.

Para Alcindo Cerci Neto, a sociedade precisa compreender que a qualificação profissional é uma questão de respeito ao paciente. “Quando alguém procura atendimento em um hospital, em uma farmácia ou em qualquer serviço de saúde, espera encontrar um profissional preparado. Garantir essa qualidade é uma forma de respeito à população”, afirmou.

Alexandre Bechara reforçou que educação e saúde são direitos fundamentais da população e que a qualificação dos profissionais é parte essencial desse compromisso social. Segundo ele, é necessário ampliar o debate público sobre a formação em saúde, envolvendo estudantes, docentes, profissionais e a sociedade.

A atividade reafirma o compromisso da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil em promover espaços qualificados de diálogo sobre temas estratégicos para a educação e para o exercício das profissões da saúde.

Participe das próximas atividades

O programa educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil oferece atividades gratuitas ao longo do ano. Os interessados podem acompanhar a agenda de eventos e participar das próximas discussões promovidas pela instituição.

Além disso, todas as edições dos webinars e eventos já realizados estão disponíveis para acesso no canal da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil no YouTube, permitindo rever conteúdos e acompar os debates promovidos pela Academia.

As atividades educacionais da ACFB são viabilizadas graças ao apoio institucional de seus mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.