
Apresentamos oficialmente o Acadêmico Honorário Spartaco Astolfi
A Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil oficializou a incorporação do Dr. Spartaco Astolfi Filho como Acadêmico Honorário da instituição. A cerimônia foi realizada em 27 de fevereiro de 2026, no Espaço Memória das Ciências Farmacêuticas no Brasil, no Auditório Lauro Domingos Moretto, na sede da entidade, em São Paulo (SP).
O título de Acadêmico Honorário é concedido a personalidades de reconhecida contribuição para o avanço das Ciências Farmacêuticas no país, destacando trajetórias de excelência acadêmica, científica e profissional. A incorporação do Dr. Spartaco Astolfi Filho reforça o compromisso da Academia com a valorização de pesquisadores que contribuem de forma significativa para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil.

Acadêmico Honorário Spartaco Astolfi Filho
Patrono: Josef Ernest Thiemann
Saudação realizada pelo Orador Acad. Jan Carlo Morais Oliveira Bertassoni Delorenzi
Conduzente: Acad. Ana Cláudia Camargo Miranda
Indicação: Acad. Henry Jun Suzuki, Acad. Acácio Alves de Souza Lima Filho e Acad. Lauro Domingos Moretto.
Natural de Oswaldo Cruz (SP), Alta Paulista, onde todo ensino fundamental ocorreu em instituições públicas em sua cidade natal. Contribuíram em sua alfabetização suas queridas irmã Genicley e tia Noely, excelentes professoras normalistas (técnicas em educação). Já desde essa época colecionava pequenos animais e plantas, fascinado pela beleza da natureza. Seu gosto pela genética veio via seu irmão mais velho Gutenberg que era dentista e professor de genética. Cursou o segundo grau na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEX) onde recebeu ensino de excelência, em especial na área exata. As vezes se lembra que nessa escola calculou, na prática da disciplina de química, usando Ampola de Crookes, relação carga/massa do elétron. No ano que concluiu o segundo grau foi o primeiro colocado de um concurso de bolsas de estudos para universidade organizado pelo curso preparatório ao vestibular: Adolfo Lutz-Regente e Exato realizado em toda região de Campinas (SP).
Não seguiu a carreira militar e ingressou na Universidade de Brasília em 1972 concluindo o curso de bacharelado em Ciências Biológicas, Habilitação Molecular em 1975. Teve o privilégio de estudar com professores cientistas de excelência as disciplinas da área de bioquímica e biologia molecular do Departamento de Biologia Celular e fazer a iniciação científica sob orientação do Professor Dr. Waldenor Barbosa de Cruz e tendo como sua orientadora acadêmica a Professora Dra. Celina de Oliveira Martin. Integrou na iniciação científica um grupo que purificava hormônio de crescimento humano (hGH), a partir de hipófises coletadas no IML, para estudar ligação do hormônio com membranas de diferentes células e tecidos e entender o seu mecanismo de ação, porém quando demandado a desenvolver a tecnologia de produção do hGH pela Central de Medicamentos, para tratamento do nanismo, o fez com presteza e competência Em outras palavras era um grupo dedicado a desenvolver ciência mas também contribuir com o desenvolvimento tecnológico brasileiro. No final de seu curso de bacharelado participou de dois concursos, no âmbito da UnB, denominados de “Desafios de Matemática” e foi campeão dos dois, recebendo uma coleção de livros e um quantia em dinheiro como prêmio e foi convidado pelos professores do programa de pós-graduação em matemática em mudar de área, mas nesse momento estava já consolidado sua paixão pela biologia molecular. Em 1976 ingressou no Mestrado em Biologia Molecular na UnB onde sob orientação do Dr. Eugen Gander defendeu sua dissertação intitulada “Estudos sobre o núcleo do Trypanosoma cruzi” em 1978, tendo descrito a estrutura da cromatina desse microrganismo patógeno.
No final de seu Curso de Mestrado foi contratado pelo Departamento de Biologia Celular (UnB) como Auxiliar de Ensino para lecionar Biologia Molecular, quando iniciou então sua carreira como docente universitário. Em seguida começou a implantação das recentes técnicas de “Engenharia Genética” na UnB, passando também a lecionar a disciplina com o mesmo nome. Em dezembro de 1981, já como Professor Assistente foi estagiar por 3 meses no Instituto Suíço de Pesquisas Experimentais sobre o Câncer (ISREC), no grupo do Dr. Ueli Schibler, quando clonou e analisou a expressão de diferentes genes de alfa-amilases de camundongo e reforçou seu conhecimento sobre extração e manipulação de sequências de ácidos nucleicos, bem como de regulação da expressão gênica.
De volta ao Brasil foi convidado pela Professora Dra. Ana Clara Guerrini Schenberg da USP, para participar do projeto Mandiol, que visava a construção de leveduras de cerveja capazes de hidrolisar e fermentar substratos amiláceos. Dessa interação resultou em uma levedura recombinante capaz de expressar alfa-amilase de camundongo (publicado no periódico Nature Bio/technology 4: 311-316, 1986), o que foi considerado um marco por ter sido a primeira expressão em nosso País de um gene eucariótico em uma hospedeira também eucariótica, a partir dessa colaboração foi criada uma profícua linha de pesquisa que se estende até os dias de hoje.
No período de 1979 a 1987 foi coordenador do curso de Graduação em Ciências Biológica e iniciou a orientação de mestrandos pelo curso de Mestrado em Biologia Molecular da UnB, sendo que em 1987 concluiu seu doutorado pelo Instituto de Biofísica da UFRJ, sob a orientação do Professor Dr. João Lúcio de Azevedo e Professora Dr. Ana Clara G. Schenberg, defendendo tese intitulada “Construção de um clone de Saccharomyces cerevisiae capaz de sintetizar e secretar alfa-amilase pancreática de camundongo”. Em seguida realizou pós-doutoramento no “Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade de Manchester – UMIST” sob mentoria do Professor Dr S. G. Oliver, quando isolou e caracterizou o cDNA do gene de glicoamilase de Aspergillus awamori”, que foi também clonado e expresso na levedura de cerveja.
Em 1988 a convite da BIOBRÁS – Bioquímica do Brasil S.A estabeleceu-se um Acordo de Cooperação entre a UnB e a BIOBRÁS para o “Desenvolvimento da Tecnologia de Produção de Insulina Humana por Engenharia Genética e Fermentação Microbiana”, dessa interação foi desenvolvido o primeiro biofármaco brasileiro por esse tipo moderno de biotecnologia (Patente USA nº 6.068.993).
Em 1992 atuou em um projeto de colaboração entre a UnB e o Centro de Biotecnologia da UFRS que resultou na tecnologia de produção de Taq DNA Polimerase, a enzima mais usada em diagnóstico molecular e engenharia genética. Essa enzima passou ser produzida pelo CenBiot e isso ajudou muito a disseminação da técnica de PCR no Brasil como consequência da disponibilidade da enzima e a diminuição drástica doseu preço devido à concorrência.
Em 1995 a convite da UFAM, com intuito de desenvolver a biotecnologia no Estado do Amazonas, passou seu período de licença sabática como Professor Visitante do Instituto de Ciências Biológicas e do Centro de Apoio Multidisciplinar dessa universidade. Em 1997 ingressou no quadro da UFAM, via concurso público, como Professor Titular de Biotecnologia. Lá chegando juntamente com inúmeros colaboradores, atuou dentre outras, nas seguintes vertentes:
– Melhoria das disciplinas das áreas moleculares, introduzindo atividades práticas;
– Oferecendo 4 vezes o Curso de Especialização em Biotecnologia;
– Criando o Curso de Técnico de Nível Superior em Biotecnologia;
– Criando o Curso de Graduação Tecnológica em Biotecnologia;
– Organizando e coordenando a Rede Genômica da Amazônia Legal (REALGENE);
– Idealizando e criando o Programa Multi-Institucional de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBIOTEC – Mestrado e Doutorado);
– Implantando o Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede Bionorte (PPG-BIONORTE – Doutorado em toda Amazônia Legal).
– Idealizando e implantando o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), hoje denominado de Centro de Bionegócios da Amazônia.
Em 2005 foi convidado pela Cristália – Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda, para como assessor/consultor planejar a Divisão de Biotecnologia Farmacêutica e integrar o Conselho Científico da empresa. Em 2007 foi assinado um Acordo de Desenvolvimento Tecnológico entre a Cristália e UFAM para desenvolver a “Tecnologia de Produção do Hormônio de Crescimento Humano (hGH) por Engenharia Genética e Fermentação Microbiana”. Esse biossimilar nacional teve seu registro aprovado pela ANVISA em 2019 e no mesmo ano chegou ao mercado com o nome de Criscy. Em colaboração com a FIOCRUZ via PDP praticamente todo hGH distribuído pelo SUS provém deste nosso produto. Concomitantemente a Cristália desenvolveu a Tecnologia de Produção da enzima Colagenase a partir de um microrganismo isolado de solo brasileiro, atuando desde o isolamento do microrganismo, desenvolvimento da tecnologia, até a obtenção da autorização da ANVISA e lançamento no mercado (Patente USA nº 010.597.632B2). No momento a empresa desenvolve outros bioprodutos visando inovação radical para questões de grande relevância para a saúde pública.
Durante a pandemia, para atuar no seu combate, construiu na UFAM um Laboratório de nível 2B2 de biossegurança, para que o grupo pudesse colaborar no desenvolvimento e aplicação de metodologias de diagnóstico do SARS CoV-2 baseadas tanto em procedimentos de biologia molecular como imunológicos.
Orientou até o momento 80 dissertações, 50 teses e publicou 150 artigos científicos. Obteve a concessão de 13 patentes de invenção e recebeu diversas distinções, prêmios e horarias.
Aposentou-se em 2017 como Professor Titular de Engenharia Genética do Departamento de Genética e recebeu em seguida o honroso título de Professor Emérito. Continua atuando até o momento na UFAM como Professor Titular Visitante, Docente do PPGBIOTEC e do PPG-BIONORTE e membro do seu Conselho Diretor, na Cristália continua como membro do Conselho Científico. Recentemente ingressou na área empresarial atuando na criação e consolidação de 2 startups: a Norte Genômica – Soluções Moleculares e a EteRNA Biotech.
