02 set 2025

Educação Interprofissional em Saúde: Estado da Arte e Avanços no Brasil

Ocorreu na noite de 1º de setembro de 2025, mais uma edição do nosso programa educacional, com o webinar “Educação Interprofissional em Saúde: Estado da Arte e Avanços no Brasil”, atividade vinculada ao eixo temático de Educação em Ciências Farmacêuticas. O encontro reuniu especialistas de renome nacional em um painel multidisciplinar que abordou os caminhos, desafios e perspectivas da formação interprofissional em saúde no país.

A mediação foi realizada pelo acadêmico Jean Carlo De Lorenzi, titular da cadeira 48 da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, que conduziu os debates com profundidade e clareza, promovendo ricas reflexões junto aos painelistas convidados.

O evento contou com a presença de:

Giselle Guiguer Palmisano, Coordenadora dos cursos de Saúde do Senac São Paulo e com vasta experiência em metodologias ativas e gestão de portfólios educacionais em saúde;
Juliana Masami Morimoto, Coordenadora do Curso de Nutrição da Universidade Presbiteriana Mackenzie com sólida trajetória na docência e pesquisa em saúde pública e nutrição;

Sigisfredo Brenelli, Médico, ex-coordenador do curso de medicina da UNICAMP, e atual coordenador do curso de Medicina do Mackenzie, especialista em Educação Médica e ex-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM);

Silvia Storpirtis, Presidente do Conselho Curador da Fundação Instituto de Pesquisas Farmacêuticas (Fipfarma), Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica (SBFC), Acadêmica Titular da Cadeira nº 11 da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil USP e referência nacional na formação farmacêutica e assistência farmacêutica no SUS.

Organização: Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil –  Eixo Temático de Educação em Ciências Farmacêuticas.

Data: 01 de setembro de 2025

Atividade gravada disponibilizada no Canal ACFB no YouTube a partir de 09.09.2025 https://www.youtube.com/c/ACFBAcademiadeCienciasFarmaceuticasdoBrasil/videos

O Painel foi iniciado com uma explanação sobre o conceito de Educação Interprofissional em Saúde (EIS) — definida como a prática em que estudantes e profissionais de duas ou mais áreas da saúde aprendem uns com os outros, sobre os outros e entre si, com o objetivo de promover práticas colaborativas e melhorar a qualidade do cuidado.

A Dra. Giselle Palmisano reforçou o papel da EIS na valorização da integralidade do cuidado, desenvolvimento de competências colaborativas, promoção da segurança do paciente e fortalecimento do SUS. Ressaltou ainda que a implementação desse modelo exige ruptura com os currículos fragmentados e por disciplina ainda predominantes nas instituições de ensino.

A professora Juliana Morimoto abordou a EIS sob a ótica da formação do nutricionista, enfatizando a importância de uma abordagem integral do paciente, livre de preconceitos, e contextualizada social e culturalmente. Enfatizou o papel da escuta ativa, da multiplicidade de saberes e da prática colaborativa para melhorar o cuidado e o sistema de saúde como um todo.

O professor Sigisfredo Brenelli fez uma profunda análise histórica e crítica da estrutura curricular da formação médica no Brasil. Segundo ele, os currículos ainda refletem uma herança do século XIX, fortemente influenciados pela visão positivista, hierárquica e disciplinar, o que dificulta a interdisciplinaridade.  Defendeu que é preciso ir além da coexistência entre profissionais e caminhar para uma produção conjunta de saberes e decisões terapêuticas, com espaços dialógicos horizontais.

A professora Silvia Storpirtis fez uma reflexão a partir de um olhar sistêmico, reforçando que a EIS é uma estratégia concreta para melhorar a resolutividade dos serviços de saúde, especialmente em tempos de escassez de recursos. Defendeu o protagonismo da academia na promoção de mudanças estruturais nos currículos e a articulação com os conselhos profissionais para consolidar essa proposta.

Ficou evidente que a educação interprofissional não é apenas uma tendência, mas uma necessidade ética, pedagógica e sistêmica para formar profissionais mais preparados para os desafios da saúde contemporânea.