27 out 2026

Da casca à semente: Webinar revela o valor biotecnológico do puçá-amarelo (Mouriri grandiflora)

Na última segunda-feira, 26 de outubro de 2026, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil realizou mais uma atividade de seu Programa Educacional. O evento encerrou a programação do eixo temático de Biodiversidade, Plantas Medicinais e Inovação, celebrando trabalhos de excelência premiados no III Prêmio Pio Corrêa de Inovação em Ciências Farmacêuticas com a Biodiversidade Brasileira.

A moderação esteve a cargo da Acad. Profa. Rachel Castilho, Titular da Cadeira nº 41 da ACFB e docente da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, que destacou a importância de valorizar a biodiversidade brasileira como fonte inesgotável para o desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas à saúde.

A conferência foi proferida pela Doutora Camila Mariane da Silva Soares, doutora em Ciências dos Alimentos, mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos, graduada em Engenharia de Alimentos e Tecnóloga em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, e a sessão de perguntas e comentário conduzida pela Profa. Dra. Glêndara Aparecida de Souza Martins, coordenadora no grupo de pesquisa Modelagem Cinética e Avaliação de Sistemas Alimentares e Biotecnológicos e Vice-diretora do Câmpus de Palmas da Universidade Federal do Tocantins. (Universidade Federal do Tocantins – UFT).

Valorização de Espécies Nativas e Reaproveitamento Integral

A pesquisa apresentada foi laureada com Menção Honrosa na Categoria Master do III Prêmio Pio Corrêa (2025), iniciativa da Academia que estimula a inovação farmacêutica baseada na flora nacional.

O estudo centrou-se na caracterização integral do puçá-amarelo (Mouriri grandiflora), fruteira nativa dos biomas Cerrado e Amazônia — popularmente conhecida como a “jabuticaba do Cerrado”, encontrada com abundância na região de Palmas e Lajeado (Tocantins), mas ainda subutilizada pela indústria e pouco conhecida pelo grande público.

A pesquisadora enfatizou que, enquanto grande parte dos estudos agronômicos e industriais se restringe à análise da polpa, o trabalho avaliou de forma sistêmica a polpa, as cascas e as sementes. O objetivo foi demonstrar que frações frequentemente descartadas como resíduos agroindustriais possuem concentrações expressivas de compostos bioativos de alto valor agregado para os setores alimentício, farmacêutico e cosmético.

Metodologia Robusta e Simulação Gastrointestinal (In Vitro)

Um dos grandes diferenciais da pesquisa foi a aplicação do protocolo internacional de digestão gastrointestinal simulada Infogest (em modelo estático). O método permitiu mimetizar em laboratório as fases oral, gástrica e intestinal pelas quais o fruto passa no organismo humano, avaliando o comportamento real, a estabilidade e a bioacessibilidade dos compostos antioxidantes após o consumo.

Dentre os principais resultados físico-químicos e fitoquímicos apresentados destacam-se:

  • Composição Nutricional e Macromoléculas: A polpa apresentou expressivo teor de umidade e presença marcante de açúcares naturais (como frutose) e ácidos orgânicos (como o ácido málico e o ácido ascórbico/vitamina C). Já as sementes revelaram um notável teor lipídico (cerca de 17,35%) e proteico (21,56%), além de concentrações relevantes de aminoácidos essenciais.
  • Compostos Bioativos e Minerais: A casca e a semente destacaram-se como fontes riquíssimas de compostos fenólicos totais e minerais essenciais como ferro, zinco, boro, potássio e cobre, superando, em alguns aspectos, os teores encontrados na própria polpa.
  • Potencial Antioxidante e Comportamento Digestivo: Os ensaios demonstraram que, embora certas classes de compostos sofram degradação no ambiente ácido do estômago, frações lipofílicas e metabólitos protetores mantêm forte atividade antioxidante (comprovada por testes como DPPH, FRAP e inibição da peroxidação lipídica), assegurando elevada bioacessibilidade intestinal.

Participe das próximas atividades

O programa educacional da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil oferece atividades gratuitas ao longo do ano. Os interessados podem acompanhar a agenda de eventos e participar das próximas discussões promovidas pela instituição.

Além disso, todas as edições dos webinars e eventos já realizados estão disponíveis para acesso no Canal ACFB da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil no YouTube, permitindo rever conteúdos e acompar os debates promovidos pela Academia.

As atividades educacionais da ACFB são viabilizadas graças ao apoio institucional de seus mantenedores: EMS, Sindusfarma, Eurofarma, HyperaPharma, Abafarma, Abifina, BD, FCE Pharma, Hypofarma, ICF, Sincamesp, Stevanato Group e Wheaton Brasil.