18 ago 2026

A Biodiversidade como Fonte de Inovação Farmacêutica

No dia 17 de agosto, a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) deu continuidade ao seu calendário do Programa Educacional com um webinar sob a moderação da Acadêmica Rachel Castilho, coordenadora do eixo de Biodiversidade, o evento recebeu o Acadêmico Jan Carlo Delorenzi para discutir sobre as Novas aplicações do óleo de Alpinia zerumbet: do tratamento da espasticidade muscular ao alívio da disfunção têmporomandibular.

O Prof. Dr. Jan Carlo Delorenzi, que além de acadêmico da ACFB é diretor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde do Mackenzie e consultor científico do Grupo Hebron, apresentou como uma planta tradicionalmente usada na culinária e ornamentação evoluiu para um insumo farmacêutico com eficácia comprovada no tratamento da espasticidade muscular e, agora, desponta como uma solução promissora para a odontologia.

 

Da Ilha de Okinawa ao Nordeste Brasileiro

A jornada da Alpinia zerumbet (família Zingiberaceae) inicia-se no Sudeste Asiático. Conhecida em Okinawa como o “chá da longevidade”, a planta foi introduzida no Brasil com fins ornamentais, mas encontrou no Nordeste um ambiente fértil para sua disseminação e incorporação à etnofarmacologia popular.

Popularmente chamada de “Colônia”, seu uso tradicional envolve banhos antitérmicos e chás hipotensores. No entanto, o Dr. Jan Carlo destacou que a ciência moderna permitiu identificar sua “Assinatura Molecular”: o óleo essencial das folhas é rico em Terpinen-4-ol (32-38%), 1,8-cineol (14-22%) e Sabineno (8-22%). Esse perfil lipofílico garante alta permeabilidade dérmica, tornando a via tópica transdérmica a estratégia terapêutica ideal.

 

Dualidade Farmacodinâmica: O Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação do óleo essencial, que se sustenta em dois pilares:

  1. Foco Muscular (Miorrelaxamento): O óleo inibe seletivamente o acoplamento excitação-contração ao bloquear canais de cálcio do tipo L e suprimir o extravasamento de cálcio pelos receptores de rianodina (RyR1). Isso resulta na desativação das pontes cruzadas de actina-miosina, promovendo o relaxamento muscular basal.
  2. Foco Imunológico (Anti-inflamatório): Através do eixo TLR4/NF-kB, o óleo atua em nível de transcrição genética, impedindo a produção de citocinas pró-inflamatórias (IL-6, TNF-α) e óxido nítrico. Esse bloqueio é a chave para a redução da hiperalgesia térmica e mecânica.

Translação Clínica: Espasticidade e Qualidade de Vida

O Dr. Jan Carlo revisou estudos realizados desde 2008, com destaque para o trabalho com crianças com paralisia cerebral espástica. O uso do óleo como coadjuvante na fisioterapia permitiu:

  • Redução significativa do tônus muscular (Escala de Ashworth);
  • Ganhos diretos em funções estáticas (sentar, ajoelhar) e dinâmicas (marcha e engatinhar);
  • Melhora na qualidade de vida de pacientes pós-AVC e com esclerose múltipla.

A Nova Fronteira: Disfunção Temporomandibular (DTM)

Os resultados mostraram que a aplicação tópica da formulação reduziu severamente a dor miofascial e a hiperalgesia térmica, sem causar sedação central ou alteração no controle motor. Este avanço abre caminho para ensaios clínicos randomizados em humanos portadores de DTM muscular crônica e aguda.

Referências

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